Wadi Rum com beduínos

Wadi Rum: o deserto cinematográfico

Quando pensava em Jordânia… somente Petra vinha à minha mente. Então fiz uma imersão cultural em Wadi Rum, durante a viagem pela fronteira oeste, e esta virou a minha melhor experiência no país. É única e especial como o destino mais visitado com um toque selvagem e divertido a mais.

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Vista do topo de Umm ad Dami lembra Marte
Vista do topo de Umm ad Dami, na fronteira com Arábia Saudita

Deserto Wadi Rum

Wadi Rum é um deserto de areia e formações rochosas responsáveis por paisagens de tirar o fôlego em tons terracota. Imponentes pedras de arenito e calcário avermelhadas foram e ainda são esculpidas pela erosão e vento no sul da Jordânia. Na imensidão dos vales, dunas e cânions, o silêncio faz qualquer movimento ou palavra distante serem ouvidos com clareza e proporciona uma paz indescritível quando nos isolamos para apreciar o momento.

Embora não seja o deserto mais seco do mundo, está no centro da região mais pobre em água do planeta. Situado entre o Mar Vermelho e a fronteira com Arábia Saudita, a vista alcança o mar (nos dias sem poeira) no topo das suas montanhas, as mais altas da Jordânia.

Wadi Rum é habitado desde a pré história por povos nômades. E a prova são as pinturas rupestres de quatro mil anos deixadas pelo povo nabateu e outras tribos. O deserto ficou internacionalmente conhecido quando T. E. Lawrence* trabalhava na região. Foi durante a revolta árabe do início do século XX. Inclusive, a montanha mais famosa ganhou o nome de um de seus livros – Seven Pillars of Wisdom.

* Conhecido como Lawrence da Arábia, Thomas Edward Lawrence era arqueólogo, agente secreto, militar, diplomata e escritor britânico. Conforme Wikipedia.

Seven Pillars of Wisdom
Montanha Os Sete Pilares da Sabedoria (Seven Pillars of Wisdom) é patrimônio Mundial da Unesco

O deserto cinematográfico

A vocação cinematográfica e o impulso para o turismo vieram após David Lean gravar o clássico ganhador do Oscar Lawrence da Arábia (1962). Aliás, os trens do Expresso do Oriente, utilizados no cenário, ainda estão na estrada, perto do Centro de Visitantes. Várias produções cinematográficas rodaram em Wadi Rum desde então (listas abaixo). Atualmente, o deserto também chamado de Vale da Lua, está mais para Marte ou outro planeta.

Carcaças do trem Expresso Oriente
Carcaças do trem Expresso Oriente

Filmes pra se sentir em outro planeta

  • Planeta Vermelho (Red Planet, 2000)
  • Prometheus (2012)
  • Os últimos dias em Marte (The Last Days on Mars, 2013)
  • Perdido em Marte (The Martian, 2015)
  • Rogue One: uma história Star Wars (2016)

Filmes com cenários de deserto:

  • Lawrence da Arábia (1962)
  • Paixão no Deserto (Passion in the Desert, 1998)
  • Transformers: a retaliação (Revenge of the Fallen, 2009)
  • The Frankincense Trail (documentário da BBC, 2009)
  •  The Face – Rock Climbing (documentário da BBC anos 2000)
  • O casamento de May (May in the Summer, 2013)
  • Aladin (Alladin, previsto para 2019)
Família de beduínos mostra sua cultura
Família de beduínos mostra sua cultura

Os Beduínos

Logo após a fama dos anos 60, Wadi Rum virou parque nacional e, desde antes, serve como residência para diferentes tribos de beduínos. Os árabes nômades do Oriente Médio circulam pela região desde antes do islamismo. As famílias costumavam se deslocar em camelos, com todos os seus pertences, e dormir em tendas conforme as estações do ano. Com as mudanças do mundo moderno, a maioria tem se adaptado e alguns encontraram no turismo uma fonte de renda. Mantêm seu estilo de vida e tradições, mas não deixam de aproveitar as tecnologias e facilidades. Muitos ainda vivem em tendas e fixam residência onde estão as melhores oportunidades para sua família. Alguns vivem na vila Rum, próxima ao Centro de Visitantes de Wadi Rum, e oferecem passeios e acampamentos no deserto para os turistas.

O melhor chá da Jordânia
O melhor chá da Jordânia
O simpático pequeno beduíno
O simpático mini beduíno

O que ver e fazer em Wadi Rum 

Desde um bate e volta, a partir de Petra ou Aqaba, até alguns dias, aventuras, beduínos e cenários estão prontos para proporcionar experiências incríveis no deserto. Apenas deixe a ideia de conforto e higiene em casa. E já adianto, ficaria incompleto sem aproveitar a noite estrelada e o jantar com os locais. Eu fiz o tour 4×4, acampamento beduíno selvagem e trilha para Umm ad Dami, a montanha mais alta da Jordânia, em apenas 24 horas. 

Turista vai na caçamba
Turista vai na caçamba

Tour 4×4

No início da manhã ou no meio da tarde, carros 4×4 partem do Centro de Visitantes diariamente. O passeio dura de 2 a 8 horas e acaba sendo o jeito mais rápido e prático de conhecer os principais pontos de Wadi Rum em um dia. Na jornada, os beduínos mostram os melhores lugares para tirar fotos e contam histórias da vida deles, do deserto e curiosidades dos bastidores dos filmes gravados ali. Os passeios mais longos incluem vivência com família de beduínos para ver na prática como dormem, vivem, trabalham e se alimentam hoje e no passado.

Cheguei ao meio dia e estava muito quente para ficar sacolejando na caçamba de um carro. Então fomos direto para a tenda de uma família local. Ali alimentei dromedários, tomei leite de cabra, aprendi a fazer o pão e queijo com as mulheres (que não podiam ser fotografadas) e brinquei com as crianças e as cabras. Quem quisesse, podia ajudar a preparar o almoço – churrasco de cordeiro com legumes – ou apenas ficar descansando e tomando água e chá na tenda. O espaço foi montada para nós turistas, contudo, é exatamente como montam pra eles quando estão no deserto cuidando dos animais.

No conforto da tenda depois do almoço
No conforto da tenda depois do almoço

Quando o sol baixou um pouco, partimos para uma aventura 4×4 com vistas espetaculares, adrenalina nos sobes e desces das dunas e um pouco de história até o pôr do sol. Infelizmente, o tempo fechou, mas nosso momento virou um bate e papo agradável com chá na volta da fogueira. Ou oportunidade de se isolar subindo nas rochas. Veja mais fotos do tour no final do texto.

Acampamento beduíno selvagem
Acampamento beduíno selvagem

Acampamento beduíno selvagem

Era noite escura quando voltamos ao local do acampamento e ficou lindo ver o jeito como arrumaram as velas para iluminar o nosso caminho até a tenda principal. Dormimos em barracas iglus individuais com saco de dormir e havia somente um banheiro químico para todos. O jantar é típico com carne de cordeiro, arroz e legumes feitos embaixo da terra. Todos os ingredientes são colocados em uma grande panela, esta é deixada em um buraco dentro da terra e tapada com as brasas da fogueira ao lado. Algumas horas depois, a carne esta muito macia e saborosa.

Panela sendo retirada da terra
Panela sendo retirada da terra

Beduínos em Wadi RumJantar típico dos Beduínos em Wadi Rum

Então teve cantorias e danças na volta da fogueira sob um céu não tão estrelado quanto eu imaginava por causa das nuvens, porém, lindo mesmo assim. Deitei cedo porque a programação era acordar 4 horas da madrugada para a trilha, mas o guia despertou o grupo às pressas quase duas horas antes porque uma tempestade de areia era eminente.

Senti o vendaval na noite, no entanto, estou acostumada e dormi fácil. Felizmente, eu já estava pronta, vestida e com mochila fechada ao lado porque quando abri a barraca foi o caos! Areia por todos os lados pinicando e o vento gelado levando as coisas leves pra longe. Gritaria, pessoas com medo, outro se divertia porque usava óculos de neve e os beduínos correndo para desmontar o acampamento. Peguei minhas coisas, entrei no primeiro carro e ali peguei no sono, afinal, não conseguia manter os olhos abertos ou ajudar em algo com toda aquela areia se ficasse na rua. Depois descobri que estavam me procurando…

Trilha para Umm ad Dami

O guia Marwan Douleh fazendo pose no ponto mais alto do seu país
O guia Marwan Douleh fazendo pose no ponto mais alto do seu país

Esta montanha não está no mapa nem nos passeios oferecidos no Centro de Visitantes. Por ser muito perto da fronteira em uma zona de conflitos eternos, a trilha não é incentivada para turistas,  porém, pode ser feita com guias especializados que conhecem o caminho como Rahhalah. Conto como foi:

Tomamos um café da manhã improvisado na base da montanha e começamos a subida até seus 1854 metros de altura. A trilha não é difícil nem demorada, a pior parte é a subida íngreme no início e as rajadas de vento perto do topo. Com um bom sapato para dar firmeza nas pisadas verticais, a coragem e confiança dos guias te empurra pra cima só na fala deles. Isto se forem guias experientes em montanhas como eram os meus, porque os beduínos subiam de vestido e sandália na maior facilidade. 

No topo teve chá, lanche e fotos com a bandeira, afinal este é o ponto mais alto do país com vista para Arábia Saudita. Dá para ver o posto de fronteira e a divisa. Por fim, a descida foi rápida e em menos de 4 horas completamos a trilha. 

Me acostumando com a poeira no Centro de Visitantes
Me acostumando com a poeira no Centro de Visitantes

Outros passeios

Pode visitar os atrativos à cavalo árabe ou dromedário, mas precisa ficar dias para ver todos. Embora seja um transporte com animais, é o jeito mais sustentável por interferir menos no ecossistema do deserto. Diferente de Petra, os dromedários parecem ser bem cuidados e os beduínos explicaram como a relação entre eles é de respeito e confiança. Caso contrario, o beduíno seria morto facilmente pelo animal enquanto dorme porque os dromedários jamais esquecem quando são maltratados. Veja as principais opções:

  • Escalada
  • Sandboard
  • Fotos nas pontes de pedra
  • Trilhas diversas como interior do Khazali Canyon
  • Cavalgada
  • Safari
  • Voo de balão
Camelos disponíveis para passeio
Dromedários disponíveis para passeio
  • Como se hospedar em Wadi Rum

São duas formas: acampamento beduíno ou pousada cama e café. O acampamento pode ser selvagem com infraestrutura mínima ou de luxo. A pousada fica próxima ao Centro de Visitantes e oferece banheiro, chuveiro e restaurante. Hotéis somente em Aqaba (70 km) ou Petra (112 km). Para ficar com mais conforto, deve reservar com antecedência porque o número de leitos é limitado no parque.

Sun City Camp e Wadi Rum Night Luxury Camp são os principais acampamentos de luxo. 

Veja todos no Booking

Acampamento de luxo
Acampamento de luxo visto de longe

Tome Nota Wadi Rum

O parque cobra taxa de visita de 5 Dinar (cerca de 5 euros) para turistas estrangeiros. Se for visitar outros lugares na Jordânia, vale comprar o Jordan Pass antes de chegar ao país. Ele inclui a taxa do visto de turista e a entrada nos principais parques como Wadi Rum por 70 Dinar.

Quando ir: para evitar as temperaturas mais extremas e clima inóspito, primavera e outono são os períodos indicados. Principalmente em abril, setembro ou outubro. Eu fui em maio e peguei tempestades de areia leve, segundo os beduínos. Foi uma aventura caótica desmontar acampamento durante a madrugada e fugir para um lugar mais seguro.

O que levar: lanterna, lenços umedecidos e papel higiênico se for acampar. Roupas de frio e de calor, afinal, é deserto. É muito quente no sol e esfria bastante de noite e nas primeiras horas do dia. Protetor solar, óculos, lenço e chapéu ajudam com o sol e a poeira.

Quem leva: o passeio foi organizado e guiado pela Rahhalah Explorer. Uma empresa de Dubai também atuante no Kwait e Jordânia. Os três fundadores foram os primeiros árabes a escalarem as maiores montanhas do planeta e trouxeram a técnica e paixão pela aventura como diferencial ao receptivo. Sempre terá um briefing detalhado e tudo estará sobre controle (imprevistos são prováveis neste tipo de viagem, mas me senti em mãos experientes para situações de emergência).

Importante! Não existem mapas confiáveis para as trilhas e nem todas as áreas do parque tem visita permitida, é imprescindível contratar um guia para não se perder ou evitar problemas com os locais.

©Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Duna de areia pesada para subir, mas vale pela vista
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Os petroglifos de 4 mil anos ou mais na Alameleh Inscriptions
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Arte Rupestre em Wadi Rum Arte Rupestre em Wadi Rum

Siq Um Tawaqi é a cara do Lawrence gravada na pedra, fica dentro de um cânion
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Cara do antigo rei encravada nas pedras, o mesmo da nota de  dinar
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Cenário incrível dentro de um cânion
Cenário e luz incríveis dentro de um cânion
No alto das dunas
No alto das dunas
Brincando com as formações rochosas
Brincando com as formações rochosas
O almoço de cordeiro
O almoço de cordeiro assado com areia


Família de dromedários em Wadi Rum



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Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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