Bar na rua em Gotemburgo

Suécia: dicas aos viajantes


Antes de começar a leitura, um aviso, não vai encontrar tudo sobre a Suécia porque minha viagem foi de apenas 13 dias. Mas teve experiências intensas com os locais (suecos e povo sami) e um tempo suficiente para explorar Gotemburgo, a segunda maior cidade do país, além das montanhas na fronteira com a Noruega. Deixo as dicas para planejar a viagem e ir se acostumando com as diferenças culturais.

Onde fica a Suécia

Suécia é um reino na região chamada Escandinávia, um dos territórios gelados do extremo norte do planeta. Localizado na Europa, faz fronteira com os países nórdicos: a Noruega a norte e oeste, a Finlândia a leste e a Dinamarca a sudoeste pelo Mar de Kattegat. Aquele mesmo da história do seriado Vikings, parte do povo é descente dos guerreiros bárbaros que aterrorizavam os oceanos há mil anos.

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Quando ir

Entre junho e setembro são os melhores meses para aproveitar os ambientes ao ar livre e mais horas de luz natural, incluindo o sol da meia-noite ao atravessar para o Círculo Polar Ártico. 

Para ver a aurora boreal é preciso enfrentar temperaturas extremas entre novembro e março, sendo janeiro e fevereiro o período mais certeiro. O inverno é rigoroso com mais de 2 metros de neve nas montanhas e temperaturas de -25 graus nas zonas urbanas.

O verão conforme conhecemos no Brasil acontece entre julho e agosto com raros dias em junho ou setembro. Visitei no meio de setembro e, em geral, me senti no outono durante o dia e inverno durante a noite. Na costa da West Sweden neva menos do que o resto do país e será o destino mais quente em qualquer estação, porém úmido e chuvoso no inverno.

Caiaque na costa oeste da Suécia
Caiaque é um dos esportes nacionais

Como chegar e circular

Não há voos diretos a partir do Brasil, mas basta uma escala na Europa. Os principais aeroportos internacionais ficam em Gotemburgo e Estocolmo, no entanto, Oslo fica bem próximo à fronteira e foi minha porta de entrada voando Swiss Airlines com escala em Zurique. Encontre a melhor rota no buscador de voos.

Seja trem, bicicleta, barco, ônibus… qualquer transporte escolhido vai funcionar bem na Suécia até para os lugares mais remotos. Dizem alugar carro ser o mais econômico em função do Direito de Acesso Público. Isso significa que qualquer pessoa tem o direito de caminhar, andar de bicicleta, esquiar e acampar em qualquer terra, com exceção dos jardins privados e terrenos cultivados. No entanto, há regras sutis para não perturbar moradores nem a vida selvagem, na dúvida, busque informações sobre The Right of Public Acess.

Trem e ônibus foram os utilizados por mim entre uma cidade e outra. A rede ferroviária sueca cobre boa parte dos pontos turísticos ou terá conexões com transporte público terrestre. O país tem rodovias de alta velocidade conservadas, além de estradas secundárias em boas condições. No entanto, a neve é um problema no inverno. Trenó é o veículo preferido pelas pessoas que conversei.

Já nas cidades como Gotemburgo, o transporte público é pontual, conecta todos os pontos e o pagamento é por auto-atendimento com cartão de crédito. Não precisa de carro.

Cena rural Suécia
Paisagem vista de dentro do trem

O que levar

Moeda e como levar dinheiro

A Suécia faz parte da União Europeia, mas a moeda local é a Coroa Sueca e a conversão é cerca de 1 euro para 10 coroas. Inclusive, nem a própria moeda em papel é aceita na maioria dos lugares, há bilhetes avisando nos caixas dos estabelecimentos. Cartão é a forma de pagamento preferida no país e o melhor para evitar sustos na fatura foi ter levado um cartão pré-pago, além do cartão de crédito. Levei euros para evitar gastos com IOF do cartão e eles foram apenas dar uma voltinha na Europa.

Documentos

Viajar para a Suécia não precisa de visto para estadia de até 90 dias. Leve todos os seus documentos (passagem de volta, reservas de hotel, seguro viagem, se houver carta-convite, extrato atualizado com saldos e limites dos cartões) e passaporte válido para os próximos três meses. Podem não pedir nada disso, mas se pedirem, você precisa provar condições para se sustentar durante a viagem pela Europa. Lembrando ser território Schengen onde o seguro viagem de 30 mil euros é obrigatório.

Praia no centro de Gotemburgo
Praia no centro de Gotemburgo

Hotel, hostel, lodge e acampamento na Suécia

Experimentei diferentes estilos de hospedagem nessa viagem e recomendo todos, especialmente os cercados pela natureza. No entanto, é preciso preparar o bolso, mesmo compartilhando espaços o custo é alto para os padrões brasileiros. Uma solução seria viajar de motorhome ou acampar se beneficiando do Direito de Acesso Público mencionando no vídeo acima. Eu acampei em território sapmi (terra de indígenas) com os locais, mas teve custo.

Além de acampar com Renbiten, na região de Dalarna, fiquei na estação de montanha STF Grövelsjöns; no lodge Rösjöstugorna dentro do parque nacional; e Hotell Kung Gösta em Mora. Já Gotemburgo foi do executivo 5 estrelas, Clarion Hotel Post, ao hostel mais barato da cidade, Backpackers Göteborg.

Tive muita vontade de dormir nas cabines de vidro 72 horas, em West Sweden, e faltou tempo. No início era só um estudo para mostrar o impacto positivo da natureza em nossa saúde, hoje é opção de hospedagem. Para 2020 mais 10 estão sendo construídas em Halleberg.

Se viajar no inverno, o lugar mais certeiro para ver a Aurora Boral é na Lapônia. Na região fica o Icehotel, o primeiro dos hotéis de gelo a ser construído no mundo. Abre somente de dezembro a março.

Cabanas para hospedagem no alto da montanha
Lodge Rösjöstugorna

Os locais

O conceito de povo frio caiu completamente por terra desde o primeiro contato com os suecos. Eles são extremamente corretos, reservados e tímidos, mas isso não abala a hospitalidade e a cordialidade. Desde que não tente dar um “jeitinho brasileiro” para burlar as regras, eles podem ser bem chatos com pequenas coisas. Outra dica para não ser interpretado de forma equivocada, é não sair abraçando e beijando quem acabamos de conhecer, deixe essa proximidade partir deles e ela virá naturalmente. Se o contato for com o povo sami, talvez se sinta parte da família como eu me senti no terceiro dia da viagem.

Família Sami na Suécia
Família Sami que me acolheu

Se vai apenas para Estocolmo, não precisa cruzar o círculo polar ártico para conhecer os indígenas da Europa. Dalarna é a região mais ao sul onde o povo Sami pode ser encontrado em sua rotina de cuidar das renas e está a poucas horas da capital. Os Samis estão presentes nos países nórdicos há 3500 anos.

Voltando para uma época mais recente, Suécia é a terra dos grupos ABBA e Roxette; das empresas IKEA, Spotify, Skype e Volvo; de personalidades como o cineasta Ingrid Bergman, a atriz Greta Garbo e a ativista Greta Thunberg. Na minha impressão, o melhor da Suécia são as paisagens e a relação das pessoas com a natureza.

Idioma

Sueco é o idioma oficial do país e há outros aceitos como os dos povos Sami, mas todos falam inglês perfeitamente.

Pacote de lanche com a  palavra fika que só existe na Suécia
A palavra fika só existe na Suécia

Gastronomia

Cheguei com desejo de salmão, almôndega e pães doces, conforme os relatos na internet, e me deparei com um estilo de vida sustentável e uma palavra única. Fika é o verbo para encontrar os amigos com o objetivo de comer, relaxar e bater papo.

Algumas dessas descobertas só foram possíveis porque comecei a viagem pelo campo onde tudo era aproveitado e ajudávamos a colher e preparar as refeições. Só comíamos o que estava ao alcance e era produzido na região como a carne de rena cuidado pelo povo Sami; as berries, os cogumelos e os líquens colhidos no chão durante as trilhas; ou os peixes pescados nos lagos. Tudo saudável, com preço justo e preparado de forma autêntica e divertida. É o conceito slow food, também encontrado nas cidades, mas para economizar acabo no fast food de receitas importadas ou algum mercado perto do hotel e imagino acontecer assim com a maioria do viajante brasileiro. Pelo menos, nas padarias tem umas bolachas típicas para comer com patês bem boas, além do delicioso pão de canela.

Confeitaria em Gotemburgo
Doces típicos da Suécia
Bolachas vendidas nos mercados da Suécia
Bolacha presente em todos os cafés da manhã é facilmente encontrada nos mercados
Cogumelo entre os líquens
Cogumelo e líquens encontrados no chão alimentam os animais e o povo local. Comi com carne de rena

O que fazer na Suécia no verão

Um país coberto pela neve boa parte do ano, tem sede e excelente estrutura para aproveitar os dias mais quentes ao ar livre. Tanto as zonas urbanas quantos as praias e montanhas são um convite para fazer atividades na natureza, dê preferência, comendo com outras pessoas (o tal do fika). Mas os suecos não têm medo do clima ruim e frio, vão para rua aproveitar a natureza de qualquer jeito.

Faça chuva ou faça sol, experimente trilha, caiaque, bicicleta e termine o dia com a sauna, o santuário de relaxamento para os escandinavos. Visite museus e pubs, aprecie o design e não deixe de ter contato com o povo Sami se for para o centro e norte do país. 

Por fim, observe a qualidade de vida, o senso de comunidade, a preocupação com a sustentabilidade e tente incorporar um pouco disso na sua rotina. Pelo menos, eu aprendi bastante durante essa viagem e estou trabalhando nas mudanças.

Trilha na Suécia
As placas com X sinalizam caminhos de trilhas nos parques nacionais e não proibido passar como pensam os turistas

Curiosidades

  • Entre os séculos 16 e 18 a Suécia foi considerada um dos países mais poderosos da Europa.
  • Foi o primeiro país europeu a criar oficialmente um parque natural em 1909. Atualmente existem 30 parques e cerca de 4000 reservas cobrindo 13% do território.
Mercado de peixe em Gotemburgo
Áreas para aproveitar a vida ao ar livre como o mercado de peixe em Gotemburgo

Suécia: mapa dos pontos visitados

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© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Essa viagem foi parcialmente patrocinada pela Visit Sweden à convite da ATTA.

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Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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