dicas aos viajantes quênia

Dicas aos viajantes Quênia

E para finalizar em 34 artigos a série sobre o melhor país para fazer safari selvagem no mundo, escrevi Dicas aos viajantes Quênia. A compilação de todas as dicas pra fazer um giro seguro pelo país. São informações gerais importantes para todos os viajantes, porém, insuficientes para quem vai de forma independente porque fiz uma viagem de imprensa, organizada pelo governo local, com roteiro elaborado para deixar a melhor das impressões em todos os sentidos. E quem já leu os meus textos, pode ver como eles conseguiram, inclusive entrou para a lista das minhas melhores viagens.

O Quênia é um país incrível, mas é preciso ter alguns cuidados com segurança e questões culturais, principalmente as mulheres. Antes, deixo claro que em nenhum momento me senti insegura ou constrangida. No entanto, o desconfiômetro sempre grita em lugares onde homens podem casar com várias mulheres e a população muçulmana é expressiva. E ainda tem a má fama dos países vizinhos, da violência na capital e da própria vida selvagem nos deixar totalmente vulneráveis.

Banco de areia no Kisite Mpunguti Marine Reserve
Banco de areia no Kisite Mpunguti Marine Reserve

Dicas aos viajantes Quênia

A primeira recomendação é RESPEITAR A CULTURA E AS REGRAS. Depois pareceu mais confiável contratar traslados, se hospedar em hotéis com boas referências e sair em grupos. Mas sem paranoias! Abuse da intuição, relaxe quando se sentir confortável, não tenha receio de conversar com os locais e nem perca oportunidades de viver grandes experiências por medo. Esta é uma viagem para escapar da nossa realidade sem tirar os pés do chão, onde a brincadeira deve ser levada a sério em um jogo para adultos.

Clima e quando ir

Por estar na linha do Equador e ter variação de altitude, o clima pode mudar drasticamente dependendo da região. Geralmente as zonas costeiras são quentes e úmidas, nas montanhas a umidade acompanha o frio, enquanto as áreas do norte e leste são muito secas. Fui no período mais quente do ano (fevereiro a março) e senti calorão durante o dia e um certo frio na madrugada. As temperaturas médias variam de 20 a 26 graus e Nairóbi chega a ter mínimas de 13 graus no inverno.

Entre JULHO E MARÇO é a melhor época para evitar as precipitações, sendo agosto e setembro a alta temporada por causa da Migração dos Gnus e de novembro a janeiro ser período de chuvas rápidas.

Documentos e Entrada no país

Brasileiros precisam de VISTO para entrar no Quênia e agora ele pode ser feito de forma online conforme explicação no site do Kenya Tourism Board. Na época (2014) fiz semanas antes da viagem enviando meus documentos para Embaixada da República do Quênia em Brasília junto com uma taxa de U$ 50.

SEGURO SAÚDE é altamente recomendado e ter foi requisito para aceitar o convite do governo. Para ter uma ideia, fui obrigada a assinar um termo de responsabilidade declarando estar ciente dos riscos deste tipo de viagem, mas este foi um caso específico e não será solicitado para a maioria dos turistas. Exceto se fizer atividades como passeio a cavalo, voo de balão, mergulho ou outras consideradas de risco. Neste caso, terá de assinar um termo parecido somente na hora do passeio.

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As EXIGÊNCIAS para entrar no país são passaporte com validade não inferior a seis meses e comprovação da vacina contra a febre amarela. A vacina deve ser tomada até 10 dias antes de embarque.

Fuso horário

+5 horas em relação ao horário de Brasília.

Transporte

TERRESTRE

Vi poucos meios de transporte público e muitas pessoas a pé nas vias e rodovias. Como recomendei no início, considere contratar traslado ou alugar veículo. Nas grandes cidades existe táxi como opção, mas o valor da tarifa deve ser combinado antes de partir.

Se decidir por alugar um carro, opte por modelos 4×4 nas cores bege ou verde para despistar animais selvagens e fique atento à mão inglesa.

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Nos dez dias, utilizei apenas os serviços de traslado previamente agendado ou transporte privativo dos hotéis. Peguei estrada em dois momentos, primeiro uma boa rodovia entre Nairóbi e Lewa e depois uma estrada de terra entre Diani Beach e Shimoni. Todos os demais trajetos foram em avião.

Avião pequeno e pista de pouso em Maasai Mara National Reserve
Avião pequeno e pista de pouso em Maasai Mara National Reserve

AÉREO

A companhia South African opera voos direto de Johanesburgo para Nairóbi. Enquanto a Safarilink conecta diariamente a capital à Maasai Mara, Laikipia e Mombassa. Aviões pequenos da Safarilink e Air Kenya fazem o transporte entre alguns parques utilizando pistas de pouso.

Idioma

O inglês é a língua oficial (herança da colonização britânica), swahili o idioma nacional (comum em todas as tribos) e uma terceira língua é ensinada nas escolas conforme a cultura regional. São cerca de 80 idiomas existentes no país.

Dinheiro e Economia

XELIM do Quênia (KSh$) é a moeda oficial e poucos estabelecimentos aceitam dólar, mas devolvem o troco na moeda local. As grandes cidades tem casas de câmbio e os melhores hotéis e restaurantes trabalham com cartão de crédito.

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Uma curiosidade que só descobri por lá é o Quênia ser o maior exportador de flores de corte do mundo. Logo, a agricultura emprega 80% da população, principalmente nos produtos chá e café. Ainda assim, o turismo é a maior fonte de renda do país.

Caranguejo gigante do Oceano Índico
Caranguejo gigante do Oceano Índico

Comida

O café da manhã dos quenianos com legumes e ingredientes da feijoada brasileira
O café da manhã dos quenianos com legumes e ingredientes da feijoada brasileira

Experimentei alimentos com nomes diferentes, mas gosto e aparência semelhantes ao que temos no Brasil, provando a forte influência africana na nossa culinária. Por exemplo, UGALI é o prato mais tradicional do Quênia, uma pasta grossa feita de leite, água e farinha de milho que tem gosto de polenta italiana. Claro que eles também foram influenciados nos últimos anos pelas culturas indiana, árabe, europeia e paquistanesa criando uma mistura interessante com frutos do mar. Apesar de carnes grelhadas e frutas tropicais serem as mais apreciadas localmente.

Falando em carnes, destaque para as exóticas de caça servidas em poucos restaurantes como o Carnivorous, em Nairóbi. A venda é permitida conforme a população de cada espécie, logo, o cardápio varia e pode não estar disponível. Eu dei sorte, comi crocodilo, ema, fígado, bola de touro, ovelha e leitão, já havia experimentado todas e adoro.

 

Artesanato em miçanga explora temas como fauna, flora e cultura local
Artesanato em miçanga explora temas como fauna, flora e cultura local

Compras

ARTESANATO, CHÁ e TECIDO são os produtos regionais mais comprados pelos turistas. Estátuas e máscaras talhadas em madeira exibem a cultura das tribos tradicionais assim como as lindas cangas e cobertores xadrez (shuka). Também tem as cestas (kiondos) e os trabalhos em miçanga. O chá preto tem reconhecimento internacional por seu gosto e aroma e foi o que comprei como souvenir. Todos estão disponíveis em supermercados e galpões de artesanato nas maiores cidades. E sempre tem as lojinhas dentro do hotéis com preço mais altos.

Filhote de elefante recém nascido emociona todos no jipe
Filhote de elefante recém nascido emociona todos no jipe

Parques Nacionais

As reservas e os parques nacionais do Quênia são encontrados em praticamente todas as partes do país, desde as margens do Lago Turkana até os planaltos do deserto central e as reservas marinhas ao longo da costa do Oceano Índico. Desses, passei por MAASAI MARA NATIONAL RESERVE, PARQUE NACIONAL DO MONTE QUÊNIA (segundo pico mais alto da África) e KISITE MPUNGUTI MARINE RESERVE, localizados no centro e metade sul. E a ainda tem os chamados Conservancy, parques privados, porém protegidos, próximos aos parques nacionais como Olare Orok Conservancy e Lewa Wildlife Conservancy, onde me hospedei em barracas sofisticadas.

Hospedagem

Neste quesito o Quênia agrada todos os tipos de viajantes, a variedade em acomodações vai do luxo rústico ou moderno até o monte sua própria barraca. Incluindo opções para turismo voluntário, safari camps, resorts de praia e aluguel por temporada. A minha experiência foi do luxo clássico ao selvagem como jamais havia vivido antes. Cada uma detalhada nos textos:

Lewa, o verdadeiro Safari Camp CONSULTE VALORES

Acampamento luxuoso e selvagem no Olare Mara Kempinski CONSULTE VALORES

8 cascatas para o mar no Swahili Beach Hotel CONSULTE VALORES

Luxo e vista no Hemingway’s Nairóbi CONSULTE VALORES

O banheiro da minha suíte em Nairóbi e este não foi o hotel mais luxuoso da viagem
O banheiro da minha suíte em Nairóbi e este não foi o hotel mais luxuoso da viagem

O que levar na mala – Dicas Quênia

Vestida conforme recomendação, manga longa veio do Marrocos, calça-bermuda veio da Patagônia e a bota de trilha não exibida é pra evitar possível bote de cobra na canela
Vestida conforme recomendação, manga longa veio do Marrocos, calça-bermuda veio da Patagônia e a bota de trilha não exibida é pra evitar possível bote de cobra na canela

ROUPAS é um assunto que me deixou em dúvida na hora de fazer a mala, por isso, resolvi consultar amigos que já foram. A recomendação foi usar calças e mangas longas para esconder o tom de pele e assim evitar os olhares curiosos dos locais não acostumados com pessoas brancas. Já o turismo do Kenya avisa ser impróprio o uso de shorts, regatas ou manga curta em determinadas áreas do litoral (imagino ser por causa da maioria muçulmana). Mesmo assim coloquei biquíni, regata e shorts além do recomendado na mochila. Ainda bem porque em Diani Beach e Shimoni todos os turistas se vestiam confortavelmente nos passeios e no hotel. Por precaução, vale consultar na recepção e, como disseram não haver problemas, fiquei de roupa de banho. De fato ninguém ficou olhando de forma a causar constrangimento.

Como regra geral, use peças leves e confortáveis. A poeira das zonas mais secas deixa tudo bege e este é o motivo de muitos optarem pelas cores neutras ou combinando com a paisagem.

LENÇOS ou echarpes são úteis para proteger o rosto da poeira e a cabeça toda do vento que fica gelado ao anoitecer.

CASACO quente para as atividades noturnas porque sempre esfria.

LANTERNAS estão disponíveis nos melhores acampamentos, mas é bom levar uma para garantir. E nem todos os lugares tem energia elétrica para carregar.

ADAPTADOR UNIVERSAL e eletrônicos que funcionem em 220V.

CÂMERAS FOTOGRÁFICAS são obrigatórias, de preferência DSLR com lente mínima de 200 milímetros. Levei uma lente 35-80 e outra 100-300 e errei ao levar apenas um corpo. A poeira que entrou na hora de trocar as lentes deixou todas as fotos com manchas e me obrigou a fazer uma cara limpeza ao voltar pro Brasil. Se for a Mombasa, leve câmera à prova d’água. Lá não existe para alugar nem o pessoal do barco tem para vender aos turistas.

Não perca a oportunidade única de fotografar animais de perto. Leve uma boa câmera
Não perca a oportunidade única de fotografar animais de perto. Leve uma boa câmera

BINÓCULO para ver os animais bem de perto. Os guias costumam emprestar o seu, mas será um para todos dentro do veículo. Para os fotógrafos, lentes com bom alcance resolvem.

PRODUTOS de proteção e hidratação (repelente, protetor solar, hidratante) para o corpo porque o clima seco castiga a pela e os lábios racham.

Opcional

CELULAR. Se quiser internet o tempo todo, os telefones pegam muito bem por lá, inclusive no meio do nada fazendo safari. Leve um celular desbloqueado e compre um chip local.

Os quenianos

O jeito corporal do Maasais darem as boas vindas
O jeito corporal do Maasais darem as boas vindas

São pessoas alegres, sinceras, corajosas e, na essência, mais parecidos com os brasileiros do que imaginamos. Pelo menos em relação aos quatro grupos que tive mais contato durante a viagem: sobre os meninos de Mombasa, conto nossa conversa no artigo Sea Safari; quanto às tribos, explico Meu encontro com os Masais; sobre eu me impressionar com os funcionários do hotel mais luxuoso onde me hospedei, relato no Acampamento luxuoso e selvagem; e a amizade com as meninas que nos acompanharam, apenas digo que já nos encontramos outras vezes e até levei uma delas pra fazer turismo em São Paulo.

Conheça algumas palavras para ajudar na comunicação:

JAMBO é a palavra pra dizer Olá.

HAKUNA MATATA é mais uma filosofia de vida e basicamente significa sem problemas.

Tome Nota Dicas aos viajantes Quênia

Os amigos consultados sobre a questão roupas também são blogueiros de viagem e fizeram roteiros diferentes do meu. Visite Aventura Mango, Escapismo Genuíno e Quatro Cantos do Mundo para mais detalhes.

Inspire-ser com o vídeo da viagem ao Quênia

Esta viagem foi um convite do Kenya Tourism Board.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais. Fotos de Roberta Martins e Alvaro Prange.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

2 comentários

  1. Oi, Roberta. Tudo bem? 🙂
    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com
    Até mais,
    Bóia – Natalie

  2. Ótimo texto!! Muito bem detalhado!!! Os lugares parecem ser encantadores!!!

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