Viajantes África

Dicas aos Viajantes África do Sul


Hoje faz uma semana que voltei de 33 dias incríveis e intensos pelo sul da África. Tudo foi melhor que o esperado porque tive um bom suporte dos serviços locais e dos meus companheiros de viagem, além das diferentes experiências que fizeram qualquer inconveniente valer a pena.

Comecei o post assim porque, mais uma vez, não consegui me planejar como fazia antigamente, pisei na África apenas com a noção do clima e algumas atividades do roteiro para não errar tanto. Acabei falhando em alguns momentos, contudo, me virando.

A função deste texto é passar informações úteis para quem deseja viajar pelo interior do país praticando diferentes atividades. Abaixo listo o que acertei ou deveria ter visto antes e curiosidades encontradas pelo caminho.

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

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Dicas aos Viajantes África do Sul

21 dias na van da Pangea Trails
21 dias na van da Pangea Trails

Transporte terrestre e aéreo

Para viajar pelo país fomos no tour PANGEA TRAILS, de Pretória até Cape Town, parando nas principais cidades por 21 dias. Uma van para até treze pessoas, guiada pelo alemão Alex, é a melhor opção para quem não tem tempo de organizar roteiro ou prefere pagar para ter a garantia dos melhores hostels, atrações e atenção para qualquer imprevisto.

Cruzei com viajantes independentes utilizando ônibus e vans da Intercap e Baz Bus. A primeira é mais confortável, parte das rodoviárias pelo país e circula por outros países do sul do continente. A segunda é para o público mochileiro e faz todo o litoral da África do Sul parando nos hostels parceiros. São transportes para turista, os locais viajam pegando carona ou em poucas vans lotadas. Pelo menos foi minha impressão observando as estradas. Também cruzamos por muitos ciclistas e não vi acidentes de trânsito durante toda a viagem.

Em Johanesburgo utilizamos serviço de transfer particular desde o aeroporto até o hostel, para alguns passeios e a viagem até Pretória. Sei de viajantes que alugaram carro, mas não sei de opiniões sobre o transporte público. Parece não ser muito seguro.

Já Cape Town tem mais opções para circular na parte central como ônibus público e Sightscene, além da facilidade para pegar táxis na rua e tours para as atrações nos arredores.

Trajeto na tela do avião
Trajeto na tela do avião

Quem prefere alugar carro (pode reservar na  Rental Cars) precisa da carteira internacional de habilitação e coragem para dirigir na mão contrária. A maior parte das estradas estão bem boas e têm pedágio.

Voamos South African Airlines direto de São Paulo a Johanesburgo (e ao contrário) e na volta de Cape Town até Johanesburgo. O primeiro trecho durou oito horas e o último dez horas. Ambos vazios, me espalhei nos bancos e dormi quase o tempo todo. Já o trecho nacional foi desconfortável, apertado e com turbulência, mas, diferente dos meus amigos, também dormi direto. Aproveitei as milhas para pontuar no meu cartão fidelidade da LATAM.

Lodge perto do Kruger Park
Lodge perto do Kruger Park

Hotel na África do Sul

Casa na árvore em Umzumbe
Casa na árvore em Umzumbe

Confiei na escolha da Travel Concept Solutions e Pangea Trails sem saber onde iria parar e não me decepcionei em nenhum momento. Me hospedei em hostels e guest house ficando em quartos compartilhados, suítes, cabanas, casa na árvore e barraca. Nada de luxo, mas descolados, confortáveis e econômicos. Alguns barulhentos (fruto das festas animadas) ou lotados demais, outros com astral para praticar yoga, com vista para selva, mar ou montanha e todos com atrações variadas no local, ou ajudam a reservar passeios nos arredores.

Quem prefere fazer as próprias reservas e encontrar promoções de hospedagem, pode fazer a pesquisa em um único site sem necessidade de cadastro ou pagamento de taxas. O DETECTA HOTEL mostra os valores e disponibilidade exibidos nos grandes sites de reserva e redes de hotéis. As melhores ofertas são destacadas, com opções para filtrar os resultados conforme preferencia, economizando tempo para agilizar os demais detalhes da viagem. Hotel escolhido, basta clicar para ser direcionado ao site onde a reserva será finalizada. Praticamente todos onde me hospedei aparecem na pesquisa do Detecta Hotel com diferença nos valores entre os sites de reserva.

Nos finais de semana sempre lotava e vi viajantes chegando de última hora sem conseguir cama. Quase todos tem espaço para camping e oferecem barraca nessas situações.

Alugamos casacos no hostel para subir o Sentinel Peak com chuva
Alugamos casacos no hostel para subir o Sentinel Peak com chuva

Bagagem, como e o que levar

Continuo viajando e achando ótimo uma mochila cargueira e outra de ataque somando 65 litros. Comecei e terminei com 15 kg (o limite do Pangea Trails é de 20 kg), comprei algumas coisas, mas fui deixando outras pelo caminho para equilibrar. Não aconselho mala de rodinha porque ninguém vai carregar a sua bagagem nesse estilo de viagem, da van para os quartos eu subi escada, fiz trilha, caminhei algumas quadras e até atravessei um rio!

O item que mais senti falta foi um casaco corta-vento impermeável com capuz. O vento é presença constante em todo o país e pode ser congelante. Levei um corta-vento leve que foi útil, mas não suficiente para subir no Sentinel Peak ou nos dias de chuva. Como o clima lá é parecido com o sul do Brasil, achei que fleece seria exagero na primavera e errei. Faz bastante frio de noite em Johanesburgo, devido a altitude de 1753 metros, e mais ainda na trilha em Drakensberg, montanha citada acima onde cheguei a 3200 metros de altura.

Tomada oficial da África do Sul é incompatível com adaptadores universais
Tomada oficial da África do Sul é incompatível com adaptadores universais

Resumindo, tem que levar roupa para as quatro estações do ano sempre. Só em Cape Town pode usar do biquíni ao fleece no mesmo dia. Echarpe, blusa x-thermo, calça-bermuda, camisetas e vestidos fresquinhos foram essenciais durante toda a viagem. Bota de trilha, havaianas e sapatilha serviram para todas as ocasiões. Levei roupas para usar durante uma semana e ia lavando no banheiro ou lavanderia do hostel.

Entre os acessórios indico lanterna, cadeado, bastão para subir montanhas, toalha de microfibra (nem sempre tinha toalha nos hostels), porta passaporte de cintura e saco estanque para guardar a roupa suja ou usar como balde na hora de lavar. Todos os itens de higiene pessoal que precisei estavam à venda nos supermercados e lojas de conveniência. Levei potinhos e fui comprando conforme precisava. Nem adianta levar adaptador, nenhum universal funciona nas tomadas por lá. Alguns hostels emprestam, mas acaba sendo mais fácil comprar no supermercado. A voltagem é como no Brasil, tem as duas conforme a cidade.

Não é a toa que os pinguins passam o ano todo em Cape Town
Não é a toa que os pinguins passam o ano todo em Cape Town

Temperatura da água

África do Sul é banhada por dois oceanos e fica bem longe da linha do Equador, então não se iluda com as praias lindas convidando ao mergulho, o choque térmico já acontece pisando na areia molhada. No Oceano Índico ainda é mais agradável, mas pra quente não serve. Em Cape Town é de doer, peguei temperatura da água em 10 graus quando mergulhei com lobos-marinhos no Oceano Atlântico, no verão a média baixa para 8 graus!

Prestes a saltar do maior bungee jump de ponte do mundo
Prestes a saltar do maior bungee jump de ponte do mundo

Assistência em viagem e documentos

Deixei o seguro para última hora e esqueci de fazer antes de partir, só lembrei depois que me joguei nos 40 metros de queda livre do Free Fall!!! O país não exige, mas aconselho fazer sempre, ainda mais do jeito radical que foi nossa viagem. Assim que tive acesso à Internet entrei no site e comprei online. Porém, de nada adiantou porque o seguro só é válido se comprado antes de sair do Brasil, ainda bem que não precisei usar! Atualmente, os leitores do Territórios ganham um bom desconto ao adquirir na Next Seguro Viagem, clique no link para saber os detalhes da promoção. O seguro é obrigatório para quem viaja com a Pangea Trails.

Não precisa de visto para entrar na África do Sul, mas o Certificado Internacional de Vacinação deve comprovar que tomou a vacina contra febre-amarela até dez dias antes da viagem. Não me pediram em São Paulo, só em Johanesburgo, mas barraram o André de embarcar conosco. Ele chegou dois dias depois quando a vacina ficou válida.

Dinheiro

A moeda da África do Sul é o Rand que vale apenas R$ 0,25. Troquei meus reais por rands minutos antes de embarcar na casa de câmbio do terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos. Valeu a pena trocar real por rands ainda no Brasil, cheguei a levar dólares e troquei durante a viagem pela mesma conversão, apenas paguei mais taxas e perdi tempo na fila do banco.

O ideal seria verificar, com antecedência, em outras casas de câmbio no Brasil para economizar na taxa. Cartão de crédito é aceito em todos os lugares e usei o saque direto no débito quando precisei.

O churrasqueiro Alex preparando um Braai delicioso
O churrasqueiro Alex preparando um Braai delicioso

Comida

É tudo muito parecido com o que se come no Brasil com influência britânica do Fish and Chips ou, meu favorito, Calamari and Chips. Basicamente pode ser definida como excesso de fritura, frutos de mar deliciosos e carnes saborosas.

Braai é o churrasco sul-africano semelhante à parrilla uruguaia ou argentina. Avestruz e springbox (tipo de veado) foram minhas carnes preferidas, algumas com toque de queijo gorgonzola ou molho doce. O frango me surpreendeu, sempre bem temperado e sem anabolizantes. Mas a carne mais consumida pelos locais é o biltong, pacotinho vendido como snack em qualquer lugar e de várias marcas. Lembra carne seca ou carne de sol temperada. Provei alguns, uns achei duro e outros até gostei. Mas não lembro o nome.

Os preços das comidas são acessíveis inclusive em restaurantes mais sofisticados. Procuramos variar entre idas a restaurantes, o prato feito do hostel ou preparávamos na cozinha comunitária. Toda vez que ia ao supermercado três itens não faltavam: vinho sul-africano, chocolate Cadbury de Macadâmia e bolacha de gengibre. Alex nos levava nos mercados Woolworths ou Pick n Pay onde encontrávamos tudo.

Suco natural não existe como conhecemos, é sempre de caixinha ou garrafa bem ruim. Quando perguntava eles afirmavam que era 100% natural, então comecei a pedir suco espremido da fruta e nunca tinha.

Maboneng é o bairro mais seguro e descolado de Johanesburgo
Maboneng é o bairro mais seguro e descolado de Johanesburgo

Segurança

É preciso estar atento exatamente igual quando se anda pelo Brasil. Também tem assalto, violência e furto, mas não vi nada. Tem gente pedindo dinheiro, moradores de rua e pivetes andando em bandos. Mesmo em grupo, melhor pegar táxi para evitar ruas escuras e pouco movimentadas, principalmente à noite nas grandes cidades. Andamos a pé, mas perguntando no hostel se era seguro e evitei andar sozinha à noite.

Sinalização sempre inglês em todo país e, às vezes, junto com outro idioma local. No museu do Apartheid
Sinalização sempre inglês em todo país e, às vezes, junto com outro idioma local. No museu do Apartheid

Idioma

A língua mais falada, sinalizações de rua, cardápios e jornais estão em inglês, mas o país tem 11 idiomas oficiais e é comum ouvir locais se comunicando em zulu, africâner e outros. Consegui identificar apenas o xhosa, onde algumas consoantes têm som de um estalo feito com a língua no céu da boca. Passei a viagem toda tentando falar alguma palavra sem sucesso.

Fuso horário

Todo o país está cinco horas na frente do Brasil. Agora com o horário de verão, diminuiu para quatro horas.

Blogueiros na África do Sul
Blogueiros na África do Sul

Quem viaja pela África do Sul

Em geral, os turistas visitam as duas maiores cidades – Johanesburgo e Cape Town – e o Kruger Park, ignorando todo o resto do país que oferece uma diversidade enorme. Muitos alemães e poucos holandeses já descobriram e estão por toda parte até chegar ao litoral, quando europeus diversos marcam presença. Reencontrei algumas vezes viajantes fazendo uma rota parecida com a nossa e via amizades surgindo a cada parada. Mulheres viajando sozinhas, estudantes em carro alugado, casais maduros e famílias com crianças em busca de natureza, esporte e cultura. Todos se hospedando nos mesmos hostels, mas em diferentes estilos de acomodações.

Encontramos apenas sete brasileiros entre Johanesburgo e última parada antes de Cape Town, já na cidade mais cosmopolita da África tem um monte de conterrâneos e gente do mundo todo, principalmente os que vieram estudar.

Começar a viagem por Johanesburgo foi essencial para ir absorvendo a história e cultura local durante a viagem. E terminar em Cape Town foi a cereja do bolo pelas belezas naturais e variedade de atrações.

Loja de fábrica em Jeffrey's Bay
Loja de fábrica em Jeffrey’s Bay

Compras na África do Sul

Este quesito costumo deixar para o final da viagem quando sobra dinheiro, mas não resisti aos preços convidativos logo que cheguei a Jeffreys Bay e vi uma rua cheia de lojas em promoção e a loja de fábrica da Billabong. Vale a pena ir direto para o setor em oferta e boas compras!

O comércio em todo o país abre por volta das 9h e fecha 17h mesmo em locais turísticos. Alguns mercados especiais e shoppings ficam até mais tarde, mas os lugares mais interessantes e baratos não tem conversa, praticamente me mandaram embora na hora de fechar, isso na Billagong.

Além de roupas, artesanato, prata e eletrônicos tem preços atraentes e boa qualidade.

Go Pro custou 500 reais a menos que no Brasil e rendeu videos e fotos de toda a viagem
Go Pro custou 500 reais a menos que no Brasil e rendeu videos e fotos de toda a viagem

Tax Refund em Johanesburgo

Pegue de volta o 14% do valor do imposto gasto nas compras. Lembre de pedir a nota para o tax refund nas lojas, pois a nota simples não vale. Algumas lojas me deram direto, outras pedi, mas sempre me forneceram sem problemas.

Para receber o dinheiro são duas etapas, antes e depois da área de embarque do aeroporto internacional de Johanesburgo:

Perto do check in do terminal A, tem uma placa e um funcionário carimbando as notas fiscais, ele pede para ver o passaporte e as mercadorias. Já tínhamos despachado parte das compras em Cape Town, mas deu certo mostrando, pelo menos, um item de cada nota. Trazia alguns souvenires, vestia roupa comprada e assim todas as notas foram aceitas e carimbadas. Lembre-se de levar um item de cada nota na bagagem de mão se a parada em Johanesburgo for conexão.

Com as notas carimbadas vá para área de embarque, passe pela imigração e caminhe até encontrar uma placa indicando Tax Refund do lado esquerdo. Estava em frente à escada rolante, subi até o segundo andar e logo encontrei.

Com o passaporte e as notas em mãos, peguei uma pequena fila e fui atendida. Depois de avaliar e calcular, o atendente me entregou um cartão Mastercard pré-pago e disse que eu poderia usar durante um ano. Foi prático e rápido.

Acho que lembrei de tudo, se ainda tem dúvidas deixe seu comentário e acompanhe os próximos posts contando todos os detalhes da viagem.

Comece pelo vídeo resumo de toda a viagem – 33 dias em 5 minutos. Vou atualizando os links dos novos artigos nele.

O projeto Blogueiros na África do Sul (#DescubraAfricadoSul) foi uma realização do Travel Concept Solution e apoio da Pangea TrailsSouth African AirwaysDetecta Hotel e incentivo da agência nacional de turismo (South African Tourism), da cidade de Joanesburgo (Joburg Tourism) e também de Cape Town (Cape Town Tourism). A viagem foi patrocinada, mas as opiniões aqui expressas são de livre expressão do autor. Veja também os blogs que participaram da viagem: Dentro de MochilãoTerritóriosViajando com Eles e Viagem Criativa.

Fotos de Roberta Martins e Guilherme Tetamanti.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

6 comentários

  1. Recebi o cartão mas não consigo usar, da cartão inválido, alguém pode me orientar? Consigo ver o saldo? Etc..

    1. Eu usei fora do Brasil sem precisar fazer nada Marcelo. Não tinha como ver o saldo, fui usando e controlando até um atendente dizer que não tinha saldo. Nunca tentei usar no Brasil para ver se funciona também, como é em dólar, imagino só servir para compras na Internet

  2. ola muito bom, irei p.África do Sul ficarei em Cape Town, como e passar pela imigração ? e quantas paradas teve se trocou de avião, e os voos p.la e so de Sao Paulo ou tb tem aqui no RJ ? por favor me tire essas duvidas irei em Janeiro

  3. Nossa, esse post é uma mão na roda! Amei <3
    Muito obrigada pelas dicas!

    1. Oi Angela, bom que gostou! Faz um mês que voltei de lá e vou escrever uns 30 posts. Acompanhe nas próximas semanas!

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