Atravessando a América de Caminhão

Atravessando a América pela Route 66


Foi muito simples começar essa viagem por parte da Route 66 (entenda como tudo começou neste post). Foi apenas telefonar para uma locadora de caminhões de mudança e pronto, em poucos minutos já tínhamos o veículo a nossa disposição. Enviar o material por transportadora comum demoraria muitos dias, pois a carga teria que atravessar os Estados Unidos de leste a oeste. Precisávamos que chegasse tudo em tempo a Las Vegas para podermos montar o stand. Inclusive, o que levaria alguns dias e, nestes casos, não se pode correr riscos. Quanto antes chegarmos, melhor. Saímos imediatamente.

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

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O trajeto de 4.000 km percorrido em quatro dias
O trajeto de 4.000 km percorrido em quatro dias
Rio Mississipi
Rio Mississipi

O único problema foi que eu não tenho habilitação para caminhões, então não pude dirigir, mas fiquei de copiloto para meu colega americano que aceitou a pequena tarefa: fazer 4.000 km em quatro noites.

Roteiro Rota 40 (route 66)

A viagem começou pela Carolina do Norte, um estado verde, com montanhas leves e estradas cheias de curvas. Depois entramos no Tennessee. Aos poucos, o relevo foi ficando plano e acabamos atravessando o Rio Mississipi, que é lindo. Passamos por Arkansas, que se nota como um estado mais pobre, para padrões americanos, e passamos a noite em Oklahoma City.

O Estádio Pirâmide em Memphis
O Estádio Pirâmide em Memphis
Tepee Time!
Tepee Time!

Estávamos a trabalho, por isso não havia tempo para fazer turismo. A melhor parte foi apreciar as paisagens e os restaurantes ótimos que fomos parando para almoçar e jantar. Comi de tudo, principalmente bifes gigantescos e montanhas de comida americana-mexicana.

Route 66

Percorremos principalmente a Route 40 que, em diversos trechos coincidia com a famosa Route 66. Esta rodovia começava em Chicago e terminava em Los Angeles e foi a rota principal da imigração do nordeste americano rumo às minas de ouro da Califórnia. Ela já não existe mais, mas boa parte da 40 compreende antigos trechos da 66 e há sinalização informando sobre isso.

Em algum lugar do Novo México
Em algum lugar do Novo México
Parada para o xixi no meio do nada
Parada para o xixi no meio do nada

O caminho percorrido é um pouco monótono na parte central do país devido ao relevo plano. Foram uns 2.000 km de retas que não terminavam nunca até passar o estado do Texas. Chegando ao New Mexico e ao Arizona, a coisa muda bastante. É quando começam os canyons e os desertos. As paisagens são incríveis, uma das mais bonitas que já vi. Paramos em um posto dos índios bem legal, onde pude tirar algumas fotos, presenciar um pouco da cultura indígena americana, ver uma de suastee-peess, que são as ocas de lá, e escalar um mini cânion.

Trading Post são paradores
Trading Post são paradores

Uma curiosidade é que por toda a estrada, nesta região árida, além de avisos dizendo para se proteger dos ventos fortes que podem derrubar os caminhões, há também avisos sobre como se proteger das flash floods, que são as inundações repentinas que ocorrem do nada e sem orientação alguma. A água vem de todos os lados. Vou explicar: a região é montanhosa e, durante o inverno, acumula-se muita neve nas partes altas. Quando a temperatura começa a esquentar, na primavera, a água vai derretendo e, algumas vezes, não desce pelos rios, vai acumulando em regiões altas, até que chega um momento que alguma barreira arrebenta e a água desce com força total e sem curso algum, inundando tudo em pleno deserto. Deve ser incrível de ver, mas dizem que é bem perigoso porque a água desce com força e arrastando tudo para qualquer lugar, sem rumo algum.

Alô, tem alguém aí?
Alô, tem alguém aí?

Fomos parando em hotéis na beira da estrada e o café da manhã sempre tinha muffins, que eu adoro. Correu tudo bem. A parte triste foi que não passei pela Hoover Dam para entrar em Las Vegas. Tivemos que fazer um contorno passando pela Califórnia. Por uma questão de segurança contra o terrorismo, os caminhões estão proibidos de passar por cima desta famosa represa, por medo de que estejam transportando explosivos para fazer um ataque terrorista.

Fica para a próxima. Aliás, fui três vezes a Las Vegas e nunca visitei as atrações turísticas imperdíveis da região: o Grand Canyon e o Hoover Dam. Sempre fiquei enfurnado nos pavilhões de feira gigantescos típicos de lá, mas isso fica para outra matéria…

Chegando a Las Vegas
Chegando a Las Vegas
Tepees na Route 66
Tepees na Route 66

Tome Nota: estradas americanas

As estradas americanas são super simples de entender. As que têm número par são as que cortam o pais na horizontal e as que têm número ímpar são as que cortam o país de norte a sul, na vertical. A numeração vai de sul para norte, então a 40 tá quase na metade do país, mais para o sul.

Além disso, o país conta com rodovias limpas, equipadas com áreas para descanso, as rest areas, túneis para passagem de animais para minimizar o impacto ambiental e postos de informação turística perfeitos na chegada de cada estado.

Outro fato interessante é que os caminhoneiros se comunicam por rádios walkie-talkie, que eles chamam de CBs. É só comprar um e sintonizar na frequência das conversas. É muito engraçado porque anônimos ficam contando piadas e fazendo brincadeiras, além de avisar sobre tudo que está ocorrendo na estrada. Dessa forma, viajar pelos Estados Unidos é muito fácil, organizado e seguro. É uma belíssima experiência aliada a uma natureza e paisagens incríveis.

Veja mais fotos da Route 66:

Route 66 de caminhão Route 66 de caminhão Route 66 de caminhão
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© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Augustin Tomas o'Brien Caceres

Augustin Tomas o'Brien Caceres

Criado em uma família onde se falava espanhol, português, portunhol, italiolo e algo de inglês. Sempre se interessou por outros idiomas e hoje mora nos Estados Unidos e trabalha com comércio internacional na LE Group Industries.

7 comentários

  1. Obrigado a todos pelos elogios!

    Diego: as estradas americanas são muito seguras. Nessa viagem mesmo, foram 4.000km sem ver sequer um acidente. O que ocorre, de vez em quando, é que as pessoas se distraem usando celular ou alguém muda de faixa e, como o americano dirige igual um robo, nao tem reflexo ou agilidade apurados e acaba colidindo, mas são batidas em bobas geralmente.

    Dos Estados ‘americanos’ mais legais para se conhecer, eu diria os que estão próximos as Rocky Mountains, na regiao oeste do país. Tirando a Flórida e a Califórnia, os Estados Unidos inteiros sao ‘americanos’, só que boa parte do país é uma planície, entao nao é tao interessante de se conhecer. Já esses estados montanhosos são lindos. Nesta viagem, em especial, os mais legais foram New Mexico, Arizona e Nevada.

  2. A lendaria Route 66, já foi tema de varias canções que eu adoro, haha
    adoraria fazer essa viagem

  3. Cara…
    Parabéns! Pelo post e pela viagem! Deve ter sido MUITO bom. Cansativo, mas muito proveitoso, acredito.

    Também tenho vontade de fazer isso, mas turisticamente.

    Adorei o site.

  4. Como eu tenho vontade de fazer esse percursso mesmo sendo a trabalho! Qndo fizer essa viagem “turisticamente” faça o review novamente… Belo post!

  5. Cara, vc realizou um sonho que tenho a tempos, que é viajar pelos estados americanos conhecedo toda sua cultura…. espero fazer isso ! me diga, existe alto nível de acidente nas estradas? Qual estado é o mais interessante para se visitar em termos de ” americanismo” um estado digamos que tradicional…
    conto com sua resposta no email

    Obrigado

  6. Legal esse blog! Já está nos meus Favoritos!

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