Monte Sinai é Terra Santa. Fica no Egito e no Oriente Médio

Trilha para ver o sol nascer no Monte Sinai

Além de todo significado religioso por ser parte da Terra Santa, subir o Monte Sinai é uma aventura para quem gosta de trilha, estrelas e montanhas. Fiz a caminhada na madrugada para ver o sol nascer no topo e conto como foi e o que mais ver por lá.

Sharm El Sheik era destino praia inicial do roteiro pelo Egito, então perguntei para Hórus Viagens (agência no Brasil que cuidou de toda a minha viagem sozinha pelo Egito) o que teria de aventura para fazer na região. Monte Sinai foi  praticamente a única resposta e eu abri um sorriso na hora só pela ideia da montanha. Depois me dei conta da importância da passagem de Moisés para as três religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo.

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O Monte Sinai
O Monte Sinai

O Monte Sinai ou Horebe ou Montanha de Moisés

Monte Sinai foi o suposto local onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos em tábuas de pedra diretamente das mãos de Deus. O profeta Moisés teve a missão de guiar seu povo, através do deserto e do Mar Vermelho, até a Terra Prometida para fugir da escravidão no Egito. Isto em uma época violenta, sem leis ou referências espirituais.

Trilha pelas pedras soltas e escadaria
Trilha pelas pedras soltas e escadaria milenar

Trilha no Monte Sinai

A trilha até os 2.285 metros de altura do Monte Sinai pode ser feita a qualquer hora do dia, mas o calor e a oportunidade de estar no alto para ver o sol nascer entre as montanhas, faz a madrugada ser o horário mais indicado. Não é difícil e já começa com uma boa altitude, mesmo assim, é recomendado preparo físico e bastante atenção pela falta de luz. São 6 quilômetros de subida leve, mais 750 degraus irregulares e muitas pedras soltas.

Me buscaram no hotel em Sharm El Sheik às 9 horas da noite para 211 km de estrada até a vila antes do Monastério de Santa Catarina, local de início da trilha. Foram duas paradas para comer e visitar a loja de souvenir religioso, além de algumas nos postos de controle militar para mostrar documentos e explicar o que eu estava fazendo ali. Isto porque o território é desejado por outras nações e pode ser alvo de ataques terroristas. Em função disso, somente 1h30 da manhã encontrei o guia Gamal, um beduíno local, que me acompanhou durante todo o caminho.

Gamal, o guia beduíno
Gamal, o guia beduíno

Como foi a subida até o topo do Monte Sinai

Poncho para vender e roupas recomendadas se fizer frio
Poncho para vender e roupas recomendadas se fizer frio

Fazia muito mais frio do que eu esperava e vendedores insistiam em me oferecer ponchos de lã. Eu usava manga comprida embaixo do corta-vento e imaginei que iria esquentar o corpo durante a caminhada. Assim foi, pelo menos até chegar ao topo. Segui encantada com as estrelas no céu e o contorno das montanhas no início porque ainda havia a luz da vila. Depois vira escuridão até o amanhecer, mas desligar a lanterna nos trechos mais fáceis faz o olhar se adaptar e traz sensações interessantes. O caminho é subida sem trechos íngremes até alcançar as escadas. Passa pelo monastério, contorna uma montanha e então chega ao Monte Sinai.

Para facilitar a vida dos viajantes e ganhar dinheiro com isso, beduínos criaram cafeterias onde vendem chocolates, salgados, servem chá e oferecem local de descanso protegido do vento. Quem for rápido para chegar ao pico, tem espaço para dormir na última e te acordam quando chega perto da hora do sol nascer. Também tem camelos para quem não se anima a caminhar os seis quilômetros de noite, mas nas escadarias não tem jeito. Deve subir a pé.

Uma das cafeterias dos beduínos
Uma das cafeterias dos beduínos

Nesta etapa final, tomei mais um chá com calma e não resisti a oferta de cobertor para alugar, afinal era preciso esperar cerca de meia hora para o nascer do sol e o vento estava congelante.

A espera pelo sol
A espera pelo sol

A espera do nascer do sol

No pico encontra-se a Capela da Santíssima Trindade, de 1934 e atualmente abandonada, construída em cima das ruínas de uma igreja do século 16. Os muros dela ajudam a se proteger do vento ou servem de banco para esperar o espetáculo. A maioria dos turistas fica observando dos muros, mas o meu guia Gamal recomendou descer em uma pedra chapada em frente ao Monte Catarina. Havia menos gente e fica bem em frente ao sol.

Capela
Capela da Santíssima Trindade

A paisagem é muito linda, principalmente pela mudança das cores conforme o sol vai surgindo. As montanhas vão do cinza ao dourado e o céu exibe todas as tradicionais cores do amanhecer. Ao lado, uma montanha se destaca por ser a mais alta do Egito com 2.629 metros. O Monte Catarina só é visto do topo por ficar atrás do Monte Sinai.

Monte Catarina
Monte Catarina

A descida é muito mais fácil e bonita. Na ida apreciamos as estrelas e na volta o formato das rochas a perder de vista. Parecem duas trilhas completamente diferentes e o guia vai mostrando construções e contando histórias. Existe ainda outra opção um pouco mais curta e difícil chamada Caminho de Moisés. Nela é preciso passar pela Escada dos 3 mil degraus (3.749 para ser exata). Um trecho que liga o Monastério de Santa Catarina ao topo que é recomendada na descida. Na hora o guia perguntou qual eu preferia e sentindo muito sono, pedi a mais fácil. Agora fiquei curiosa porque disseram ter ruínas, o jeito é voltar e fazer este caminho na próxima vez.

Onde fica o Monte Sinai

Monte Sinai esta localizado na Península de Sinai, no Egito, entre os golfos de Suez e Aqba. Embora o país seja no continente africano, esta parte pertence ao Oriente Médio, ou seja, é considerado continente asiático.

O Mosteiro de Santa Catarina visto na descida
O Mosteiro de Santa Catarina visto na descida

Monastério de Santa Catarina

O monastério só abre perto 9 horas da manhã, portanto, pode descer bem devagar e até escolher caminhos opcionais. Dá tempo até de tirar um cochilo e tomar café. Eu tinha pedido um café para viagem para o hotel em Sharm El Sheik e comi caindo de sono. Neste momento o guia beduíno me deixou em um banco e foi buscar o guia Mohamed. Quem veio comigo na van desde o hotel. Este fala em espanhol e me acompanha na visita ao interior do mosteiro.

O Monastério de Santa Catarina é Ortodoxo Cristão, o mais antigo ainda em funcionamento conforme seu conceito original. Construído, por volta do ano 530, por ordem do imperador bizantino Justiniano I ao redor de uma capela que abriga a sarça ardente (citada na história de Moisés). A árvore que ainda hoje esta ali é supostamente a original. A capela tem o nome de “Capela de Santa Helena”, nome da mãe do imperador que a construiu anos antes. Uma curiosidade é a mesquita construída dentro do mosteiro para agradar a religião predominante no país. Porém, jamais utilizada por não estar corretamente orientada na direção de Meca.

Fonte: Wikipedia

O mosteiro abriga a segunda maior coleção de pinturas em pergaminhos do mundo, a maior está no Vaticano. As principais obras originais estão dentro da igreja, o local mais concorrido. É interessante, mas conforme o cansaço vale fazer uma visita rápida e sair até 9 horas. A região é controlada por militares e tem horários para entrar e sair. Pela manhã ou sai às 9 ou somente às 11 horas. Então pode escolher visitar com bastante calma ou fazer como eu fiz. Pedi para o guia me levar nos pontos mais importantes sem grandes explicações até porque meu cérebro não estava absorvendo muito informação depois de passar a noite em claro fazendo trilha.

Torre da igreja e a mesquita
Torre da igreja e a mesquita
A suposta sarça ardente
A suposta sarça ardente

Tome Nota Monte Sinai e Monastério de Santa Catarina

Mesmo que a previsão do tempo seja calor, pode fazer muito frio. Leve corta vento, calça comprida e fleece. No caminho o corpo aquece, o problema é aguentar o vento congelante para esperar o sol no topo da montanha. Na última parada alugam cobertores, mas são pesados e ruim de carregar. Até perigoso tropeçar nele. A volta pode ser bem quente, mas não pode entrar no monastério com ombros e pernas de fora.

Geralmente o guia oferece lanterna, mas é bom levar a sua por precaução. Dê preferência aquelas de cabeça.

Gorjetas, isto é chato no Egito. Falam um preço e sempre pode ser mais porque todos que te prestam algum serviço, praticamente te colocam na obrigação de dar dinheiro. É bom se planejar e levar um valor a mais para as gorjetas, os chás (se estiver frio, vai querer tomar um em cada parada), o camelo, o casaco se tiver levado pouca roupa e o cobertor se esfriar de verdade. Estava cerca de 10 graus no topo com vento.

O hotel ao lado do monastério
O hotel ao lado do monastério

Tem hotel e vila dos beduínos bem próximo, caso prefira dormir com mais conforto ali e começar a caminhada mais tarde. O limite para chegar a tempo de ver o sol é às 2h30. Eu aguentei bem, mas no outro dia estava acabada por não ter dormido de noite.

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©Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Veja mais fotos do Monte Sinai:

O sol e as montanhas vistos do Monte Sinai
O sol e as montanhas vistos do Monte Sinai

Entrada da vila dos beduínos para o Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai Monte Sinai

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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