Berlim x Paris

So close, so far away (Berlim x Paris)


Sair da ensolarada e romântica França, no final da primavera, e chegar a uma Alemanha chuvosa e gelada foi choque, desde o começo. Impressionante como dois países tão próximos podem ser assim, opostos.

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

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Primavera em Paris, luminosidade
Primavera em Paris, luminosidade
Primavera em Berlim, frio e chuva
Primavera em Berlim, frio e chuva

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Berlim x Paris

No que Paris encanta,  Berlim assusta. A primeira é composta pelas ruelas coloridas, a arquitetura romântica, os cantinhos seculares, a luminosidade que a apelida. Berlim é cimento, asfalto, cinza, imensidão, as disparidades dos prédios novos reconstruídos em cima do que sobrou, o peso da dura arquitetura pós-guerra.

Ruínas do Muro pela capital
Ruínas do Muro pela capital

 

Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, bombardeada em 1943
Kaiser-Wilhelm-Gedächtniskirche, bombardeada em 1943

E o que dizer da diferença entre os habitantes das duas capitais? Da Paris multiétnica, bela, mágica, dos confrontos de culturas, dos parisienses descendentes de árabes, africanos e orientais que desprezam a nacionalidade francesa; dos parisienses franceses, típicos, antipáticos, cerimoniosos e impacientes. Os olhares que se evitam, dificilmente se cruzam. “Ville de merde, Paris de merde”, bradava contra os turistas uma típica garota parisiense que cruzei logo que cheguei à capital francesa. Contraditoriamente, a Cidade Luz continua sendo a capital europeia mais visitada. Ninguém contesta.

Brandenburger Tor
Brandenburger Tor

 

Fazendo amigos: Marx e Engels
Fazendo amigos: Marx e Engels

 

Memorial do Holocausto
Memorial do Holocausto

Em Berlim, todos são berlinenses; é difícil diferenciar turistas ou estrangeiros dos habitantes. Eles são reservados, mas de sorriso fácil. Serenos, discretos, mas de fácil comunicação. Se eu não fosse brasileira, arriscaria até classificá-los como simpáticos. Mas eles são… berlinenses. De comportamento educado e doces atitudes que aliviam o clima da cidade, dos olhos claros que procuram refúgio nos nossos olhos, dos punks que nos interpelam sorrindo, da necessidade de superar as feridas ainda não cicatrizadas, de olhar por cima das ruínas que não os deixam esquecer do passado.

De todas as diferenças e possíveis perspectivas, eu dividiria Paris em celebração, e Berlim em consciência.

Paris inspira: a arte clássica e onipresente, os museus imensos, os jardins frondosos, a história vitoriosa – a beleza permanente. Berlim, expira: a arte crua dos restos da guerra, os museus e monumentos aos judeus, a história interrompida e inacabada – uma cidade ainda em construção.

Há semelhança entre as duas? Divisões étnicas ou geográficas, elas ainda se repartem, na tentativa do equilíbrio de duas (ou várias) instáveis dimensões. Que o diga os desacordos culturais e confrontos incessáveis dos banlieues da capital francesa. Que o diga as marcas de um muro que retalham toda a cidade e uma nação.

Reichstag, sede do parlamento alemão
Reichstag, sede do parlamento alemão

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Daniella Franco

Daniella Franco

Jornalista, mestre em Ciências da Informação e Comunicação e mochileira. Há onze anos veio estudar e morar na França e desde então seus horizontes tem aumentado cada vez mais. Viajante um tanto atrapalhada, costuma chegar aos destinos sem qualquer roteiro, esquece em casa os endereços dos hotéis onde deve se hospedar, deixa os joelhos nas trilhas, desce as montanhas rolando, leva os piores torrões nas praias e pegou pneumonia fazendo ski. Mas o importante é que sempre volta das viagens com boas historias pra contar. De hotel de luxo a camping, do sofá-cama dos amigos aos albergues da juventude, Daniella descobriu que viajar também é uma arte.

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