Rota Caminho Farroupilha

Rota Caminho Farroupilha, o roteiro de 11 dias


Em pleno Dia do Gaúcho (20/09), trago o roteiro de 11 dias pelo interior do Rio Grande do Sul para finalizar a série de artigos sobre a Rota Caminho Farroupilha. Em julho de 2016 percorri, com amigos, mais de 2 mil quilômetros das estradas gaúchas em busca das origens e novos atrativos.

Leia todos os artigos sobre o Rio Grande do Sul

AGILIZE SUA VIAGEM
Veja opções de excursões, ingressos e transfer na Serra Gaúcha

Rota Caminho Farroupilha, o roteiro de 11 dias

Guia RS Rota Farroupilha

A viagem foi melhor que o imaginado e cheia de boas recordações registradas em fotos, vídeo e textos publicados por aqui no último ano. Mas quem prefere ter todo o conteúdo atualizado e organizado em um só lugar, a dica é aproveitar que acabamos de lançar o Guia RS Rota Farroupilha. Uma publicação digital, escrita por 10 mãos. Como contempla os mesmos destinos em diferentes viagens, está super completa.

Veja abaixo o dia-a-dia e clique nos links para saber mais detalhes de cada passeio ou município. Deixei comentários avisando se vale a pena ficar mais tempo em cada lugar e ainda tem o mapa com dicas de hotéis e melhores rodovias no final.

Dia-a-dia da Rota Caminho Farroupilha

Dia 1 – Porto Alegre, Guaíba, Camaquã e São Lourenço do Sul (Costa Doce)

Com Dona Íris Leão na Casa Gomes Jardim
Com Dona Íris Leão na Casa Gomes Jardim

A capital foi apenas o ponto de partida, pois Porto Alegre merece vários dias e tínhamos 17 cidades pra visitar em apenas 11. Embarcamos no catamarã para Guaíba (na verdade, eu perdi e fui de carro, mas as gurias chegaram rapidinho pelo Lago Guaíba) e lá pegamos a Jardineira para percorrer os pontos turísticas com parada no Sitio Histórico Casa Gomes Jardim. Local onde a revolução foi planejada e de onde partiu a primeira batalha que tomou Porto Alegre. Tudo pela manhã, finalizado com almoço com vista no Caisinho. Embora, o passeio poderia ter se estendido com caminhada pela orla e visita ao comércio e cafés durante a tarde.

Camaquã foi a próxima com destaque para os prédios ao redor da praça como o Cinema Coliseu. A cidade foi estratégica para a revolução por todos ali serem contra os Imperialistas e protegerem os Farrapos. O museu dentro do Forte Zeca Netto tem elementos desta história, mas o que pareceu mais interessante são as casas históricas. Elas ficam distantes nas fazendas que pertenceram aos heróis e heroínas da época. Pra finalizar, uma tentativa de pôr do sol na Barragem Arroio Duro, local de lazer dos moradores que lota nos dias mais quentes.

São Lourenço do Sul foi o local de descanso no Hotel das Figueiras e parada pra jantar no Tropicali’s. Escolha super acertada para acordar cedinho e começar a aproveitar a Laguna dos Patos.

Dia 2 – São Lourenço do Sul e Rio Grande

As quatro blogueiras na suposta casa das 7 mulheres
As quatro blogueiras na suposta casa das 7 mulheres

O clima chuvoso atrapalhou o nosso passeio de catamarã e caminhada pela praia. Então sobrou tempo para conhecer com calma o trabalho artesanal do Bichos do Mar de Dentro e a visita guiada na Fazenda do Sobrado. Local onde Manoela (sobrinha de Bento Gonçalves) teria escrito o seu diário que supostamente inspirou o livro que deu origem a minissérie “A Casa das Sete Mulheres”. Mas nem todos os historiadores concordam, portanto, é bom buscar mais fontes de informação. No verão, São Lourenço pede mais dias e certamente tem opções para um bom fim de semana a qualquer época do ano.

Partimos para Rio Grande e São Pedro também não colaborou nos planos para a tarde. Fizemos um city tour guiado de dentro do carro com Minéia Turismo, o ideal seria caminhando pelo Centro Histórico da cidade mais antiga do Estado. Rio Grande abriga museus interessantes e a “Maior Praia do Mundo”, segundo o Guiness Book. A praia do Cassino lota no verão e oferece uma série de atrações para passar uma temporada. A noite nos deliciamos no Europa Gastrobar e dormimos no Lira Apart Hotel.

Dia 3 – Rio Grande, São José do Norte e Pelotas

Pegamos a balsa rumo à cidade histórica e preservada São José do Norte seguindo o roteiro organizado pela Laguna Sul Turismo. Lá visitamos as praias, passamos na frente de casas bicentenárias e nos deliciamos nos frutos do mar do Restaurante Brisamar. A cidade viveu a batalha mais sangrenta da Revolução onde os Imperialistas venceram porque os Farrapos desistiram de continuar devido ao grande número de mortes em ambos os lados. A volta para Rio Grande no inverno tem o espetáculo do pôr do sol para quem pega a balsa das 17h30.

Chegamos a Pelotas a tempo de jantar um xis e escolher o hotel entre várias opções. A cidade é a mais preparada para receber o turista de todo este roteiro e pede, no mínimo, dois dias. Nos dividimos entre o Hotel Curi e o Curi Palace.

Dia 4 – Pelotas

Em Pelotas não pode faltar charqueadas, doces, centro histórico e doces de novo, exatamente nesta ordem. Começamos com uma caminhada nos arredores da Praça Cel. Pedro Osório, onde pegamos o Expresso Quindim até a Charqueada São João. Lá uma visita guiada nos leva ao passado e um passeio de barco mostra outra perspectiva das charqueadas da região. A Charqueada São João foi um dos locais de filmagem de “O Tempo e o Vento” e “A Casa das Sete Mulheres”.

Visita a fábrica de doces Imperatriz
Visita a fábrica de doces Imperatriz

Depois teve almoço no Bistrô Pelotense, visita à fábrica de doces Imperatriz e a confeitaria da marca dentro do agradável Mercado Central de Pelotas. Local também para comprar artesanato e produtos típicos. A parrillada escolhida para o jantar fechou, mas a oferta de carnes e frutos do mar é extensa e de excelente qualidade.

Dia 5 – Pelotas, Piratini, Pinheiro Machado, Candiota e Bagé (Campanha)

Antes de partir para o Pampa, paramos na Agropecuária Sallaberry, em Pelotas, para comprar roupas e acessórios de gaúcho e encontramos até brinquedos da Revolução Farroupilha.

Agropecuária Sallaberry
Agropecuária Sallaberry

A primeira parada na Campanha foi na graciosa e histórica Piratini, a primeira capital da República Rio-grandense. Por lá, fizemos o city tour temático e a rota “Linha Farroupilha” percorrendo 22 pontos históricos identificados com emblemas no chão e fachadas. Quem dispõe de mais tempo, pode conhecer o artesanato feito com lã de ovelha.

No início da tarde chegamos a terra das ovelhas que aos poucos vem se transformando em terra dos olivais. Pinheiro Machado tem poucos atrativos pra quem chega sem agendar nada ou fora dos tradicionais eventos como a Feovelha e o Rodeio Internacional. Nos restou caminhar pela praça principal pra ver a igreja e arquitetura das casas antigas ao redor. Com agendamento prévio, pode visitar a Estância Velha Guarda onde é produzido o Azeite Batalha.

Seguindo pela BR-293 nota-se a mudança na paisagem com o crescimento das vinícolas na região de Candiota. Não entramos na cidade, mas paramos na Vinícola Batalha para uma visita e comprar Vinhos da Campanha. Está situada nos campos onde ocorreu a Batalha do Seival, um dos confrontos mais importantes que resultou na proclamação da República Rio-Grandense.

E no fim do dia chegamos a Bagé. Município que merece mais de um dia por seus atrativos e ótimas opções em hotéis e restaurantes. Jantamos no Restaurante Quitanda e dormimos nos quartos temáticos do Hotel Fenícia. A minha suíte foi decorada pela Vinícola Dunamis.

Quem dispõe de apenas 4 dias, pode fazer a Rota Pampa Gaúcho

Dia 6 – Bagé

Teve city tour histórico, arquitetônico e arte cemiterial com os receptivos Tchê Fronteira e a Baye Turismo. A cidade é repleta de casas antigas espalhadas pelo território e distritos próximos. Fomos até Santa Teresa e o Parque do Gaúcho. Entre uma parada e outra, nossas refeições foram na Galeteria Mário e Casa do Pão.

Dia 7 – Bagé e Dom Pedrito

Degustação na Guatambu
Degustação na Guatambu

Chegamos a Dom Pedrito para repetir coisas boas e descobrir a história da cidade com quem sabe. Depois do almoço buffet no Cumbuca, fizemos uma caminhada com o senhor Adilson pelas construções antigas e o museu Paulo Firpo. Após teve tour com degustação na Vinícola Guatambu e outro jantar delicioso no mesmo Cumbuca. A hospedagem foi no Hotel Alexandre, onde já me hospedei mais de uma vez.

Dia 8 – Dom Pedrito, Santana do Livramento e Rivera (Fronteira-Oeste)

Nascer do sol na estrada
Nascer do sol na estrada

Madrugamos para pegar o sol nascendo na estrada rumo a Santana do Livramento e Rivera. A cidade uruguaia fica além da rota, mas é impossível deixar de fora com tantas opções de compras e bons restaurantes distantes somente um passo do Brasil. Entre um país e outro, visitamos a Bodegas Carrau, passamos nos marcos que dividem os dois países, almoçamos na Galpón Parrillada, fomos às compras e jantamos no Rivera Cassino e Resort. Este último é o hotel recomendado, mas optamos pela fazenda de um amigo em Rivera.

O principal passeio em Santana do Livramento foi o tour da Ferradura dos Vinhedos parando em vinícolas e outras atrações ao redor do Cerro Palomas. Com direito a café colonial em um piquete.

Na Vitivinícola Cordilheira de Santana
Na Vitivinícola Cordilheira de Santana

Dia 9 – Rivera e Alegrete

Mais um pouco de compras e degustação de queijos e vinhos no free-shop Le Carroussel. Antes de pegar a estrada rumo a Alegrete, nos deliciamos com carnes e frutos do mar no almoço do La Perdiz, em Rivera. Afinal alcançamos o trecho de estrada mais longo e afastado do nosso roteiro.

Alegrete foi a terceira capital Farroupilha e compreendia uma área enorme alcançando as fronteiras com Uruguai e Argentina. Hoje pede parada pra conhecer as obras do artista Chapéu Preto junto com cultura e história gaúcha.
Visitamos os museus Oswaldo Aranha e do Gaúcho, apreciamos as casas ao redor da praça principal e jantamos um senhor pastel de carne de ovelha na Pastelaria Primeira Opção. A hospedagem foi no Hotel Alegrete.

Dia 10 – Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel e Caçapava do Sul

Partimos cedo ao som do “Canto Alegretense” pela BR-290 rumo a Rosário do Sul. Apesar de ter sido palco de encontros sangrentos durante a revolução, Rosário não exibe atrativos que resgatem a memória daquele tempo. Então buscamos o atual e encontramos uma maravilhosa surpresa, a charmosa Vinícola Routhier & Darricarrère, de origem franco uruguaia, produzindo excelentes vinhos na Região da Campanha. Rosário pede mais tempo durante o verão por ter a Praia das Areias Brancas, muito visitada pelos vizinhos argentinos.

Degustação na Routhier & Darricarrère
Degustação na Routhier & Darricarrère

Antes do nosso destino final, uma passada rápida pela “Terra dos Marechais”. São Gabriel surpreendeu pelo bom estado das casas bicentenárias preservadas por famílias locais. Principalmente ao redor da praça principal. Com mais tempo, é possível visitar os museus militar e histórico em uma tarde.

Caçapava do Sul, a segunda capital Farroupilha, foi decepcionante por não cuidar do seu rico patrimônio histórico. Por outro lado, o Café Caminito e o restaurante Urbanus deixaram ótimas impressões no lado gastronômico. E claro, o pôr do sol no pampa deu um show visto das ruínas da Fortaleza. No inverno as opções de hospedagem deixam a desejar pela falta de calefação, por isso, optamos mais uma vez pela casa de amigos.

Dia 11 – Caçapava do Sul e Porto Alegre

O mais surpreendente de Caçapava está nos arredores atraindo aventureiros e produções cinematográficas para as Guaritas, Pedra do Segredo e Minas do Camaquã. A última já foi uma mina de cobre próspera, cidade fantasma e hoje é destino de ecoturismo famoso entre montanhistas. A empresa Minas Outdoor Sports é quem opera as atividades no local, mas não abre todos os dias. Nós precisamos agendar e visitamos apenas uma parte por ser quarta-feira.

Alexandra, eu e Gardênia no poço azul das Minas do Camaquã
Alexandra, eu e Gardênia no poço azul das Minas do Camaquã

Então pegamos a estrada de volta para Porto Alegre, mas antes paramos na Vila Progresso para degustar os Azeites Prosperato e comprar artesanato em lã de ovelha.

Tome Nota Rota Caminho Farroupilha

Costa Doce: onde se localizam as cidades banhadas pela Lagoa dos Patos sejam diretamente ou ligadas por afluentes, sendo que muitas delas fizeram parte das andanças dos Farrapos.

Pampa: Bioma que abrange mais da metade do Rio Grande do Sul.

Campanha: Região Sul do Estado que faz fronteira com Uruguai e esta totalmente inserida no Bioma Pampa.

Fronteira-Oeste: Região Oeste do Estado que faz fronteira com Uruguai e Argentina e se confunde com a Campanha por ter o mesmo Bioma Pampa.

Guia RS pra levar na viagem e ler em qualquer aparelho

Esta cidade é um dos destinos da Rota Farroupilha. Se prefere ter todo o conteúdo sobre este itinerário para consultar durante a viagem e ainda ter sugestão de roteiros com mapa interativo detalhado, adquira o guia Guia RS Rota Farroupilha >>

A viagem #RotaFarroupilha é um projeto do Territórios em parceria com As Peripécias de uma FlorCafé ViagemMochilinha Gaúcha e participações especiais de Andarilhos do Mundo e da jornalista Criz Azevedo. O roteiro teve o apoio de empresas regionais como BC&M Advogados e Agropecuária Sallaberry, além do suporte do Sebrae Costa Doce e de algumas secretarias de turismo. A ideia surgiu ao saber da Rota Caminho Farroupilha elaborada pelo Sebrae RS. É oferecida como pacote turístico pela Tchê Fronteira Turismo.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

WhatsApp chat