a Roma

Quem tem pernas, vai a Roma


Não, você não leu errado. Diferente do que diz o famoso ditado, para ir a Roma é necessário, antes de boca, ter pernas preparadas para longas caminhadas. Paris, por exemplo, tem vários de seus pontos turísticos associados a paradas de metrô – o que não acontece em Roma, que tem apenas três linhas de metrô (A, B e a C, que está em construção). Só em termos de comparação, Paris tem 16 linhas de metrô.

Coliseu
Coliseu

Quem tem pernas, vai a Roma

Claro, o transporte romano não se limita ao metrô e também conta com várias linhas de ônibus. Mas para quem está na cidade à turismo, o melhor é encarar as longas caminhadas e aproveitar o máximo a paisagem. Até porque, muitos pontos turísticos e atrações se encontram próximos uns dos outros e vários deles estão acumulados no centro da capital italiana. Sem falar que, são inúmeras as surpresas ao nos perdermos pelas ruelas: jardins e esculturas escondidos, janelas e paredes floridas em um beco sem saída, pracinhas e fontes que você jamais encontraria no mapa e que estão fora do circuito turístico. Assim, as panturrilhas são, sem dúvida, o melhor meio de transporte na capital italiana.

Primavera em Roma
Primavera em Roma
Igreja Trinita dei Monti
Igreja Trinita dei Monti

A escolha de passar uma semana de férias em Roma veio depois de um rigoroso inverno na França, onde eu moro, seguido de uma longa primavera de baixas temperaturas e muita chuva em Paris. Olhando a desanimadora previsão do tempo durante o último mês de maio na Europa, no desespero por alguns dias de alguns raios sol, Roma era onde o sol pretendia aparecer. Famosa pelas temperaturas generosas, lá fomos nós motivados pela promessa de 20 graus – um luxo, para os parisienses.

E a capital italiana não deixou a desejar, não só por conta dos dias ensolarados, mas também pela beleza da arquitetura local, a avalanche de história em cada cantinho da cidade, os inúmeros programas culturais, sem falar no povo simpático, comida e bebida boa e barata.

Beleza por todos os lados
Beleza por todos os lados

E… de quem tem paciência também. De todos os mitos e verdades que li sobre a capital italiana, confirmo que Roma é, sim, um apinhado de turistas de todos os tipos, formas, tamanhos, idades, nacionalidades, (preencha aqui qualquer outro critério): mochileiros em grupos, mochileiros sozinhos, casais em lua de mel, casais apaixonados, casais brigando, casais terminando, famílias com (muitas) crianças, excursões de escolas, excursões de religiosos, grupos de viagens de primeira, segunda, terceira idade, grupo de amigos, grupo de inimigos… enfim, tem de tudo. De. Todo. O. Canto. Do. Mundo.

De um lado, a Fontana di Trevi...
De um lado, a Fontana di Trevi…
...de outro, um milhão de turistas
…de outro, um milhão de turistas
Jovens romanos
Jovens romanos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Então não esqueça de levar 47 doses extras de paciência (que não me ajuda, aliás, a sempre correr das multidões) para enfrentar longas filas, muita espera, e zilhões de milhões de turistas (muitos deles sem nenhum respeito e nenhuma noção de qualquer forma de educação). E para aguentar muito barulho. Não só do trânsito romano, mas do acumulado de pessoas nos locais mais célebres. Chegamos à Fontana de Trevi só seguindo vozes que não vinham do além, mas das potentes gargantas dos visitantes que ecoavam metros antes da fonte. Lamento dizer, mas isso é tudo verdade.

O que não é verdade é que os romanos são antipáticos. Palavra de quem enfrenta o mau-humor parisiense todos os dias. Em Roma, em todos os lugares pelos quais passamos, fomos sempre bem tratados, com muito mais do que educação, mas simpatia. E olhem que, além de por favor e obrigada, meu conhecimento em italiano se limita a straciatella e bischiere di rosso/bianco.

E eu nem tive muita chance de utilizar minha lista indispensável do meu dicionário avanzato de italiano porque (quase) todo mundo fala inglês, seja bem, mal, mezzo, arranhado, com sotaque. Aliás, os romanos mais jovens dominam a língua inglesa impressionantemente bem.

Piazza Navona
Piazza Navona

Mas, moça experimentada que sou, que não cai mais de bunda nas trilhas e que tem um parceiro de viagens que aprendeu a não esquecer mais em casa o endereço dos hotéis, fiz uma listinha com todos os locais indispensáveis de Roma, outros pra fugir dos turistas, outros pra beber vino, prosecco e birra barata e lojinhas bonitinhas porque viajante também merece ser lindo.

Acompanhe a sequência do post sobre Roma:

Roteiro em Roma

Igrejas, praças e fontes

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Daniella Franco

Daniella Franco

Jornalista, mestre em Ciências da Informação e Comunicação e mochileira. Há onze anos veio estudar e morar na França e desde então seus horizontes tem aumentado cada vez mais. Viajante um tanto atrapalhada, costuma chegar aos destinos sem qualquer roteiro, esquece em casa os endereços dos hotéis onde deve se hospedar, deixa os joelhos nas trilhas, desce as montanhas rolando, leva os piores torrões nas praias e pegou pneumonia fazendo ski. Mas o importante é que sempre volta das viagens com boas historias pra contar. De hotel de luxo a camping, do sofá-cama dos amigos aos albergues da juventude, Daniella descobriu que viajar também é uma arte.

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