Revolução Farroupilha

Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?


Primeiro é preciso compreender o quanto o tema Revolução Farroupilha é natural para quem nasce e estuda no Rio Grande do Sul. Principalmente nas cidades de fronteira e pampa onde as tradições resistem há quase duzentos anos após a guerra ter moldado valores e a personalidade do gaúcho do sul do Brasil (é bom lembrar que argentinos, uruguaios e alguns chilenos também são gaúchos).

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Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?

O fato histórico está nos livros didáticos, em nomes de ruas e cidades, nos brinquedos, no vestuário, na bandeira do Estado, na comida e em tantos elementos do cotidiano que poucos rio-grandenses se fazem esta pergunta. E digo por mim, sou vizinha da fronteira e cultivo algumas tradições de forma tão rotineira que nunca havia parado para pensar nisto até morar em São Paulo.

Com dois anos já tomava o meu chimarrão sozinha
Com dois anos já tomava o meu chimarrão sozinha

 

Bazar Sallaberry
Brinquedo da Revolução Farroupilha no bazar da Salaberry em Pelotas

Foram anos ouvindo deboches, questionamentos e até me sentindo estrangeira por ser tão diferente do resto do Brasil. Mas foi ótimo sair do contexto e ver tudo do lado de fora. Alguns pontos fiz questão de valorizar ainda mais, outros comecei a achar um exagero e concordava com a opinião dos novos amigos. Mas quando voltava para casa da família, eu queria justamente aquilo encontrado só por lá. Mesmo reclamando, me sentia em casa. É o tal do orgulho que vem desde aquela época em que o povo se uniu para buscar algo melhor e mais justo.

Então surgiu a oportunidade de percorrer os caminhos farroupilhas como roteiro turístico prometendo boa gastronomia, hospitalidade e cenários históricos. Embora houvesse incerteza se encontraria isto em todos os locais, decidi partir para a viagem de carro entre amigos e buscar minhas origens, atrativos e uma pergunta:

 

Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?

Conversei com pessoas nas 17 cidades por onde passei e nem todos sabiam me responder. Apenas diziam gostar ou tinham um discurso na ponta da língua. Gravei boa parte desses depoimentos para tentar traduzir para o resto do Brasil o sentimento regional sobre o tema, e não é que ele varia bastante! No início nem sabia como seria a edição, mas com todas essas paisagens foi fácil e virou o vídeo resumo da viagem.

A MINHA RESPOSTA:

Eu acho que devemos comemorar por vários motivos. Primeiro, é importante saber de onde viemos, porque somos assim e como é possível sim, lutar pra mudar o que não está certo. Mas vocês perderam a guerra! Diz a maioria sem saber que existiram conquistas, assim como houve perdas para ambos os lados.

Vivem do passado! Dizem outros sem perceber como é triste um povo que deixa sua essência se perder pela falta de comunicação e interesse como acontece com o artesanato no mundo ou com os aborígenes na Austrália, por exemplo. Sem conseguir se adaptar ao mundo atual e sem conhecer o próprio passado (porque os mais velhos só repassam a informação oral quando acham que os mais novos merecem saber e o conhecimento escrito não existe – leia mais aqui), aborígenes se entregam ao alcoolismo e não tem perspectiva, mesmo ganhando bastante dinheiro com o turismo.

E como uma viajante insaciável por vivenciar o inusitado e compreender o modo diferente das pessoas verem o mundo, eu saio por aí em busca de conceitos, de culturas e de personalidades. Logo, como não celebrar e valorizar toda esta riqueza presente na história dos meus antepassados e que influenciam a minha vida hoje? Eu quero que os outros conheçam e também tentem compreender ou, pelo menos, se sintam bem como eu me sinto.

 

O que não se aprende nas escolas?

Roberta Martins no cipreste farroupilha
Cispreste onde a revolução foi planejada

Definitivamente, todo gaúcho, ou filho e neto que moram em outros Estados, deveria fazer esta viagem. E vale para qualquer um interessado em roteiros históricos. É nostálgica, é linda, é gostosa de fazer e traz muitos ensinamentos que passam batido em outras situações.

Ouvir o que aconteceu na sombra daquela árvore de 300 anos tocando no tronco… Imaginar a cena do relatado pelos personagens estando na casa deles… Ou caminhar por ruas onde o tempo parece não ter passado tem uma percepção muito mais valiosa e duradoura do que ensinam os livros e professores em sala de aula.

E aí cai a ficha! Não foi bem isto que eu aprendi no colégio ou vi na minissérie, era mais poético, heroico, justo… Costumam valorizar o lado bonito e passam por cima do que talvez não seja interessante mostrar como os lanceiros negros traídos; o medo das mulheres perante a figura masculina; a motivação mais pelo lucro do que os ideais de liberdade, igualdade e humanidade e vários outros detalhes sombrios da revolução. A cada conversa eu aprendia algo novo, as coisas faziam sentido e a história ia ficando mais interessante. Mas há controvérsias entre cidades e guias. O melhor é ir repetindo as mesmas perguntas, consultar outras fontes e tirar suas próprias conclusões.

E você, ficou com vontade de fazer a #RotaFarroupilha? Ou tem resposta pra minha pergunta? Sou toda ouvidos nos comentários.

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Fotos de Roberta Martins, Alexandra Aranovich e Paula Brum.

Guia RS pra levar na viagem e ler em qualquer aparelho

Esta cidade é um dos destinos da Rota Farroupilha. Se prefere ter todo o conteúdo sobre este itinerário para consultar durante a viagem e ainda ter sugestão de roteiros com mapa interativo detalhado, adquira o guia Guia RS Rota Farroupilha >>

A viagem #RotaFarroupilha é um projeto do Territórios em parceria com As Peripécias de uma FlorCafé ViagemMochilinha Gaúcha e participações especiais de Andarilhos do Mundo e da jornalista Criz Azevedo. O roteiro teve o apoio de empresas regionais como BC&M Advogados e Agropecuária Sallaberry, além do suporte do Sebrae Costa Doce e de algumas secretarias de turismo. A ideia surgiu ao saber da Rota Caminho Farroupilha elaborada pelo Sebrae RS. É oferecida como pacote turístico pela Tchê Fronteira Turismo.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

1 comentário

  1. Adorei você pequenina com o chimas. Lindo texto, Rô 😉 Bjoca

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