conhecer Portland

Para conhecer Portland de verdade – Parte II


Continuando minha experiência como turista em casa de strip-tease levado pela namorada e suas amigas. Leia o início dessa história aqui.

Encontramos as amigas dela num bar, antes de partir para o strip. Fui dirigindo o carro mais quieto que um mudo numa ópera. Até que chegamos. A casa não parecia nada secreta, uma grande placa no alto já mostrava sua arte: Devil’s Point (ponto do diabo).

Para conhecer Portland de verdade: o strip-tease

Posando de tranquilo com as amigas da namorada antes da experiencia
Posando de tranquilo com as amigas da namorada antes da experiencia

Uma geral do segurança e voilá! O lugar era grande. Meus olhos brilhavam como os de uma criança que entra numa fábrica de chocolates. Opa. Não demonstra alegria pra gata. Tranquilo, sabia que aquelas aulas de teatro tinham valido a pena. Ela checava minha fisionomia de tempos em tempos. De rabo de olho já vi uma mulher dançando no palco do canto, linda! Fomos para o bar na frente do palco principal e sentamos numa mesa bem na frente. Olhei ao redor e não acreditei. Mulheres e homens dividiam o espaço para ver as meninas dançarinas. Uh? Sei que mulheres sempre leem revistas masculinas, que gostam de ver as fotos, de discutir o corpo das modelos com as amigas… mas isso? Dei umas piscadas para ver se era verdade mesmo. Não tinha como não perguntar: É comum as mulheres virem aqui? “Claro!”, ela respondeu. “Amamos isso!”.

Enquanto tentava entender aquilo, uma menina com corpo de bailarina começou a dançar bem na nossa frente. Minha namorada começou a falar sobre a dançarina com as amigas. Então é isso. Elas veem aqui pra falar mal das garotas. Nessa minha viagem mental, uma das amigas me pergunta o que eu tinha achado da menina. O que dizer? A verdade? Que ela era linda, que cada parte do seu corpo parecia uma escultura? Ou mentir? Dizer que não era nada especial, que já tinha visto melhor? Optei pelo meio…”É, ela é bem bonita, dança bem”. Elas concordaram e continuaram a elogiar a menina. Nada de criticas. Hum, julguei mal.

E não pararam. A cada nova dançarina, novos elogios. E assim a noite foi passando. Cervejas vem, dólares vão – eu mesmo coloquei varias notas no balcão onde elas dançavam, sem ao menos pensar se a namorada ligaria (e ela ainda dizia “essa realmente valeu a pena”). E assim fui acreditando, pouco a pouco, que realmente era normal.

Percebi que o strip-tease por aqui não é um tabu como no Brasil. É só um lugar para encontrar amigos, beber e, como distração, ver umas mulheres quase nuas dançando na sua frente. Claro que a linha da normalidade passou longe dos meus parâmetros. Uma coisa é admirar uma foto de uma mulher numa revista, outra é estar conversando com um amigo e, de repente, uma mulher aparecer na sua frente, mostrando sua sensualidade e a conversa continuar normalmente, como se não fosse real.

Percebi também que essa busca por ser moderninho, pode deixar uma sociedade mais fria, onde nem as partes mais intimas de uma mulher causam surpresa. Uma pena. Para mim, a falta de interesse pela sensualidade do ser humano pode ser o inicio da falta de respeito pelo próprio ser-humano.

Ainda prefiro nossa forma – hipócrita, alguns vão dizer, de esconder a sexualidade brasileira. Ajuda a manter tudo único e especial. Mas que a experiência de conhecer Portland foi interessante, foi.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Rodrigo Baena

Rodrigo Baena

Rodrigo Baena é jornalista por profissão, fotografo por paixão e viajante "quase" profissional.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.