topo Monte Roraima

No topo do Monte Roraima


Chegar ao topo do Monte Roraima me trouxe uma sensação de conquista. Um lugar inóspito e diferente de qualquer outro que já estive, um portal para o mundo perdido.

Barracas empilhadas até na caverna
Barracas empilhadas até na caverna

Após três dias finalmente atingi meu objetivo, porém foi preciso mais alguns quilômetros até chegar em nosso “hotel”. O lugar estava lotado, pois fui passar a virada de ano, e nesse período o roteiro é muito procurado.

As barracas foram sendo empilhadas onde tinha espaço, inclusive na pequena caverna que existia no acampamento. Mesmo assim tudo ficou muito organizado, e aquele local lembrava realmente um hotel, tinha uma cozinha central, espaço para refeições e um banheiro bem isolado.

Cozinha do Acampamento
Cozinha do Acampamento

Marco do Ponto Triplo
Marco do Ponto Triplo

O Topo do Monte Roraima

Fiquei dois dias no topo e pude conhecer o Ponto Triplo (marco onde Venezuela, Brasil e Guiana fazem divisa), o Vale dos Cristais (um caminho repleto de cristais brancos que parece neve), o Fosso (um buraco gigantesco com um poço de água que não pude tomar banho por causa do mau tempo), o Paredão La Ventana (uma janela que nos permite avistar o mundo lá embaixo, porém não vi nada por que o tempo não ajudou) e o Maverick (o ponto mais alto do Monte). Não tive muita sorte na minha estadia ali em cima, dias com sol fazem grande diferença nesse trekking.

Fosso no topo do Monte Roraima
Fosso
Amanhecer no Monte Roraima
Amanhecer no Monte Roraima

Todas os dias acordei por volta das cinco e meia da manhã para registrar o nascer do sol.  Isso me rendeu ótimas fotos, e motivou mais pessoas a levantarem cedo no segundo dia. O pôr-do-sol também é garantia de fotos belíssimas, ainda mais no ponto mais alto que existia no fundo do nosso acampamento.

As noites no topo são bem frias, e tudo que você deixa fora da barraca amanhece molhado. Não adianta tentar lavar nada lá em cima porque que não seca, por isso você deve levar roupas para todos os dias.

No interior da caverna
No interior da caverna

No último dia os guias nos levaram para conhecer uma caverna, onde tomei o banho mais gelado da minha vida. Antes de sairmos, apagamos as lanternas e ficamos em silêncio por um minuto. Foi uma sensação muito louca, em alguns instantes imaginei que tinham me esquecido ali dentro.

A descida é feita pelo mesmo caminho que subimos, pois só existe este acesso até o topo. A diferença é que fazemos isso em dois dias, e não em três como a subida, pois passamos reto pelo Acampamento Base.

Iniciando a descida
Iniciando a descida

A descida exige muito dos dedos dos pés, pois você concentra todo seu peso neles. É muito importante estar com as unhas bem cortadas, mas não muito rentes pois pode levantar a unha.

No último acampamento tem cerveja quente para vender, porém depois de seis dias de esforço ninguém reclamou disso, e até eu que não bebo saboreei uma.

No ponto final, o pessoal da Roraima Adventure nos recebeu com cervejas e refrigerantes bem gelados, em um clima de celebração pela conquista. Todos exaustos mas extremamente felizes pelo desafio completo.

A despedida do Monte Roraima
A despedida do Monte Roraima

A última lembrança que tenho do Monte Roraima é ele sumindo entre as nuvens, como se fechassem as cortinas de um espetáculo. Nesse momento me senti feliz por ter conquistado o topo de um dos lugares mais antigos do planeta.

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© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Leandro Vettorazzi Gabrieli

Leandro Vettorazzi Gabrieli

Co-fundador do Territórios versão 2010, fotógrafo amador, empresário e entusiasta de tecnologia. Combina o hobby de viajar com a paixão de fotografar, principalmente animais. Parceiro para tudo, não precisa perguntar duas vezes para fazer uma aventura ou indiada. Se você encontrar com ele em uma viagem certamente estará com sua mochila nas costas e sua Nikon na mão.

2 comentários

  1. Esse passeio parece ser fantástico! Que pena que você não teve sorte com o clima e com a visibilidade.

    Abraços,
    Lillian.

  2. E se eu te contar que só peguei poucas horas de chuva em um dos dias? Que a roupa secou de um dia pra outro lá em cima e a visibilidade estava perfeita quase sempre… Aguarde minhas fotos

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