Kyoto

Kyoto, para seguir o protocolo

Tokyo me encantou e eu estava decidida a ficar por lá os 10 dias que eu e o namorado passaríamos na Terra do Sol Nascente. A cunhada, que é natural da capital japonesa, nos aconselhou a conceder uns dias a Kyoto – a cidade mais bonita do Japão, segundo ela e outros japoneses que conhecemos. Era notável a decepção geral quando eu dizia que preferia Tokyo a Kyoto.

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Kyoto

De fato, Kyoto tem seus (muitos) encantos e guarda uma boa parte da cultura tradicional oriental ainda em seu cotidiano. Dizem que não é incomum de encontrar gueixas pelas ruas da cidade, o que podemos presenciar através de uma rápida e discreta aparição. Além disso, o comércio e os restaurantes são mais rústicos e a comunicação fica um pouco mais difícil já que nem todos falam inglês como em Tokyo.

Nijô-jo Palace
Nijô-jo Palace

No caminho entre a capital japonesa e Kyoto, foi interessante observar, pela janela do trem, como a paisagem muda bruscamente do moderno para o rural; e como um país com uma extensão territorial tão limitada pode se contrastar a tal ponto. Já no destino, observamos como os japoneses de Kyoto são mais tímidos e fechados que em Tokyo – comportamento que se estampa até mesmo no modo típico de se vestirem.

No entanto, percebi que Kyoto é muito mais turística que Tokyo e me incomodava o fato de não podermos diferenciar os limites da autenticidade das coisas. Até onde o típico e o tradicional podem estar mascarados? Como comprova o Pavilhão de Ouro, uma das principais atrações da cidade, nem tudo que reluz o é. Mesmo que as paredes sejam constituídas pelo valioso metal, o monumento dito centenário não passa de uma réplica.

Mas é fato que beleza não se dissimula e isso – confirmo – Kyoto tem de sobra.

Para não perder tempo e pernas, um roteiro por Kyoto

Kyoto tem uma infinidade de atrações como templos, pavilhões, jardins, Palácios e termas. É interessante se organizar e fazer uma lista daquilo que você pretende visitar antes de chegar na cidade. Vale lembrar que Kyoto é relativamente grande e, demora-se um bom tempo para se locomover e chegar nos monumentos, que fecham em torno das 17h.

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Pavilhão de Ouro
Pavilhão de Ouro

PAVILHÃO DE OURO (KINKAKU-JI)

É o principal lugar turístico. Essa construção data de 1397 e foi construída pelo Shogun (chefe militar) Askikaga Yoshimitsu. Porém, o pavilhão original foi incendiado em 1950 e o atual é uma réplica. A fama do Kinkaku-ji não se restringe às paredes revestidas de ouro, mas também à impressão de que ele flutua sob a água.

PAVILHÃO DE PRATA (GINKAKU-JI)

Menos célebre que seu concorrente, até porque desde que sua construção começou (em 1492 pelo Shogun Ashikaga Yoshimasa), jamais foi finalizado. As placas de prata que deveriam cobrir suas paredes nunca foram colocadas. O mais bonito do Ginkaku-ji é seu jardim zen de musgo e pedras. Do alto do caminho que contorna o pavilhão, temos uma boa vista da paisagem local.

Pavilhão de Prata
Pavilhão de Prata
Templo Tô-Ji
Templo Tô-Ji

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TEMPLO TÔ-JI

Esse templo é especialmente conhecido pela pagoda de cinco andares (55 metros de altura), que é a mais alta e mais famosa do Japão. Para quem chega de trem na cidade a partir de Tokyo, fica bem pertinho da estação e vale a pena dar uma conferida.

Ryôan-Ji
Ryôan-Ji

RYÔAN-JI

É o jardim zen mais perfeito que existe (sic folheto explicativo que pegamos no local). Feito de areia e de pedra (do tipo karasansui, sic folheto também) foi projetado em 1455 e evoca as ondas do mar ao redor de 15 ilhas (representadas pelas rochas). No entanto, as ilhas não podem ser vistas jamais de uma só vez; é preciso observar o jardim sob diversos ângulos para tomar conhecimento de todas (uma metáfora sobre a complexidade da verdade). As pinturas das paredes do templo são bem particulares, decoradas com desenhos do tipo fusuma.

Fusumas no Templo de Ryôan-Ji
Fusumas no Templo de Ryôan-Ji

NIJÔJO (PALACIO DO SHOGUN)

É a casa / fortaleza dos Shoguns Tokugawa (chefes militares dos anos 1600). A construção é espetacular, os cômodos são dotados de portas de correr (shojis) e as paredes contam com ricas pinturas. O jardim do palácio não deixa a desejar e, do alto da fortaleza, é possível ter uma visão bem bonita da paisagem geral.

Nijôjo (Palacio do Shogun)
Nijôjo (Palacio do Shogun)
Bairro Gion
Bairro Gion

TERMAS (ONSEN)

Os banhos termais fazem parte da cultura milenar japonesa e são extremamente populares ainda hoje (programa classificado como obrigatório pelos japoneses que conheci). As termas mais célebres ficam em Tokyo e Kyoto e muitos hotéis oferecem esse serviço.

BAIRRO GION

O famoso bairro das gueixas e dos rituais de chá. Para participar, é preciso agendar com antecedência. Na rua principal, o comércio reúne lojinhas de tudo quanto é tipo, mesmo que suas entradas sejam todas idênticas.

Tome Nota Kyoto

Comer: Os restaurantes de GION são bem conceituados por manter a tradição da culinária japonesa. O mais interessante é que em nada eles lembram os restaurantes ocidentais. Construção de madeira, sem muita iluminação, a impressão que tínhamos quando entrávamos era que estavam sempre fechados. É imperativamente necessário tirar os calçados e fazer sua refeição sentado no chão, às vezes em mesas enormes e retangulares que comportam muitas pessoas lado a lado.

Curiosidades: A especiaria do local é o doce feito de feijão. Outra doçura que encontrávamos com frequência era o sorvete de chá verde. Nos restaurantes mais populares, os pratos ficam expostos na entrada, disponibilizados numa espécie de vitrine.

Vitrine de comidas
Vitrine de comidas

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Daniella Franco

Daniella Franco

Jornalista, mestre em Ciências da Informação e Comunicação e mochileira. Há onze anos veio estudar e morar na França e desde então seus horizontes tem aumentado cada vez mais. Viajante um tanto atrapalhada, costuma chegar aos destinos sem qualquer roteiro, esquece em casa os endereços dos hotéis onde deve se hospedar, deixa os joelhos nas trilhas, desce as montanhas rolando, leva os piores torrões nas praias e pegou pneumonia fazendo ski. Mas o importante é que sempre volta das viagens com boas historias pra contar. De hotel de luxo a camping, do sofá-cama dos amigos aos albergues da juventude, Daniella descobriu que viajar também é uma arte.

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