A Serra do Espírito Santo é a origem das Dunas

Jalapão: um paraíso no Tocantins

Esses cenários incríveis que tem aparecido na televisão e redes sociais com o nome de Jalapão são reais e qualquer pessoa pode visitá-los. Mas antes é preciso saber alguns detalhes e se preparar para viagem porque o acesso não é fácil, embora recompensador para quem curte natureza.

 

Estive no Jalapão quando boa parte dos brasileiros não fazia ideia da sua existência e apenas uma agência levava turistas com alguma estrutura. Hoje a oferta e opções de atrativos são maiores, assim como a consciência de que o turismo de massa pode acabar com lugares assim. Por isso, regras foram estabelecidas para preservar o Parque Estadual do Jalapão e devem ser cumpridas. Mas o parque é apenas uma parte do paraíso e existe várias formas de aproveitar e proteger ao mesmo tempo. Pra começar, leia os tópicos abaixo e vá clicando nos links para ler os relatos.

Parque Estadual do Jalapão: regras pra saber antes de ir

  • o lixo produzido deverá ser recolhido até o ponto de coleta mais próximo;
  • não é permitida a descida do paredão das dunas;
  • retirar plantas não é permitido;
  • carros não são permitidos em algumas áreas;
  • drones estão proibidos nas dunas.

Onde fica o Jalapão e como foi descoberto

A região fica bem próxima ao centro geodésico do Brasil, ou seja, quase no meio do país abrangendo oito municípios no Estado do Tocantins. Jalapão está localizado sobre um aquífero subterrâneo pertencente ao bioma cerrado com pitadas da caatinga e Floresta Amazônica.

Existe há milhares de anos, mas só chamou atenção depois do Rally dos Sertões passar por ali em 1998. Os participantes se encantaram com o lugar e colocaram as fotos na mídia. E isso acabou gerando uma nova fonte de renda para a então carente comunidade local (indígenas, quilombolas e seus descendentes). Não só as belezas naturais foram exaltadas, o artesanato único feito com a planta dourada que não existe em outro lugar ganhou o mundo.

Quando ir

A viagem vale o ano todo, porém, quem se incomoda com barro e chuva, deve evitar os meses de dezembro a fevereiro. De maio a setembro é época de seca. Embora o calor abafado seja presença constante em qualquer estação.

Estradas de terra vermelha no Parque Estadual do Jalapão
Estradas de terra vermelha no Parque Estadual do Jalapão

Como chegar ao Jalapão

Os aeroportos mais próximos são respectivamente Palmas (TO), Carolina (MA) e Brasília (DF). A partir dessas cidades deve contratar uma agência ou alugar um carro 4×4 e chamar um guia ao chegar em Ponte Alta do Tocantins. As estradas na região do Jalapão são desertas, de terreno difícil e pouco sinalizadas, o celular não pega e estar acompanhado de um local pode fazer muita diferença.

Quem vem de Palmas, ou Brasília, deve seguir pela TO-050 até Porto Nacional. Então pegar a TO-255 até Ponte Alta do Tocantins, a porta de entrada do Jalapão. Se a origem for Carolina, para complementar o roteiro com Chapada das Mesas, deve fazer o mesmo trajeto, mas antes chegar a Palmas pela BR-226.

O trecho entre Palmas e Ponte Alta do Tocantins são cerca de 200 km por rodovia asfaltada. Depois, todos os caminhos serão por estradas de terra fofa. Sendo mais 162 km até Mateiros, 126 km até Novo Acordo ou 240 km até São Felix do Tocantins.

Onde se hospedar

Basicamente são duas opções, dormir nas pousadas simples nas cidades ou Safari Camp da Korubo Expedições. Amigos de Brasília costumam ficar nas pousadas e dizem valer pelo contato com os proprietários porque no máximo vai encontrar uma cama razoável, banho quente e café da manhã.

Eu fiquei em uma das barracas da Korubo e confirmo que o conforto nem parece acampamento. No entanto, pra ficar lá (não deixe de clicar no link anterior) é preciso comprar o pacote de seis noites da agência. Sendo a primeira e a última noite sempre em Palmas e, pelo menos, quatro dias no Jalapão. O roteiro deles é legal e visita o melhor do Jalapão, mas não é completo por ter uma base para onde voltamos todos os dias. O Safari Camp Korubo localiza-se nas margens do refrescante Rio Novo e fica cansativo fazer bate volta para as atrações mais distantes.

Roteiros circulares são mais completos porque as pernoites são divididas entre os municípios. Porém, além da melhor estrutura na hospedagem, duas atrações são exclusivas da Korubo: um fervedouro e a canoagem no Rio Novo.

Safari Camp Korubo tem cama de madeira e banheiro dentro da barraca
Safari Camp Korubo tem cama de madeira e banheiro dentro da barraca

Quanto tempo ficar

No mínimo dois dias pra fazer o básico no Parque Estadual do Jalapão ou uma semana é suficiente para ver tudo.

O que fazer no Jalapão

Tomar banhos em piscinas naturais, ver estrelas, se envolver com a comunidade local e curtir muito a natureza são as atividades básicas. Quem tem fôlego pode fazer as trilhas ou encarar esportes radicais. Veja o que visitei durante cinco dias por lá:

Cânion de Sussuapara é um cânion pequeno com gotas de água caindo do céu. É onde a magia começa. Provavelmente será primeira atrações por ser perto da estrada que leva a Ponte Alta do Tocantins.

Riacho dentro do cânion
Riacho dentro do cânion de Sussuapara

Serra do Espírito Santo e Mirante é único passeio que exige algum esforço físico pela subida íngreme de 400 metros com calor intenso.

Leia: TRILHAS NA SERRA DO ESPIRITO SANTO

Dunas do Jalapão tem 25 metros de altura e ficam douradas ao pôr do sol. A formação das dunas é pela decomposição da Serra do Espírito Santo, as rochas se esfarelam e o vento joga toda a areia no mesmo local.

Leia: ONDE TIRAR AS MELHORES FOTOS

Cachoeira da Formiga apresenta uma queda pequena e fantástica pela sua cor esmeralda.

Água cor de esmeralda na Cachoeira da Formiga
Água cor de esmeralda na Cachoeira da Formiga

Leia: AS CACHOEIRAS

Fervedouros sãs nascentes subterrâneas de águas cristalinas e areias brancas que formam verdadeiros oásis em meio ao cerrado. A diversão é tentar afundar, tarefa impossível com tamanha pressão da água. São vários e visitei dois: Fervedouro do Ceiça (antigo Da Glorinha) e Fervedouro do Soninho (exclusivo da Korubo)

Leia: OS FERVEDOUROS

Canoagem no Rio Novo é diversão pura sem precisar sacudir na estrada, para quem optou pela Korubo.

Cachoeira da Velha é uma queda com 15 metros de altura que impressiona pelo volume de água. Tem trilhas, mirantes e opção de rafting para os mais corajosos.

Cachoeira da Velha vista do mirante
Cachoeira da Velha vista do mirante

Prainha é onde as águas do Rio Novo ficam calminhas e convidam ao banho

Leia: BANHOS E CANOAGEM NO RIO NOVO

Mateiros é o município mais perto do Parque Estadual do Jalapão. Vale tomar um sorvete e visitar a Casa do Artesão. Também abriga comunidades descendentes de quilombolas como o povoado de Mumbuca, famoso pelo artesanato com capim dourado.

Além de desses, há outros atrativos que preciso conhecer: Pedra Furada, Rio do Sono, Cachoeira das Araras e os fervedouros Bela Vista, Buritizinho e Alecrim.

Jalapão mapa

Tome Nota Jalapão

O que levar na mala:

  • repelente (só sentimos os mosquitos vendo as picadas no dia seguinte)
  • protetor solar
  • óculos
  • saco estanque (para passeios aquáticos)
  • câmera fotográfica
  • tênis e chinelo
  • boné
  • roupas leves
  • roupa de banho
  • toalha

Leve dinheiro em espécie porque poucos estabelecimentos aceitam cartão de crédito e caixas eletrônicos não são comuns no Jalapão.

Prepare-se para ficar incomunicável sem sinal no celular e Wifi.

Jalapão é considerado o deserto brasileiro pela sua densidade demográfica e não pela quantidade de areia. A população não chega a um habitante por quilômetro quadrado.

O tom vermelho das estradas não é natural dali, é argila trazida de outras serras justamente para conter a areia fofa e evitar atolamentos.

Receba dicas no seu email ao assinar nossa lista sobre o Brasil.

©Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Se achou útil, Flip it! Se gostou das imagens, Pin it!

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site e fotógrafa. Há 11 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo.

Deixe uma resposta