Parque Nacional Etosha em safari por conta própria


Sou apaixonada por safari e já relatei diversas experiências por aqui. Agora chegou a vez de contar onde foi mais fácil, diferente e um pouco mais seguro para crianças, afinal, 100% seguro nunca será. Etosha National Park é uma das reservas mais antigas da África. Além disso, é um dos poucos lugares onde fazer safari por conta própria (no carro alugado) é o comum e aconselhado para quem já fez a primeira vez com ranger.

Ranger é o guia especialista na vida selvagem da África. A pessoa com os olhos treinados para enxergar o que não percebemos, alertar para perigos e responder nossas perguntas. Esse profissional é essencial na primeira vez. Como já fiz várias, decidi arriscar por conta própria e foi muito tranquilo na Namíbia. Embora certamente tenha deixado detalhes escaparem. 

Safari na Namíbia

Namíbia é o país mais deserto da África referente à população humana e áreas urbanas. Isso quer dizer abundância em vida selvagem espalhada pelo território, pelo menos até ser castigada pela seca. Os rios e lagos exibidos nos mapas desaparecem entre os meses de maio a outubro. Fato comprovado quando passei por várias pontes onde só havia rochas e terra craquelada por baixo. Aos animais só resta encontrar água em Etosha. O Parque criou um sistema de abastecimento em pequenos lagos (waterhole) o ano inteiro. Esse é o motivo de ser tão fácil fazer safari na Namíbia. Não precisamos ir para savana procurar, basta parar em frente a um waterhole e assistir ao vivo os cenários exibidos em tantos documentários para televisão.

Na maioria há uma estrutura com cerca elétrica, sombra e bancos para o turista ficar em segurança enquanto observa. Em alguns lugares como Okaukuejo, nem precisa sair da cabana para fazer safari, pode ver da varanda. Mas é democrático, a vista é para qualquer pessoa dentro do parque. Acampei em Halali e caminhava 15 minutos para chegar ao waterhole mais próximo. Já nos lagos mais afastados dos lodges, é preciso permanecer dentro do carro.

Paisagem do Parque Nacional Etosha com lago
Waterhole em Okaukuejo

Waterhole em Halali e Okaukuejo

Poderia ficar dias em frente aos lagos fazendo milhões de registros fotográficos sem cansar. Enquanto minha companheira de viagem tirou uns cochilos, eu fiquei encantada observando o comportamento de várias espécies compartilhando o mesmo espaço por questão de sobrevivência. Me surpreendi com o respeito entre as manadas de elefantes (nunca havia visto tantos) e o poder deles perante os outros animais. Zebras e antílopes chegavam de mansinho, se tremiam todos e fugiam quando um elefante chegava perto. Até uma leoa permaneceu a tarde toda escondida enquanto os gigantes dominavam o lago, ela conseguiu beber água somente ao anoitecer.

Elefantes são meus animais africanos favoritos e os filhotinhos me emocionam, havia vários de todos os tamanhos e fofuras. As aves não temiam nada e nem eram importunadas, calaus, galinhas de angola e outras voavam livremente e chegavam bem pertinho dos expectadores. A regra é ficar em silêncio para não afastar nem chamar a atenção dos animais, mas eles sabem que estamos ali, alguns até encaram e todos viram a cabeça em nossa direção a qualquer espirro. 

A dica para ficar confortável é levar água, protetor solar, boné e baterias extras da câmera. Quando bater a fome, volte para a acomodação. Vista roupas leves para enfrentar o calor, mas leve o casaco para o fim de tarde. Além disso, repelente é essencial no verão por causa da malária, em junho nem senti mosquitos.

Como nunca há garantias de encontrar o animal desejado, vale explorar outros lagos e percorrer a savana em carro. Para isso, os lodges organizam saídas em grupos na recepção (game drive), no entanto, minha proposta era fazer self drive safari (safari por conta própria). 

Retrovisor do carro e paisagem da savana africana
Safari por conta própria no Parque Nacional Etosha

Self drive safari no Parque Nacional Etosha

Optei por alugar uma caravan com barraca em cima e viajar no estilo self drive. Inclusive, há receptivos especializados para organizar todo o roteiro com ou sem luxo. Por economia, fiz tudo por conta própria e deu certo. A única exigência é portar a Carteira Internacional de Habilitação.

Ao chegar a entrada do Parque Nacional Etosha (chamada Anderson Gate) nos registramos e recebemos instruções para estadia e pagamento. A partir desse ponto a escolha de caminhos é nossa, só é preciso cuidar o horário para não ficar fora dos portões dos lodges antes do pôr do sol. Eles são rígidos com os horários e fora deles não há qualquer estrutura para se proteger dos animais selvagens na escuridão.

A estrada principal é de terra e quase não há bichos em função do movimento, as secundárias foram feitas para safari e são desvios que acabam voltando para a principal. Alguns caminhos levam para os lagos, mirantes e áreas com mata mais densa. Em boa parte a vegetação é rasteira facilitando a observação dos animais de longe. Assim dá tempo de fechar o vidro ou mudar a direção quando avistarmos os mais perigosos. Um elefante ou um rinoceronte, por exemplo, podem perfurar ou capotar o carro com facilidade, portanto, evite chegar muito perto (aprendi com um ranger).

Antílopes cruzam a estrada do Parque Nacional Etosha
Antílopes cruzam a estrada do Parque Nacional Etosha

Safari camp e cabanas

Lodges disponibilizam áreas de camping onde o hóspede pode usufruir de toda a estrutura e pagar conforme a opção de hospedagem. Estão localizados dentro do Parque Nacional Etosha ou nos arredores dos portões de entrada. Para explorar ao máximo, vale ficar dois dias em cada região, mas o tempo total depende do interesse de cada um. Em duas noites não consegui visitar tudo o que gostaria, nem ver todos os animais possíveis. 

A recomendação é reservar com antecedência para ficar dentro do Parque, principalmente no auge da alta temporada (julho) e se a preferência for suíte. O ideal para safari é se hospedar dentro, mas a melhor hospitalidade e preço são oferecidos pelos lodges do lado de fora. Afinal, eles não possuem os famosos waterholes e precisam ser criativos para atrair hóspedes. 

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Etosha Safari Camp

Chegamos a noite e foi preciso gritar várias vezes e alto no portão para alguém aparecer. Eles acham muito improvável turistas dirigirem depois das 19h, logo, a atenção está toda voltada ao jantar com música ao vivo e descontração. 

O jantar está incluso na diária das cabanas e é opcional para quem acampa, mas o espaço é aberto a todos ao redor da piscina. A área de camping fica atrás com banheiros limpos, lavanderia e muito espaço gramado entre árvores altas, churrasqueiras e postes de luz com tomada. 

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Halali Safari Camp

Foi a opção recomendada por outros turistas como o melhor lugar para ver os animais no waterhole. É uma vila no meio da savana com muita poeira e serviços como restaurante com buffet; posto de gasolina; loja de conveniência; diferentes padrões de cabana; e enorme área de camping. A estrutura do camping é mais simples e descuidada, mas atende necessidades básicas como banho quente e tomadas perto da barraca. O destaque de dormir ali é ver os animais no cenário, tanto ao nascer quanto ao pôr do sol.

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Leve pastilhas para garganta e remédio para tosse. Era uma sinfonia de “cof-cof” tamanha que suspeitamos de virose no acampamento. Era alergia à poeira afetando quase todos os estrangeiros. Foi aliviando ao deixar o Parque e sumiu quando voltei ao Brasil três dias depois. 

Se decidir ficar mais tempo dentro do Parque, deve pagar ingresso por dia conforme horário limite estipulado na entrada. Faça isso na recepção porque não aceitam pagamento nos portões de saída.

É importante calcular distâncias e tempo para chegar aos safari camp ou portões de entrada. Eles abrem quando o sol nasce e fecham ao anoitecer, sem possibilidade de atraso. O risco é ficar preso dentro do carro sem coragem de fazer xixi (na escuridão) por conta dos animais soltos. Na verdade, é proibido sair do carro fora das áreas demarcadas e você será multado se o fizer.

Parque Nacional Etosha: como ir

Não existe transporte público para Etosha, é preciso contratar excursão ou alugar um carro. Excursão é o mais cômodo e os valores variam bastante, as mais econômicas partem de Windhoek e a hospedagem será acampamento. 

A estrada partindo da capital é asfaltada e entre as melhores do país até a entrada do Parque, cerca de 400 km. Porém, meu ponto de partida foi Walvis Bay e haviam opções, o caminho mais curto indicado pelo mapa inclui estradas de terra seguindo pela costa. Então fui confirmar com os locais e alguns recomendaram pegar o mais longo pelo asfalto (C33 e C38), assim fomos. Em determinado momento há em desvio por uma estrada de terra em bom estado (M63) e seguimos por ela na ida. Era deserta, sem acostamento e com animais cruzando a pista (rinocerontes, javalis e outros menos perigosos). Ou seja, perde-se muito tempo pelas freadas e velocidade reduzida, além dos riscos de furar o pneu, quebrar o parabrisa, etc. Na volta viemos pelo asfalto sempre e levou a mesma quantidade de horas da ida, cerca de 500 km em 8 horas.

O problema do asfalto é a quantidade de caminhões, pista não duplicada e alta velocidade dos motoristas. O permitido varia entre 100 km/h e 120 km/h, mas ninguém respeita. Por sorte, não vimos nenhum acidente, apenas fomos paradas em uma batida policial para conferir documentos. Vários motoristas estavam sendo autuados pelo excesso de velocidade.

A entrada principal do Parque Nacional Etosha é o Andersson Gate, em Okaukuejo, por ser mais perto de Windhoek. A leste encontra-se o Von Lindequist Gate, perto de Namutoni, enquanto o Nehale lya Mpingana Gate fica no nordeste. Visite o site oficial para mais informações (em inglês).

Veja mais fotos de Etosha:

Zebras no lago em Halali, Etosha
Savana africana da Namíbia
A parte branca é o enorme lago que aparece no mapa de Etosha, mas está seco
Homem fotografa manada de elefantes no lago em Halali Safari Camp
Waterhole em Halali Safari Camp

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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