Empresa de turismo para não contratar


O texto de hoje não é uma experiência que indicamos ou queremos que alguém passe, e sim um alerta sobre coisas que não podem mais ser toleradas no turismo nacional. Leiam o relato de minha amiga Kennya que passou momentos difíceis contratando um passeio de barco.

Eu, minha família (no total de 17 pessoas, incluindo 5 crianças) e outros 30 ou 40 passageiros, compramos o pacote do passeio a Angra dos Reis e outras praias da empresa RIO LINE, cnpj 122325980001-23 que tem como representante Senhor Rodrigo Conde Otávio. Segue o relato do ocorrido durante todo o passeio.

Empresa de turismo para não contratar

O ônibus enviado pela empresa ao hotel Windsor Plaza, chegou por volta das 8h, com ar condicionado quebrado e nos levou a cidade de Conceição e não Angra como havíamos pactuado ao comprar o passeio. A chegarmos na cidade de Conceição o ônibus foi multado pois não tinha autorização para entrar na cidade e nem o seu motorista comprovou a autorização para turismo. Chegamos por volta das 10h e ficamos aguardando por 2 horas o embarque. Isso porque a empresa havia vendido o pacote para outro grupo e este estava atrasado por culpa da empresa.

Ao embarcarmos, percebemos o total despreparo dos guias que a empresa RIO LINE nos enviou. Não fomos às praias as quais eles apresentaram no folder, muito menos fomos ao restaurante combinado. Mas tudo isso se tornou pequeno perto do que aconteceu no restante do passeio. Na saída do restaurante do Hélio para a próxima parada, começou a chover muito forte e o guia perguntou aos passageiros se queríamos retornar ao cais ou se queríamos ir para próxima parada, todos entenderam que podíamos fazer a escolha e por maioria decidiu-se seguir com o passeio.

Após aproximadamente 10 minutos, a tempestade aumentou e para surpresa e pavor de todos o motor do barco parou de funcionar em alto mar, próximo de uma ilha com rochas. Sem tomar qualquer medida de segurança ou informar aos passageiros o que estava ocorrendo, a tripulação soltou a âncora (que visivelmente não segurava o barco e ele continuava sendo levado em direção às rochas) e não fez nenhum aviso a Marinha pois o radio não funcionava.

Dentro da embarcação
Dentro da embarcação

Houve uma ligação do comandante (se é que podemos chamá-lo assim) para o dono do barco, que perguntou se não dava para dar um “jeitinho” e foi por sorte que nesse momento outra embarcação passou e nos ajudou com cordas a sair desse local e nos “guinchou” até o cais. Os passageiros apreensivos e nervosos, pois estávamos com nossos filhos, pais e não sabíamos em momento algum como proceder a não ser pela experiência de alguns passageiros que orientavam para por os coletes salva vidas, onde se posicionar no barco etc. O guia da empresa, além de bêbado, filmava as pessoas desesperadas (muitas choravam) e dava risadas das suas filmagens.

Ao aportamos no cais o dono do barco nos recebeu sorrindo como se nada tivesse acontecido e ainda questionou passageiros que relatavam e reclamavam do ocorrido. Inclusive eu fui uma das que reclamou e pediu explicações, mas nada nos foi dito. Após aportarmos tivemos que correr debaixo do temporal para fora da cidade, pois o mesmo ônibus que nos trouxe e era impedido de entrar no município voltou para nos buscar.

Nesse ínterim, minha mãe, de 62 anos, começou a passar mal e os guias nada fizeram para ajudar. Nós mesmos pedimos ajuda à policia que a levou ao posto médico. O guia questionou como sabíamos que era necessário levá-la ao médico, como somos 5 médicos na família e todos estavam presentes, acho que era suficiente. Neste momento a guia pediu para o motorista ir embora deixando para traz minha mãe, meu marido e minha irmã que a acompanharam ao posto médico e ainda outros passageiros que haviam se dirigido ao local inicial de parada, mas neste momento o ônibus havia parado em outro local sem qualquer aviso. Foi preciso atitudes enérgicas para que o motorista aceitasse esperar todo o grupo.

Ao ser liberada pelo médico, pedimos ao motorista que fosse buscá-la pois o temporal ainda era muito forte e ele se recusou. Foi preciso que a ambulância a trouxesse e que os passageiros ajudassem com roupas secas. Compramos toalhas e comidas para todos pois nada disso foi providenciados pelos guias que alegavam não conseguir falar com a empresa no Rio. O motorista voltou para o Rio empreendendo uma velocidade absurda o que gerou reclamações por parte dos passageiros.

Ao chegarmos ao hotel me dirigi à recepção, relatei o ocorrido e eles tentaram entrar em contato com a empresa, mas não obtiveram resposta. O hotel por sua conta nos devolveu o valor pago pelo passeio. Na manhã seguinte a recepção me chama para conversar com o representante da empresa RIO LINE e, para minha surpresa, quem estava no hotel era o guia bêbado que filmava as pessoas. Não conversei com ele e avisei ao hotel que queria que os donos de empresa dessem uma satisfação. Eles vieram próximo da hora de irmos embora e, para nossa surpresa, ele me disse que por conta do elevado numero de turistas eles mudaram o passeio sem aviso, pois não tinham condições de nos levar ao passeio que pagamos. Nem sequer conheciam o restaurante que seus guias haviam nos levado. O representante da empresa RIO LINE se desculpou e prometeu tomar providências, mas não vejo isso como suficiente, pois nós tivemos sorte de algo mais grave não ter acontecido.

Providências por parte do órgão responsável pelo turismo devem ser tomadas em relação a esta empresa para que não ocorra uma tragédia. Os ribeirinhos afirmaram ser normal esse tipo de coisa acontecer em Conceição. Algo deve ser feito, deve haver fiscalização ou todos serão responsáveis por possíveis e prováveis acidentes que ocorrerão.

Kennya Tavora é advogada de Roraima e estava passando o Réveillon no Rio de Janeiro com meus primos, incluindo os pequenos.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

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