Roberta Martins viajando sozinha pelo Egito, mas sempre acompanhada de guia

Egito atual: turismo e impressões de viajar sozinha


Mesmo cheia de receios depois de uma experiência negativa no Marrocos, viajei para o norte da África sozinha e deu tudo certo. Mas continuei me deparando com situações desagradáveis de preconceito e assédio. Verdade, nada foi grave e sempre consegui reverter a situação, mas é chato precisar mentir e não ser quem realmente sou por proteção. Portanto, se informar sobre o Egito atual é o primeiro passo para decidir se vale a pena passar por isso. Eu digo valer a pena sim e este artigo é para compartilhar minhas impressões, dicas e ajudar na sua decisão.

Embora eu seja mulher e minha experiência tenha sido sozinha no Egito, as dicas servem para qualquer viajante. Então vamos lá, você pode clicar nos links de acesso rápido para ir direto ou continuar lendo até o final onde conto as situações desagradáveis instigadas no parágrafo acima.

Acesso rápido: Clima | Custo | Visto | O que levar | Segurança | Transporte | O que fazer | Os locais | Conclusões

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

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O Egito atual: turismo e dicas

A primeira recomendação é respeitar a cultura e as regras locais. Depois pareceu mais seguro contratar guia e traslados, se hospedar em hotéis com boas referências e sempre sair em grupos. Mas sem paranoias! Abuse da intuição, relaxe quando se sentir confortável, não tenha receio de conversar com os locais e nem perca oportunidades de viver grandes experiências por medo. 

O Egito é dividido por dois continentes: África e Ásia (na Península de Sinai). É um país mediterrâneo com fronteiras complexas como a Faixa de Gaza e Israel a nordeste, o Golfo de Aqaba e o Mar Vermelho a leste, o Sudão ao sul e a Líbia a oeste. 

Como é o clima e quando ir

O Egito apresenta clima desértico (seco), portanto, a variação da temperatura é contrastante entre o dia e a noite o ano todo. Os meses de outubro, novembro, março e abril são os mais indicados para evitar o calor intenso. Em maio e setembro também vale, mas as temperaturas aumentam. 

Viajei em maio e o calor estava suportável em função dos banhos de mar e piscina frequentes. A temperatura mínima do mar é 22 graus, portanto, vale o ano todo. Julho e agosto são os meses mais quentes, já as noites no alto das montanhas são congelantes.

Monte Sinai é Terra Santa. Fica no Egito e no Oriente Médio
Frio congelante para ver o sol nascer no Monte Sinai

Se a viagem cair no período do Ramadã, o planejamento e cuidados são maiores para evitar contratempos com a população. Jamais consuma bebidas ou alimentos ao ar livre durante o dia e verifique quais serviços estarão funcionando antecipadamente. Tudo o que precisa pode ser encontrado ou consumido durante a noite nos dias de celebração.

Quanto custa viajar pelo Egito

Mesmo com o dólar alto, quando comparado ao custo-benefício em infra-estrutura e atrativos de outros países, está barato viajar pelo Egito. Acontece porque a demanda caiu quando os turistas deixaram de ir em função dos fatos políticos do início da década. Isso já faz tempo e a vontade de conhecer as pirâmides tem sido maior que o medo de viajar para o Egito.

Moeda e câmbio 

Libra egípcia (EGP) é a moeda local e levar dólar tinha vantagem na conversão da época. Eu perdi dinheiro porque levei euro pensando que seria mais fácil de trocar pela proximidade com a Europa. Além disso, Grécia seria o destino na sequência. O ideal é avaliar próximo à data da partida qual moeda está mais valorizada e acertar na escolha, eu sabia disso e esqueci de conferir. Não faça o mesmo!

Um detalhe chato no Egito atual são as gorjetas. Falam um preço e sempre será mais porque todos que prestam algum serviço nos colocam na obrigação de dar mais dinheiro. 

Documentação

O visto para o Egito é feito ao desembarcar no país. O formulário será entregue dentro do avião ou solicite informações para um funcionário local. Com o formulário preenchido e passaporte em mãos, dirija-se primeiro ao banco para pagar a taxa de 25 dólares e lembre dessas dicas:

  • leve dinheiro em espécie (dólar americano) e trocado. Eu só tinha Euros e só trocaram depois de eu insistir, mas não tenho certeza se a conversão foi boa. Primeiro fizeram o câmbio e depois venderam o adesivo.
  • na dúvida, pergunte!

Por fim, vá para a fila da imigração (placas sinalizam nos corredores) com o visto no passaporte e certificado da vacina da Febre Amarela (parece que deixou de ser exigido esse ano, mas eu deixo sempre dentro do passaporte).

Seguro viagem não e obrigatório, mas é altamente recomendado pela assistência e gastos com saúde.

Como se vestir e o que levar

A mulher pode se vestir como quiser, inclusive usar biquíni nas praias, porém, o indicado é vestir-se de forma recatada. Evite decotes e comprimentos ousados e ombros de fora em lugares mais frequentados por locais. Uma boa solução é andar de calça-bermuda e echarpe, ou casaco leve por cima de uma blusa cavada, e usar conforme se sentir confortável. 

Itens essenciais: óculos, protetor solar, echarpe, repelente e bom senso.

Como se vestir no Egito atual? Deu para usar maiô e short na praia em Sharm El Sheik
De maiô e short na praia em Sharm El Sheik

É seguro viajar para o Egito

Mesmo com as recentes notícias de terrorismo, achei eficaz a segurança tanto do governo quanto dos empreendimentos. No aeroporto, museu e entrada de qualquer hotel tem raio x e vários seguranças. Nas estradas têm cachorros da polícia e militares fortemente armados pedindo documentos e fazendo perguntas a cada 100 km ou menos, isso na Península de Sinai.

Embora o Itamaraty ainda não recomende visitar a Península do Sinai no seu site, achei que valeu a pena ter ido, mas eu só descobri esse alerta quando estava de volta ao Brasil. Sugiro avaliar as informações na página antes de decidir o roteiro. E não deixe de ler o resultado da pesquisa dos países mais perigosos e os mais seguros para viajar sozinha.

Transporte e como circular 

O Aeroporto Internacional do Cairo, distante 20 km da capital, é a principal porta de entrada no país para quem chega por via aérea. Eu vim da Jordânia, tinha Sharm El Sheik como primeiro destino e a escala para tirar o visto no Cairo foi inevitável. Locais insistiram que teria sido muito mais barato atravessar Israel por terra, porém, pelas poucas informações disponíveis durante o planejamento, resolvi não arriscar. 

Apesar de ser possível fazer uma viagem independente, é recomendável contratar uma agência ou guias locais para transporte e passeios. Além do conhecimento do guia de turismo, é mais fácil circular pelas cidades e diminui o assédio de vendedores e mal-intencionados.

Guias falam português

Exceto o beduíno no Monte Sinai, todos os guias contratados pela agência que cuidou do meu roteiro falavam português e espanhol. E eles me esperaram com plaquinhas dentro da área restrita do desembarque.

O que fazer no Egito

Meu roteiro de seis dias foi o básico do Cairo explorando as pirâmides, mas antes, o programa foi de aventuras na Península de Sinai. Teve trilha para ver o sol nascer no Monte Sinai, mergulho no Mar Vermelho e descanso em resort pé na areia de Sharm El Sheik. Por acaso, um dos itinerários econômicos do Egito atual.

Mas o Egito tem muito mais a oferecer e eu fiquei com vontade de visitar Luxor, inclusive fazer um cruzeiro no Nilo entre Aswan e Luxor. Também mergulhar no mediterrâneo e passar pelo canal de Suez. Sahara é outra opção, mas este passeio fiz a partir das montanhas Alto Atlas do Marrocos.

Mergulhar no Mar Vermelho está entre as melhores experiências
Mergulhar no Mar Vermelho está entre as melhores experiências

Os locais

Meu contato com os locais foi resumido aos guias, funcionários de hotéis e museus. Sempre homens porque as mulheres não podem trabalhar no atendimento ao público ou serviços para estrangeiros, no máximo fazem o pão e te deixam observar sem emitir uma palavra. A conversa mais autêntica que tive foi com o beduíno de 19 anos que me levou ao topo do Monte Sinai.

Povo Beduíno

Beduínos são os árabes nômades que circulam pelo Oriente Médio desde antes do islamismo. As famílias costumavam se deslocar em camelos, com todos os seus pertences, e dormir em tendas conforme as estações do ano. Com a globalização, a maioria tem se adaptado, fixado residência e encontra no turismo uma fonte de renda.

Gamal, o guia beduíno
Gamal, o guia beduíno no Monte Sinai

Idioma do Egito Atual

Árabe é a língua oficial, mas o inglês, italiano e francês são falados nos lugares mais turísticos. Para comprar comida ou pasta de dente, foi preciso usar mímica nas ruas do Cairo, mas deu certo.

Pesquise mais curiosidades sobre o Egito atual e antigo na Wikipedia, tem bastante informação constantemente atualizada.

Cultura machista 

A desvalorização da mulher é chocante para quem olha de fora e não há nada que possamos fazer a não ser respeitar a cultura local. Já o assédio, não consegui me conter e soltei os cachorros quando me senti acoada tomando banho de mar em Sharm El Sheik. Foi arriscado, mas a estratégia deu certo logo no primeiro dia e percebi que poderia ser uma boa defesa para o resto da viagem. Assim foi e vou continuar usando nas próximas idas a países onde mulher não tem voz.

Na cultura deles, ter filhos e marido que permite que eu viaje sozinha a trabalho é aceitável. Pronto, a postura dos homens, aquele olhar e o cerco mudam, então é possível ter conversas civilizadas com os locais. Antes que o ataque comece por eu chamar de não civilizados, não é por serem muçulmanos ou egípcios, qualquer homem, em qualquer lugar do mundo que se aproveite do fato de eu ser mulher para me coagir, entra no mesmo padrão de falta de civilidade. Inclusive já aconteceu comigo aqui no Brasil.

Vamos ao início dos acontecimentos. A viagem começou na conturbada Península de Sinai, explicada nos textos sobre Dahab, Monte Sinai e Sharm El Sheik; e continuou no Cairo. É bom ler para compreender melhor o narrado a seguir.

Situação constrangedora

Tanto o guia quanto o recepcionista disseram não haver problema algum colocar biquíni e ir à praia privativa em frente ao hotel (na verdade, a passagem é livre e qualquer um poderia passar por ali). Mesmo assim, parecia segura com movimento de turistas descansando a vontade. A maioria, famílias russas e ucranianas em trajes de banho ousados para um país muçulmano. Tirei o vestido longo e entrei no mar de maiô, era raso e dava para ir quilômetros acompanhando o píer. Segui encantada pela água quando notei alguém de kite se aproximar, olhei ao redor e todos os banhistas estavam longe. Ele parou ao meu lado, sorriu e disse “Oi!”.

Na hora pensei: ele sabe que eu sou brasileira (havia comentado com algumas pessoas) e ingenuamente correspondi o sorriso. Então ele foi chegando cada vez mais perto com aquele olhar de desejo. Eu imediatamente fechei a cara, me afastei e perguntei em inglês o que significava o “oi” e ele falou:

“Você não é russa?!! Oi significa gostosa em russo.”

Subiu um calor de raiva e medo ao mesmo tempo, afinal, estava sozinha e as pessoas na praia nem escutariam pela distância. Xinguei, disse ser falta de respeito falar assim comigo, que eu era casada com filhos e estava ali a trabalho justamente para trazer turistas brasileiros (a cidade vive do turismo e os resorts estavam vazios). Ele retraiu e mudou o comportamento, voltou comigo até a areia conversando numa boa (acalmei a voz e puxei assunto até porque o receio continuava), ofereceu chá, bolo e aula de kite (era instrutor).

Ao me despedir e virar as costas, ouvi ele falando para os amigos:

“Brasileiras são muito gostosas!”

Me controlei para não xingar de novo e segui adiante. 

O que aprendi nesse primeiro dia no Egito?

  • Sorrir pode criar ideias conturbadas nas mentes masculinas, melhor evitar.
  • Quanto mais discrição no vestir e na postura, menos chama atenção e isso é bom nesses lugares.
  • Oi em russo significa gostosa e não um simples cumprimento.
  • Dizer que é casada tem filho e só viaja porque o marido permite, evita situações de risco e constrangimento. 

Acesso rápido:Clima | Custo | Visto | O que levar | Segurança | Transporte | O que fazer | Os locais | Conclusões

Eu incorporei essa personagem a viagem toda e consegui aproveitar bastante. Afinal, se o objetivo é curtir o destino, se adaptar é imprescindível para não estragar tudo. Estar acompanhada por um guia de confiança é uma boa solução, mas acho melhor aplicar as conclusões acima também ao profissional.

E você, o que faria nessa situação? Qual seria a sua defesa? Ou jamais iria para um lugar assim sozinha? Deixe sua opinião nos comentários.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.


Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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