fbpx
Trilha nas montanhas Dalarna

Dalarna: trilha, rena e sustentabilidade


As montanhas Dalarna compreendem mais de 3 mil quilômetros quadrados  de reservas naturais entre a Suécia e a Noruega, também chamada de Gränslandet. Ali as fronteiras não são oficialmente demarcadas, mas o guia avisava e o GPS provou como fiquei indo de um país a outro durante a trilha.

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

Seguro viagem é obrigatório na Europa: saiba como comprar online

Levei o chip internacional com Internet desde o Brasil e funcionou bem

Quer agendar passeios e transfer agora? Use a Get Your Guide ou saiba como funciona

Paisagem em Dalarna
Paisagem em Dalarna

Trilhas, renas e sustentabilidade em Dalarna

O significado da palavra Dalarna é vale e fez todo sentido ao subir e descer montanhas para ver os lagos no meio, as renas ou a floresta ancestral de pinheiros. Esse último link conta a visita ao Parque Nacional Fulufjället, além dele, alcancei o topo da montanha Båthusberget e percorri as montanhas de Idre, onde acampei no local que costuma ser o mercado de renas ou ponto de encontro do povo Sami. 

Esta é a região mais ao sul onde o povo Sami pode ser encontrado em sua rotina de cuidar das renas. Conforme o clima, milhares desses animais ficam soltos em busca do precioso líquen, musgo que também nos alimenta nas receitas sustentáveis de quem vive por ali, afinal, eles aproveitam tudo. Sem dúvida, caminhar lado a lado com uma rena e aprender sobre a cultura indígena da Europa foi o ponto alto do roteiro e vai render um texto exclusivo em breve. Para ter um ideia, os Samis estão presentes nos países nórdicos há 3500 anos e dependem das renas tanto quanto os animais precisam deles. É uma relação linda e muito diferente do esperado encontrar no continente.

Nosso jantar foi carne de rena com líquen e berries catadas durante a trilha
Berries em Dalarna
Berries colhidas no chão
Pausa para o fika nas montanhas Idre, em Dalarna
Pausa para o fika porque a rena queria descansar

Dalarna é um destino muito procurado pelos suecos de todas as idades, sendo o quintal dos moradores da capital Estocolmo, frequentadores assíduos para pesca, trilhas e acampamento de final de semana. E isso começou com um incentivo do governo da Suécia no início do século XX. Estações de montanha com hospedagem e restaurante foram construídas para fornecer a infraestrutura ao turista. Elas são simples e rústicas, mas oferecem serviços úteis como uma sala aquecida funcionando como secadora das roupas e sapatos molhados durante as aventuras, cozinha compartilhada, guias, aluguel de equipamentos e sauna.  

Refúgio sustentável nas montanhas Dalarna

Me hospedei na STF Grövelsjöns, a localização mais alta (816 metros) de todas as estações e talvez a mais amigável com o meio ambiente. Ganhou prêmio de sustentabilidade como reconhecimento pelos esforços em reduzir o impacto ambiental no bioma tundra (encontrado somente nos Pólos e nos Alpes).

Chama a atenção a praticidade para conter custos e tornar igualitário o esforço entre todos, hóspedes e funcionários. Por exemplo, havia um aviso na minha suíte dizendo não ter serviço de quarto, seria limpo após a minha saída e eu mesma deveria arrumar a cama (lençóis estavam dobrados no colchão) e retirar o lixo se ficasse incômodo. Havia uma caixa de madeira com espaços para separar o lixo a ser reciclado. Outro detalhe é cada um montar o seu próprio lanche de trilha em uma área reservada para isso no restaurante. Pode servir a vontade (cereais, pães, wraps, ovo cozido e salgados fritos) e levar nos sacos de papel.

STF Grövelsjöns deve ser reservado com antecedência, mesmo com grande número de leitos costuma lotar nas temporadas de ski e trilhas. Serve café da manhã com produtos típicos e chá da tarde para todos. Existe pensão completa ou meia, mas deve ser confirmada até o fim de cada manhã. A localização é 10 minutos da fronteira com a Noruega.

Restaurante do hotel
Restaurante do hotel tem vista
Buffet para preparar o lanche de trilha
Buffet para preparar o lanche de trilha

Trilha Båthusberget

Subir a montanha Båthusberget foi desafiador pela mudança de clima em poucas horas. Começou com névoa, a chuva fraca ia e vinha com as nuvens, teve tempestade com vendaval e terminou com sol e uma luz linda mostrando toda a beleza oculta aos olhos no início, porém, presente o tempo todo no nosso estado de espírito. Mesmo molhada, congelada e com cara de acabada (vídeo), eu me sentia feliz de verdade por estar ali compartilhando o momento com aquelas pessoas. O grupo era formado por viajantes do mundo e suecos idosos que adoram caminhar por ali.

Me esquentando no sol
Me esquentando no sol

Durante 6 horas o guia foi contando curiosidades sobre a cultura da Suécia, a natureza ao redor e a história da região. Enquanto caminhávamos fomos conhecendo uns aos outros, aprendendo e catando berries no chão. O solo é muito diferente de todos os já trilhados por ser úmido e colorido. Inclusive, levar tombos é gostoso de sair rolando na vegetação fofa. 

Guia local em Dalarna
Guia conta curiosidades sobre a cultura da Suécia, a natureza ao redor e a história da região

Além da água para hidratar e o lanche de trilha, cada um leva o seu café ou chá em térmica para esquentar o corpo nas paradas para o fika. Segundo o guia local, o motivo dos suecos fazerem trilhas com os amigos, não é a paisagem é o momento do fika, a palavra criada por eles para fazer uma pausa e comer algo enquanto bate papo. Já para o sami Peter, a melhor parte da trilha é sentar e observar em silêncio. Ele se jogava no chão a cada parada e se acomodava sempre na mesma posição deitado de lado.

Tome Nota

Como chegar: os aeroportos internacionais mais próximos ficam em Oslo, Estocolmo ou Gotemburgo. Cheguei ali de van vindo da Noruega com o grupo e parti de trem a partir de Mora rumo a Gotemburgo, mas pode alugar um carro, as estações de montanha e os parques dispõem de estacionamento.

Quem leva: Peter e Helena são proprietários da Renbiten, receptivo e loja de souvenir da cultura Sami em Dalarna. Eles organizaram todo o meu roteiro de 6 dias e mostraram de forma autêntica o seu modo de vida.  

Como fica a saúde nesse clima: uma senhora sueca de 70 anos, que viajava sozinha, percebeu o meu sofrimento com o frio nas pausas para descanso e aconselhou uma sauna antes de dormir para não ficar gripada. Fiz e realmente não fiquei doente. O hábito da sauna é muito forte na Suécia, está presente nas hospedagens e também nas residências.

O que levar: é essencial vestir roupas de frio impermeáveis e camiseta dry fit para quando o sol esquenta, além de capa de chuva para mochila ou saco estanque para o que não pode molhar. Levei as mesmas peças listadas neste artigo sobre Uyuni com acréscimo da calças impermeável comprada especialmente para o clima no ártico. Se for no inverno é preciso roupa especial para 25 graus negativos.

Fotos de Dalarna

Montanha em Dalarna
Pinheiros
Liquen venenoso e raro de encontrar
Nosso grupo
Caminhos pela floresta
Caminhos pela floresta
Vista para os lagos
Cores de outono no início de setembro
Cachoeira em Dalarna
Trilha em Dalarna
Trilha Båthusberget

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Fotos de Roberta Martins e Vishwas.

Esta viagem foi a pré aventura do Adventure Travel World Summit à convite de Visit Sweden e ATTA.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Chame via WhatsApp