gastar pouco em Paraty

Como gastar pouco em Paraty


Muitas vezes quando estou viajando ouço “queria ter dinheiro para ir lá” ou “você é rica!”, e não é bem por aí. Na última vez eu estava em Paraty, em uma praia linda, quase deserta, para a qual paguei menos de R$5 para chegar e cerca de R$20 para me hospedar em um bom hostel com refeição. Acredito que viajar depende muito da disposição para o planejamento e economia, ainda que para um destino famoso e considerado caro.

Paraty é situada no litoral sul do estado do Rio de Janeiro, próxima a divisa com o estado de São Paulo. A cidade é parte da Costa Verde, que compreende praias paradisíacas contornadas pela mata atlântica desde o litoral norte paulista até o litoral sul fluminense. Além de ser famosa por sua história e arquitetura preservada desde o período colonial, o município é localizado próximo a belíssimas paisagens naturais.

Como gastar pouco em Paraty

Por Desirée Freitas

Centro Histórico de Paraty
Centro Histórico de Paraty

Em maio de 2017, em meio a um mochilão, visitei a cidade pela primeira vez. Após subir o litoral paulista, já tendo visitado muitas praias lindas, a parada em Paraty era estratégica para mergulhar na história. Porém, me deparei com muitas outras opções de atividades! Meses depois, em novembro, quando estava programando uma fugidinha da capital paulista em um feriado, voltei à Paraty por ser o destino mais barato na Costa Verde.

 

Apesar de ser um dos pontos turísticos mais conhecidos do país e visita obrigatória de muitos estrangeiros no Brasil (sempre que encontro gringos em hostels eles estão indo ou vindo de Paraty), além de brasileiros, claro, a viagem à cidade pode ser bastante econômica. A seguir vou compartilhar todas as dicas pra curtir o local sem perrengues e conseguindo gastar pouco em Paraty!

Qual a maneira mais econômica de chegar em Paraty?

Paraty está praticamente no meio do caminho entre as capitais São Paulo e Rio de Janeiro, onde também estão os grandes aeroportos mais próximos. Saindo dessas cidades, a maneira mais econômica para chegar é através do BlablaCar – aplicativo de caronas que geralmente tem muitas opções nesses trajetos. Os valores que encontrei nas pesquisas saindo de São Paulo estavam em torno de 40 a 60 reais. Entre os trechos saindo de SP e RJ, eu particularmente prefiro o primeiro: a estrada e o trânsito são melhores.

 

Já se preferir ir de ônibus, de São Paulo a empresa Reunidas Paulista faz o percurso por R$65 na opção mais econômica; do Rio a viação Costa Verde tem passagens em torno de R$80. Já fiz esses trajetos de ônibus de ida e volta de SP à Paraty e os serviços foram bons; já de Paraty ao RJ não tanto (a estrutura do ônibus não era tão boa e houve mais paradas), mas ambos os percursos com várias opções de horários (incluindo viagens noturnas que ajudam a economizar na hospedagem – dois dos meus trajetos foram na madrugada)!

Hospedagem barata em Paraty

A hospedagem em Paraty é muita barata! Já vi algumas dicas de campings por lá, mas nas minhas pesquisas encontrei hostels com diárias tão baratas quanto ou muito pouco mais caras. Pra quem prefere um pouco mais de conforto sem pagar caro, como eu, é um ótimo custo-benefício. Na minha primeira estadia, em maio, 3 diárias no Geko Hostel com café da manhã em plena praia custaram no total R$83. Na segunda vez, em pleno feriadão em novembro, 4 diárias no Vibe Hostel, bem localizado no centro histórico e com café da manhã incluso, totalizaram R$98. A dica é reservar tudo pelo Booking.com, que sempre tem ofertas e uma boa variedade de opções.

Booking.com

Passeios baratos em Paraty

São vários os passeios que se pode fazer pela região. Inúmeras praias e ilhas de águas super azuis e verdes, mas a maioria com acesso somente por barcos ou por alguns quilômetros de estrada. Ainda assim, muitas opções podem ser bastante fáceis e econômicas:

Paraty Free Walker Tour

A maré inundou as ruas no fim da tarde, deixando os cliques ainda mais bonitos
A maré inundou as ruas no fim da tarde, deixando os cliques ainda mais bonitos

Ótima opção para conhecer toda a história da cidade e região. É um serviço que oferece tours gratuitos, podendo você contribuir com o valor que achar justo ao final. O(a) guia de turismo leva você para uma caminhada pelo centro histórico, visitando pontos importantes da história local e contando boas curiosidades. Vale muito a pena, principalmente pra quem está viajando sozinho(a), como era meu caso. Conheci outros viajantes que estavam só e que se tornaram ótimos parceiros pra continuar a viagem! Os tours acontecem diariamente em 2 horários diferentes, um em inglês e outro em português. Mais informações em Free Walker Tours.

Centro histórico e comprinhas

O passeio pelo centro histórico, guiado ou não, é especial. Em um dia nublado e mais friozinho, fui fazer fotografias pelas ruelas da cidade. Para minha sorte a lua estava cheia e com isso a maré inundou as ruas no fim da tarde, deixando os cliques ainda mais bonitos. Um fenômeno lindo em harmonia com a arquitetura local.

No centro de Paraty está também a Casa de Cultura aberta à visitação e com programação ativa. Mais informações em Paraty Cultural.

Um passeio à noite pelo centro também é uma boa pedida. Além de seguro, por lá estão vários restaurantes, bares, lojinhas e geralmente apresentações musicais gratuitas. Para gastar pouco em Paraty com as compras evite a Rua da Lapa. É a rua principal de acesso ao centro histórico e ali tudo é mais caro que nas demais.

Passeio de barco pelas praias e ilhas

A dica aqui é pesquisar e pechinchar. São muitas as agências de turismo em Paraty, muitas mesmo. Em uma voltinha pelo centro histórico você encontra vendedores oferecendo todos os tipos de passeios e por vários valores. Variam de acordo com os serviços oferecidos e com a capacidade dos barcos. Em geral, nos barcos maiores, que carregam mais de 100 pessoas, os passeios custavam cerca de R$30; já nos barcos menores custavam em torno de R$60 e normalmente oferecem equipamentos de mergulho e free caipirinhas. Os tours duram por volta de 5h e possuem roteiros que variam entre: Praia da Lula, Praia Vermelha, Praia da Conceição, Ilha Comprida, Lagoa Azul, Saco do Mamanguá, dentre outras.

Na minha primeira vez na cidade fechei com um tour desses direto na recepção do hostel pouco antes do passeio, mas não caia nessa tentação se pretende economizar. Na segunda vez fui direto até o cais, de onde os barcos saem, e falei direto com os proprietários que ficam oferecendo os tours. Disse que já havia feito o passeio e que não queria caipirinhas nem pretendia mergulhar (com os equipamentos). Consegui por metade do preço!

Baía de Paraty
Baía de Paraty

Passeio pelas cachoeiras

Muitas agências oferecem também um passeio de jipe pelas cachoeiras da Pedra Branca e do Tobogã, que termina com visitações e degustações em cachaçarias locais. São belos locais em meio à mata, com acesso por trilhas curtas e fáceis. A maior dificuldade é a estrada até elas, a qual justifica a aventura do tour de jipe. Na cachoeira do Tobogã é possível deslizar nas pedras lisas com águas correntes e saltar em uma piscina natural como se estivesse, de fato, num tobogã. Só de ver os meninos locais fazendo manobras em alta velocidade nas pedras já é uma atração! Se possível escolha um dia quente para visita-las, pois as águas são muito geladas!

Desirée da dicas de como gastar pouco em Paraty
Cachoeiras em Paraty
Alambique
Alambique

 

O passeio de jipe dura de 4h a 5h e encontrei por R$70 nas duas vezes que passei por Paraty, mas também é possível pegar o ônibus circular que passa pela região. Visitei as cachoeiras na minha primeira viagem e acabei escolhendo o passeio de jipe pra acompanhar um pessoal que havia conhecido no hostel, sem saber que havia a possibilidade de ir de ônibus. Mas ok, além de muito divertido, foi uma delícia provar todas as cachaças artesanais típicas da região durante o passeio pelos alambiques. Se eu tivesse que dar uma dica só sobre Paraty: prove a cachaça Gabriela (cravo e canela)!

Praia do Pontal e Praia do Jabaquara

São as únicas próximas ao centro histórico e não necessitam de meios de transporte para acesso. A praia do Pontal tem um belo visual junto ao cais, apesar de não ser recomendada para banho. No caminho entre o Pontal e a praia do Jabaquara, mais frequentada por moradores locais, encontra-se um forte com um mirante, ideal para ver o pôr-do-sol. Essas praias não possuem águas claras como as demais, mas contam com uma orla com uma boa estrutura.

Cais do Porto
Cais do Porto

Trindade

Na vila de Trindade estão as praias mais bonitas. É realmente imperdível a ida até lá, além de muito barata! Dentre as principais estão a Praia do Cepilho, Praia dos Ranchos e Praia do Meio.

A Praia do Cepilho é a primeira, logo na chegada à vila de Trindade. Apesar de muito bonita, possui ondas fortes, sendo mais apropriada para surfistas.

Praia dos Ranchos
Praia dos Ranchos

A Praia dos Ranchos é a mais estruturada e também a mais cheia. Por esses motivos, segundo alguns moradores, suas águas não são tão limpas.

Já a Praia do Meio é a minha preferida. Um lindo visual de águas muito claras cercado de formações rochosas e da vegetação local. A praia é pequena e termina em um riozinho por onde começa a trilha para a praia do Cachadaço. A trilha dura cerca de 20 minutos e é um tanto íngreme. Apesar de curta, eu não recomendaria em dias chuvosos ou após períodos de chuva, pode ser bastante escorregadia. A Praia do Cachadaço é mais vazia e com ondas fortes, não sendo ideal para banhistas, mas ao seu fim está a trilha para as piscinas do Cachadaço – um destino bastante procurado.

Praia do Meio
Praia do Meio

Em uma ida à Praia do Meio, uma amiga me convenceu a visitar as tais famosas piscinas. Era nosso último dia de viagem e resolvemos pagar para fazer o trajeto de barco, evitando as duas trilhas pela praia do Cachadaço para chegar lá. A ida e volta custou R$30 para cada uma e este foi o pior investimento!

Piscinas do Cachadaço com grande movimento
Piscinas do Cachadaço com grande movimento

Era uma tarde de domingo em meio a um feriadão e as piscinas estavam lotadas. As grandes pedras que as formam estavam tomadas de turistas e vendedores ambulantes, uma grande “farofada” em tão pouco espaço. Sem ter onde deixar nossas bolsas, não podíamos sequer dar um mergulho. Era preciso ainda se equilibrar com os pertences para caminhar pelas águas onde se pisava em pedras escorregadias e, para piorar, havia começado a chover e a maré estava subindo. Não aguentamos nem meia hora por lá e decidimos voltar: a perfeita visão “expectativa X realidade” dos locais turísticos! A não ser que você vá num dia de semana, com menor movimento, eu não recomendaria.

A partir da Praia do Meio é possível ir também até a Cachoeira da Pedra que Engole. Uma trilha saindo da praia leva até lá. Um lugar também bastante visitado pela curiosidade da pedra que funciona como um túnel subaquático.

O ônibus para a vila de Trindade sai da rodoviária de Paraty, custando R$4,25, mas há um porém: a procura é enorme em fins de semana e feriados e os ônibus saem somente a cada 1 hora. Ou seja, as filas são bem grandes e os veículos são lotados. Consulte os horários de saída e chegue cedo para ir sentado. O trajeto é de 1h e cheio de subidas e descidas. Na primeira vez que fui estava um dia muito quente, o ônibus cheio e eu em pé. Com as várias curvas e subidas comecei a me sentir mal, a minha pressão baixou e quase desmaio no corredor lotado.

Paraty Mirim

Igreja Nossa Senhora da Conceição
Igreja Nossa Senhora da Conceição

Paraty Mirim é uma praia tranquila de águas cristalinas que desembocam em um rio – quase uma piscina natural. Foi um dos passeios que mais gostei na região, tanto pelo sossego quanto pela beleza e calmaria das águas. Em comparação com as demais praias visitadas, Paraty Mirim estava bem mais vazia. Além disso, também é cercada de história registrada pela presença da igreja de Nossa Senhora da Conceição, uma das mais antigas, já em ruínas. A praia, no passado, foi porto de desembarque de escravos na região.

Com acesso que também pode ser feito de ônibus a partir da rodoviária de Paraty, o trajeto dura cerca de 30 a 40 minutos e a passagem custa R$4,25. Apesar de o percurso ser feito em grande parte em uma estrada de terra, é um deslocamento bem mais tranquilo do que o feito até Trindade pela procura ser bem menor.

Praia do Sono

 

Apesar de essa ser uma das praias preferidas dos viajantes, esse passeio eu ainda não fiz. Confesso que não sou uma grande fã de trilhas e essa dura aproximadamente 1h30 (em torno de 3h no total, ida e volta), em uma distância de 4km. Mas, para quem curte a aventura como mostra o relato aqui no site, esse é, sim, um passeio barato. Basta pegar na rodoviária de Paraty o ônibus com destino à Vila Oratório, descendo próximo ao condomínio Laranjeiras que é por onde a trilha se inicia. O valor da passagem é RS 4,25. O trajeto dura em torno de 1h, portanto programe-se para sair com tempo de chegar e fazer a trilha e, principalmente, para na volta não correr o risco de fazer a trilha ao escurecer.

Outra opção para evitar a trilha é pegar um barco saindo do Condomínio Laranjeiras. Um trajeto que vi sendo oferecido por uns R$30.

Alimentação barata em Paraty

Os restaurantes no centro histórico são badalados, mas geralmente mais caros. Um pouco fora desse circuito, na Avenida Roberto Silveira, logo antes da entrada no centro histórico, saindo pela Rua da Lapa, estão algumas opções mais em conta. Desde buffet bom e barato de comida caseira por kilo, pizzaria, e até lanchonete de fast food com pedidos completos por menos de R$20.

 

Outra alternativa, a minha preferida para gastar pouco em Paraty com alimentação, é comprar alguns ingredientes e/ou lanches nos supermercados locais. Um dos hostels em que me hospedei ficava ao lado de um grande supermercado com preços muito bons, incluindo até produtos de padaria e refeições prontas, então, por vezes, cozinhava algo simples no próprio hostel.

Sugestão de roteiro para 3 ou 4 dias em Paraty

Com a grande oferta de empresas oferecendo passeios, não é necessário agendamentos com muita antecedência. Sendo possível escolher o que fazer de acordo com o clima a cada dia, sem perigo de não haver vagas.

Com 4 dias, é possível montar um roteiro que inclua todas as principais atrações. Com menos tempo é possível reajustar as atividades de acordo com a preferência e/ou sua duração:

Dia 1: City tour

Passeio pelo centro histórico pela manhã (podendo ser o tour gratuito guiado) e ida às praias do Pontal e do Jabaquara pela tarde, ou Paraty Mirim.

Igreja Nossa Senhora das dores
Igreja Nossa Senhora das dores

Dia 2: Ida às praias de Trindade

Dedique um dia inteiro por conta do deslocamento e do tempo para visitação das praias (e talvez trilhas).

Praia do Cachadaço
Praia do Cachadaço

Dia 3: Passeio de barco pelas praias e ilhas

Desirée da dicas de como gastar pouco em Paraty
Mergulho durante o passeio de barco

Praticamente um dia inteiro, já que os passeios saem no fim da manhã e voltam no fim da tarde.

Dia 4: Cachoeiras e alambiques

Passeio pelas cachoeiras e alambiques (saindo com tour de jipe ou de ônibus por conta própria) pela tarde (meio turno – passeios iniciam ao meio dia e terminam no fim da tarde). Ou ida à Praia do Sono (dedique um dia inteiro para o deslocamento e a trilha).

 

Desirée da dicas de como gastar pouco em Paraty
Pose no Centro Histórico de Paraty

Desirée Freitas é designer, licenciada em letras e trabalha com planejamento e criação de conteúdo. É uma viajante apaixonada por história, pessoas e culturas. Sonha em conhecer o mundo fazendo de suas viagens a sua profissão.

Índice Como gastar pouco em Paraty:

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Desirée Freitas

Desirée Freitas

Desirée Freitas é designer, licenciada em letras e trabalha com planejamento e criação de conteúdo. É uma viajante apaixonada por história, pessoas e culturas. Sonha em conhecer o mundo fazendo de suas viagens a sua profissão.

2 comentários

  1. Excelente! Obrigado pelas dicas, e pela generosidade e compartilha-las.

  2. Seu post me ajudou bastante. Anotei várias dicas, muito obrigado por compartilhar sua viagem.

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