Carolina

Carolina para banho de cachoeira e de cultura


Parei em Carolina para conhecer a Chapada das Mesas e lá descobri uma cidade surpreendente pelos patrimônios naturais e culturais. Dona de uma história ousada, sempre teve a água como propulsor econômico. Antes para o progresso e agora para o ecoturismo.

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Saiba onde me hospedei em Carolina

Vem para Chapada comigo!
Em junho de 2019 vou levar um grupo para conhecer o melhor da Chapada das Mesas. Demonstre o seu interesse clicando no botão e entrarei em contato com todas as informações.

O lugar tranquilo, com cerca de 25 mil habitantes, é cercado por montanhas, rios, cavernas, cachoeiras, nascentes e muito verde no sul do Maranhão. Exatamente nas margens do Rio Tocantins, divisa com o Estado do Tocantins.

História de Carolina

O nome Carolina é em homenagem à primeira Imperatriz do Brasil – Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda de Habsburgo-Lorena ou simplesmente Dona Leopoldina, a esposa de Dom Pedro I.

Perto dos 200 anos de idade, Carolina viveu seu auge no século XX quando nem haviam estradas (mas aeroporto tinha!) e o Rio Tocantins era a principal via de transporte para outras cidades como Belém. Isto porque um carolinense visionário conseguiu projetar e construir, no meio do Brasil, a segunda hidroelétrica do Nordeste, sendo a primeira da região Norte.

Fachada do Museu Histórico de Carolina inaugurado dia 15 de julho deste ano
Fachada do Museu Histórico de Carolina inaugurado dia 15 de julho deste ano

Vinte anos antes (1925), a Coluna Prestes esteve ali e, ao contrário de outros municípios por onde passou, ninguém teve medo. A população de bom nível intelectual recebeu os revoltosos com boa acolhida, saraus e interesse.

Estas e outras histórias provando que Carolina sempre foi rica culturalmente, vi e ouvi no recém inaugurado MUSEU HISTÓRICO DE CAROLINA. Dias antes da abertura, fui guiada por dois dos seus idealizadores – Hélio e Tom, membros da ONG Carolina Via Verde. Entre os ajustes finais para a exibição do acervo, mostraram documentos oficiais, fotografias, variadas peças doadas e os espaços para as exposições temporárias dentro de uma construção réplica da casa colonial que existia no mesmo local em 1830.

Pilares da Chapada das Mesas na estrada que leva a Carolina
Pilares da Chapada das Mesas na estrada que leva a Carolina

Com a criação da Rodovia Belém-Brasília passando pela cidade de Imperatriz e o fechamento do aeroporto, Carolina ficou isolada por anos e quase caiu no esquecimento. Mas agora ressurge como o paraíso das águas para os amantes de atividades na natureza por ser a porta de entrada na Chapada das Mesas. E como este era o meu maior interesse, não conheci a cidade como deveria. As visitas noturnas se limitaram à praça principal, museu, rodoviária e restaurantes.

Praça principal em clima de festa Junina
Praça principal em clima de festa Junina

 

Paçoca, vatapá e brigadeiro
Paçoca, vatapá e brigadeiro

Onde ir em Carolina

A PRAÇA JOSÉ ALCIDES DE CARVALHO é uma praça de alimentação e convívio social ao ar livre. Restaurantes e barracas de artesanato ficam ao redor e o movimento aumenta nos meses de junho e julho por causa das férias. Quando as apresentações de quadrilhas, música ao vivo, decoração e barracas com comida típica nos envolvem no clima de festa junina. Provei brigadeiro, vatapá (longe do mar é feito com frango e fica gostoso) e paçoca (muita farinha dura com um pouco de carne seca não ficou bom, mas tem quem goste).

Ainda na praça conversei com um artesão de Palmas que tem vindo todos os meses de julho mostrar o seu trabalho em Carolina. Ele cria bijuterias de capim dourado mescladas com pedras coloridas deixando as peças mais elaboradas. No entanto, o artesanato que mais me chamou atenção na Chapada das Mesas foram os colares da Biojoias, são pingentes delicados utilizando resíduos de árvores em decomposição, flores secas e sementes locais como matéria prima. A coleta é feita com cuidado para não degradar o meio ambiente, envolta em resina e acabada com fios e sementes. Além de sustentável, achei uma lembrança original para se levar de Carolina.

Brincos feitos de capim dourado, matéria prima do Jalapão
Brincos feitos de capim dourado, matéria prima do Jalapão

 

Colares sustentáveis da Biojoias
Colares sustentáveis da Biojoias

 

 

 

 

 

 

 

O MUSEU HISTÓRICO DE CAROLINA funciona de terça a sexta, das 10h às 12h e das 16h às 18h. Sábados, das 10h às 12h na rua Diógenes Gonçalves, 373. A entrada custa R$ 5,00.

Veja mais peças no site da BIOJOIAS DO BRASIL ou visite o ateliê na Av. Elias Barros, 363

Restaurantes em Carolina:

Beirute na Pizzaria Tio Pepe
Beirute na Pizzaria Tio Pepe

PIZZARIA TIO PEPE é uma das opções para aproveitar a animação da praça José Alcides de Carvalho. Experimentei o Beirute com filé e adorei, é bem recheado.

 

CHURRASCARIA ESTRELA DO SUL é um buffet à quilo com saladas e carnes direto com o assador. Excelente custo benefício para almoço na BR 230, km 01.

O prato cheio na churrascaria
O prato cheio na churrascaria

 

Churrasco no nordeste
Churrasco no nordeste

 

 

 

 

 

 

 

Na POUSADA CHAPADA DAS MESAS não cheguei a entrar, apenas sentei na mesa da rua e pedi espetinhos. Foi bom e baratíssimo na rua Getúlio Vargas. 

 

O que fazer nos arredores de Carolina

Ver o pôr e nascer do sol, a cidade de Carolina, os Pilares da Chapada e o Morro do Chapéu no Portal da Chapada. É uma pedra furada que lembra o formato do mapa do Tocantins, fica no alto de um morro na beira da rodovia BR 230. O acesso é curto por trilha íngreme entre pedras e areia fofa.

Chapada das Mesas vista do Portal da Chapada
Chapada das Mesas vista do Portal da Chapada

Trilhas

Do mirante Portal, o MORRO DO CHAPÉU é o que se destaca e dá vontade de fazer a trilha. Infelizmente, ficou fora do meu roteiro, mas dizem que vale a pena subir os 378 metros para ter a melhor vista da região. Uma alternativa para uma visão panorâmica da Chapada é fazer a trilha do Mirante, parte do passeio 3 Encantos.

O Morro do Chapéu
O Morro do Chapéu

Sentir adrenalina

Se jogar da maior tirolesa do Brasil eu fiz! Foram 1400 metros apreciando o visual com o vento na cara e sensação de liberdade dentro do Complexo da Pedra Caída. O local tem ótima infraestrutura para hospedagem e 25 cachoeiras.

Vista da Pedra Caída é a mesma na tirolesa ou teleférico
Vista da Pedra Caída é a mesma na tirolesa ou teleférico

Cachoeiras

Bem perto de Carolina fica o ITAPECURU, um parque com cabanas, restaurante e bastante movimento ao redor das Cachoeiras Gêmeas de Itapecuru (8 e 10 metros de altura). Principalmente nos finais de semana e férias. É daqueles lugares para ficar dentro d’água chamando o garçom pra te servir ou pegar o caiaque e encarar a cachoeira de frente. Essas são as cachoeiras da primeira hidrelétrica mencionada no texto e as ruínas ainda estão por lá.

Cachoeiras Gêmeas do Itapecuru
Cachoeiras Gêmeas do Itapecuru

O Parque Nacional da Chapada das Mesas é uma das mais novas reservas do país e ainda está sendo estruturada. Vale a visita nas duas maiores cachoeiras: São Romão e Prata.

Cachoeira da Prata em época de seca
Cachoeira da Prata em época de seca

Arte Rupestre

As inscrições rupestres no MORRO DA FIGURA foi outro passeio que ficou de fora. Apenas vi da estrada a formação rochosa que instiga a imaginação. E finalmente, terminar o dia com o pôr do sol no Rio Tocantins é mais um espetáculo para ser visto diariamente em vários pontos da margem.

Pôr do sol no Rio Tocantins
Pôr do sol no Rio Tocantins

Inspire-se com o vídeo Felicidade em 4 dias na Chapada das Mesas

Tome Nota Carolina

Minha suíte na Pousada do Lajes
Minha suíte na Pousada do Lajes

Hospedagem em Carolina: passei três noites confortáveis na POUSADA DO LAJES. Localizada na entrada da cidade, facilitou a saída para os passeios. Mas não tinha como ir a pé até o centro. Situação resolvida para quem contrata os pacotes da CIA DO CERRADO, me levaram todas as noites para a praça principal e combinávamos uma hora para voltar.

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Tem área com churrasqueira, piscina, estacionamento e bar vendendo lanches no mesmo local onde é servido o café da manhã. Pena que eu saía sempre correndo para os passeios e não aproveitava as coisas boas do café com calma.

Adorei o bolo de roda
Adorei o bolo de roda

 

Frutas, pães e sucos no café da manhã
Frutas, pães e sucos no café da manhã

 

Como chegar a Carolina: distante 850 km de São Luís e 222 km de Imperatriz, de onde partem os voos para capital. O jeito é alugar um carro ou pegar ônibus pinga-pinga. Mas com a reabertura do aeroporto de Carolina em julho, surgiu uma nova opção operada pela Sete Linhas Aéreas. São três voos semanais para Brasília com escalas em Palmas e Araguaína (TO).

Eu peguei um ônibus em São Luís para Estreito e de lá para Carolina na ida. Na volta entrei no ônibus para Imperatriz e peguei o avião para São Luís. A dica para quem vai pegar o voo em Imperatriz é pedir para o ônibus parar no Shopping Imperatriz e lá esperar até a hora do voo. Tem mais estrutura que a rodoviária e fica bem mais perto do aeroporto.

Curtindo as cores do pôr do sol da piscina da Pousada do Lajes
Curtindo as cores do pôr do sol da piscina da Pousada do Lajes

Os passeios e a hospedagem foram cortesia da Cia do Cerrado e Pousada do Lajes.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 12 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

5 comentários

  1. Roberta, vc fez nossa história ( de Carolina),mais bonita ainda. Obrigada pela sensibilidade ao descrever nossa Cidade.

  2. Que barato esta tua reportagem…poeta você hem! e o por do sol no Rio Tocantins…em viagem para São Luiz, passei por Carolina …mas infelizmente foi mesmo de passagem, me encantei com o volume d’água que forma o lago do Tocantins em Palmas, viajei em sua margem por algum tempo, quando cheguei em Carolina curti um pouco a praça mas continuei a viagem bem cedo, para chegar também num lugar lindo – Lençóis Maranhences, conhece?
    Com sua dica, com certeza vou voltar agora para Carolina e viver estas cachoeiras. Valeu – Grande Abraço.

    1. Oi Jonas, conheço sim. Antes de Carolina fiz a Rota das Emoções (Jeri, Delta e Lençóis) e achei a parte mais bonita Lençóis. Já tem texto aqui, procura pelo menu BRasil pra ver as fotos.

      Gosto de escrever textos poéticos, mas longe de ser poeta, rsrs

  3. A forma como descreve a nossa Carolina é linda e poética.Muito obrigada. Quero fazer 2 ressalvas. O Museu Histórico de Carolina, é de criação, organização e montagem da Ong Carolina ViaVerde, Ong essa criada em Brasília por Carolinense e descendentes. Tendo a frente o senhor Rodolfo Fortes como secretário-executivo e em Carolina como diretor do museu o senhor Hélio Ney como citado. O senhor Tom como curador do mesmo. O segundo é sobre o bolo, que além é bem tradicional em nossa culinária, chama-se Mangulao ou Bolo de Roda, e de forma alguma leva queijo em sua receita original, por isso não gostamos quando o comparam a pão de queijo grande. Obrigada por suas palavras sobre nossa Carolina. Estamos sempre receptivos a pessoas que gostam, como Você de nos contar histórias, ouvir nossas histórias e que amam nossas gente e natureza. Mais uma vez obrigada.

    1. Olá Alzira, obrigada pelo seu comentário, nem sempre eu acerto e esse retorno dos leitores é sempre bem vindo.
      Quanto ao bolo, já arrumei na legenda e foi algo que tirei da minha cabeça, ninguém me explicou o que era.

      Sobre o museu, coloquei o link para a fanpage para que as pessoas possam se informar melhor sobre os detalhes, aqui apenas passo as minhas impressões pessoais. Eles me falaram sobre a Ong Carolina Via Verde, mas como não encontrei o site deixei só o do museu. Se tiver um endereço online, por favor me passe para eu acrescentar na matéria.

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