Parintins

Parintins, a verdadeira festa popular brasileira


A minha primeira experiência no Amazonas foi espetacular, algo que eu não tinha imaginado nem de longe. Sabia que o Festival Folclórico de Parintins era uma das maiores festas populares do país, que marcas investem alto para ter seu nome ligado ao evento e que tudo gira em torno da disputa dos bois Caprichoso e Garantido. O que eu não esperava era encontrar tamanha energia e expressão realmente popular.

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Abertura do Garantido
Abertura do Garantido

Festival Folclórico de Parintins

É uma grande festa do povo para o povo onde os patrocinadores são obrigados a se adaptarem (a marca Coca-Cola, por exemplo, foi exibida em azul e branco na arquibancada do Caprichoso e lá é o único lugar do mundo onde a lata é azul); onde o cenário é artesanal e mecânico feito por centenas de artistas talentosos que inspiram carnavalescos famosos; onde as torcidas são organizadas, vestem a camisa com a alma e respeitam o adversário; onde o maior espaço do Bumbódromo é de graça destinado aos locais. Ou seja, é uma das maiores manifestações culturais preservadas da América Latina.

Boi Caprichoso se apresenta no Bumbódromo, Parintins, Amazonas - Brasil
O boi Caprichoso entre os dançarinos
Boneco entra voando (puxada por guindaste) e se posiciona na arena
Boneco entra voando (puxada por guindaste) e se posiciona na arena

O festival dura três dias (de sexta a domingo), sendo três apresentações de seis horas em que cada boi tem três horas por dia para contar sua história. Assisti somente o último dia e, mesmo tendo viajado o dia todo sem tempo de comer ou tomar banho antes da festa, não achei cansativo. A emoção é contagiante e te envolve por completo, o corpo não sente as horas passarem. Fico imaginando as pessoas que enfrentam dias de viagem e participam ativamente em todos os dias. Ninguém reclama do cansaço e a alegria reina.

Cultura local como tema
Cultura local como tema

Durante o ano, os artistas trabalham em suas profissões, não ligadas à festa, e vão treinando e se preparando aos poucos nas horas vagas. Somente nos últimos meses dão um gás para deixar tudo pronto. No período do festival nada mais tem importância, respiram e se doam integralmente à festa.

As fantasias são maravilhosas, ricas em detalhes e conceitos. Os bonecos gigantes são perfeitos, expressivos e alguns chegam a ser assustadores, muitos parecem seres reais.

A bateria azul
A bateria azul
Plateia super produzida
Plateia super produzida

Bumbódromo de Parintins

O Bumbódromo é uma arena onde o cenário muda com frequência, muita coisa acontece ao mesmo tempo e o expectador fica perdido e extasiado sem saber para onde olhar. A iluminação e fogos de artifício completam o espetáculo. Apenas a bateria ficava no mesmo lugar durante todo o show, no decorrer iam e vinham dançarinos, cantores, personagens e os enormes bonecos articulados se transformando em outros seres ou exibindo personagens em grande estilo. E os bois, as estrelas da festa, estão sempre presentes, cada um faz sua entrada triunfal e se despede do público de maneira surpreendente.

A plateia complementa o espetáculo com uma vibração que eu nunca tinha experimentado. Em vários momentos eu deixava de olhar o show e prestava atenção no público, é impressionante a animação e paixão deles pelo boi. Todos bem arrumados, principalmente as mulheres, tão produzidas quanto os artistas no palco. Eles também são avaliados e a nota pode determinar quem será o grande vencedor.

A torcida tira o foco do espetáculo
A torcida tira o foco do espetáculo

Os incansáveis torcedores, locais ou que vieram de longe, vão para a fila todos os dias às 5 horas da manhã para conseguir lugar e esperam o espetáculo começar às 20 horas. Entretanto, só pode haver movimento na torcida quando o seu boi está se apresentando, se for a vez do concorrente não pode gritar, xingar, dançar ou fazer qualquer manifestação sob pena do seu boi perder pontos. Enquanto um lado do Bumbódromo fica iluminado e agitado, o outro permanece em silêncio e no escuro por 3 horas.

Boi Caprichoso no meio do cenário
Boi Caprichoso no meio do cenário
Cultura indígena através da dança
Cultura indígena através da dança

Fiquei na área de camarotes do Caprichoso (o primeiro a se apresentar no dia), que também segue as regras de respeito ao adversário, e não foi fácil ficar parada depois de sentir toda aquela vibração. Impossível na verdade, a vontade é dançar e cantar junto com o boi sem se importar qual é, mas chamaram a nossa atenção e o único jeito foi descer para área de imprensa do lado oposto. Não existe camarote neutro, tem que escolher um lado e, para entrar na área de imprensa do lado oposto, só vestindo uma cor neutra. Estávamos de verde.

Dezenas de pessoas montam e movimentam o cenário
Dezenas de pessoas montam e movimentam o cenário

Mas afinal, qual o motivo da comemoração? Qual a história do festival? Como esse post já está longo demais e ainda tenho bastante coisa para contar, vai ficar para o próximo. Clique no link para ler a continuação.

Elementos da natureza nas fantasias
Elementos da natureza nas fantasias
Ainda não escolhi o meu boi, mas fiquei encantada com essa torcida
Ainda não escolhi o meu boi, mas fiquei encantada com essa torcida

 

No relato acima, apenas tentei explicar a explosão que acontece durante a apresentação, mas acho complicado compreender sem viver a experiência. Vá e sinta pessoalmente.

 

Personagens chegam voando ou em cima das alegorias
Personagens chegam voando ou em cima das alegorias

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Tome Nota Parintins

Onde acontece: Parintins é uma ilha na margem direita do rio Amazonas próxima à divisa de estado com o Pará. Localiza-se cerca de 369 km de Manaus e todo ano se prepara para receber milhares de turistas que lotam o município.

Quando: acontece no final de junho e quem quer participar deve se informar com agências desde já. A recomendação é planejar com 1 ano de antecedência para garantir hospedagem, transporte e ir pagando aos poucos. É uma viagem cara e quem deixa para última hora vai gastar muito mesmo, isso se conseguir ingresso.

Hospedagem: Pousada Sonho Dourado tem quartos amplos, cama confortável e mobiliário antigo. O melhor foi o café da manhã com frutas e tapioca feita na hora. Veja opções e compare valores no metabuscador.

Como chegar a partir de Manaus: na época do festival, Parintins só tem duas vias de acesso: aéreo e fluvial. Gol e Azul oferecem voos diários no período da festa e alguns são fretados por agências. A viagem dura cerca de 1 hora, mas é preciso ter paciência no aeroporto da cidade, não tem estrutura para receber tanta gente. Os contratempos são horas de espera e filas enormes dando voltas e saindo dos limites do prédio. A chegada foi tranquila, o problema é voltar na segunda pós festa.De barco é bem mais longa, mais barata e por onde chegam quase todos os 100 mil visitantes. São 18 horas navegando para chegar em Parintins e 30 horas subindo o rio na volta para Manaus. 

Esta viagem foi uma press trip patrocinada pelo Amazonastur, órgão de turismo do Estado do Amazonas.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

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