Em uma cidade multicultural como Perth, as diferenças muitas vezes passam despercebidas. Em um passeio rápido pelo centro se tem a ideia clara de que a cidade é de todos e que o diferente aqui é visto como normal. É muito interessante perceber a harmonia e o respeito entre as diferentes nacionalidades, credos e culturas. Australianos misturados à brasileiros coloridos, europeus tradicionais, muçulmanas de burca, indianos com roupas típicas, asiáticos de todos os lados, afegãos, tem até gente no supermercado de pijama e pantufas, ou de pés descalços frequentando as universidades, vestidos assim por opção. Nada disso causa estranheza ou discriminação.

O mate amigo
O que mais nos surpreendeu foi o sucesso que o chimarrão faz no meio desta diversidade toda. Como bons gaúchos não perdermos os nossos hábitos ao virmos para cá. E toda vez que saímos de “mala e cuia” somos abordados por muitos curiosos querendo saber o que é esta bebida e qual a razão dos apetrechos estranhos. O mate se tornou motivo para um bom papo e já nos rendeu convites para festas e algumas boas amizades.
Quem é gaúcho entende o valor de um bom chimarrão. A erva mate, usada para preparar o chimarrão, é um estimulante natural, tem vitaminas e sais minerais como, cálcio, manganês e potássio, é diurética, e alguns estudos dizem que até melhora a libido porque contém saponina, um dos componentes da testosterona. Mas não há dúvida de que a melhor de todas as propriedades do chimarrão é o efeito agregador que tem. Visto pelo lado poético, no hábito amistoso de passar a cuia para a pessoa ao lado e beber a partir do mesmo “copo” estamos exercitando o compartilhamento, a doação e a repassando boas energias às pessoas que estão na roda. Deve ser por isso a imensa sensação de prazer que este hábito nos traz.
Pois aqui na Austrália temos um motivo extra para cultivar este hábito. Como se os que citamos acima não fossem suficientes, aqui o mate nos ajuda ainda a conquistar novos amigos, a bater papos com estranhos na rua, a construir relações sociais em um país diferente no qual chegamos sozinhos e sem conhecer ninguém. Sem esquecer também, é claro, do orgulho e carinho que temos em cultivar e relembrar as nossas coisas boas do sul!
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