A conquista do Monte Roraima não é difícil, então não tenha medo! Levar alguns itens e tomar alguns cuidados tornará o passeio mais agradável. Topei o desafio de caminhar os 90 km em 7 dias dessa aventura que fica na divisa entre Brasil, Venezuela e Guiana, mas que praticamente acontece toda nos domínios de Hugo Chávez.
A subida levou três dias, ficamos dois dias no topo e descemos em mais dois dias. Logo nos primeiros quilômetros achei que não iria aguentar os 15 quilos da mochila cargueira, além dos 4 quilos da mochila de ataque. O trajeto é pesado e acabei não aproveitando o lugar como gostaria. Tirei poucas fotos, pois a mochila era um fardo. Se subir novamente, vou contratar um nativo, como algumas pessoas fizeram.
A burocracia para atravessar a fronteira é pouca, você precisa de passaporte e comprovante da vacina da febre amarela. Não é permitido trazer nada lá de cima, nem uma pequena pedra. Na chegada os militares revistam você e sua mochila, a minha tiraram tudo de dentro.
Na expedição que contratei, todas as noites se dorme em barraca e a alimentação é preparada por indígenas da equipe. Se você acha que irá passar fome, está enganado: além da comida ser muito gostosa tem bastante para todos, somos tratados com muito carinho e dedicação, até chocolate quente nos serviram.
Ainda sugiro levar alimentos energéticos para comer durante as caminhadas como chocolates, amendoim, castanhas e frutas secas. Os chocolates foram muito disputados lá no topo, chegaram a ser moeda de troca!
A subida exige que você tome muita água, e você a encontra em toda a trilha. Porém não tome de qualquer lugar, somente onde o guia indicar, pois alguns lugares são destinados à banho. Por mais que a agua esteja fria, não deixe de tomar banho, ele fará você se sentir bem e relaxará seu corpo.
Quando li o checklist de itens para levar, algumas coisas achei exagero, mas no fim foram muito preciosas. No topo faz muito frio, chove constantemente e tem muito vento, então um corta vento é indispensável, melhor se for impermeável. Um par de luvas e uma touca me mantiveram aquecido. Leve bastante pares de meias, eu levei apenas quatro, e como lá em cima nada que você lava seca, fiquei alguns dias com meias molhadas.
Um pequeno travesseiro realmente faz diferença, isso considerei desnecessário, mas logo nas primeiras noites improvisei com um casaco e algumas roupas dentro. O saco de dormir deve ser para zero graus e um isolante térmico é obrigatório. Tudo na mochila deve ser ensacado em sacos grossos de lixo, pois como a chuva é constante, tudo fica úmido e pode molhar.
O calçado é outro item muito importante, não leve uma bota muito nova nem uma muito velha. A bota nova vai encher seus pés de bolhas e a velha pode arrebentar. Na expedição aconteceu com dois integrantes que ficaram sem solas.
Tirar os tênis durante a caminhada relaxa os pés, fiz isso varias vezes durante a trilha. Na descida é importante cortar bem as unhas, pois seus dedos recebem muita carga de peso.
Protetor solar, boné e óculos de sol também são imprescindíveis, afinal tanto na subida quanto na descida você toma muito sol! Um repelente também é bom, pois no acampamento do Rio Tek tem muito mosquito.
Todos os guias carregavam kit completo de primeiros socorros e rádio comunicador, que possibilitava o contato com a aldeia de Paraitepuy, local de início do trekking. Assim, se ocorresse algum tipo de acidente mais grave, o resgate seria feito de helicóptero até o pronto socorro emergencial de Santa Elena ou hospital de Boa Vista. Para isso é importante você fazer um seguro viagem!
É bom trocar um pouco de dinheiro, pois na volta tem artesanatos locais, e com certeza você vai querer levar uma lembrança para casa.
Para fazer essa aventura você é obrigado a contratar um guia pois não é permitido subir sozinho. Encontrei muitas dicas na internet afirmando que realizar com empresas da Venezuela é muito mais barato, porém ao mesmo tempo é arriscado. Li relatos de casos em que faltou comida na expedição ou que os guias abandonaram o grupo no topo.
Contratei a RORAIMA ADVENTURES, a única empresa brasileira que faz a expedição. Eles são responsáveis por levar e preparar toda alimentação, além de carregar e montar as barracas. Você carrega sua mochila, saco de dormir e isolante térmico, mas lembrem-se que existe ainda a opção de contratar um nativo levá-los.
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