Uma semana antes do naufrágio do navio Costa Concórdia na Itália estávamos nós, felizes da vida, voltando de um cruzeiro da Austrália para a Nova Zelândia. As notícias nos deixaram realmente impressionados, mas não mudaram nem um pouco a percepção que tivemos do nosso passeio.

Para nós dois foi um jeito inusitado de conhecer um país, algo que nunca tínhamos feito antes. Falando francamente, uma opção que não tínhamos cogitado até então. Tínhamos 15 dias de recesso entre o Natal e ano novo, época de alta temporada em qualquer lugar do mundo. Sozinhos, já que há pouco tínhamos retornado de uma viagem ao Brasil. Na busca por acomodações e possibilidades de viagens por este lado aqui do mundo me deparei com um anúncio de cruzeiros e por curiosidade resolvi clicar. Difícil achar opções nas datas específicas que queríamos viajar. Mas uma delas me chamou atenção, um navio partindo de Sydney e passando por Melbourne, pela Tasmânia e pelas principais cidades da Nova Zelândia, de norte a sul. Amamos o trajeto mas o preço estava um pouco fora do que queríamos...
Então fizemos os cálculos: se fizéssemos o mesmo trajeto na mesma época do ano, por conta própria, gastaríamos no mínimo a mesma coisa. Isso ficando em albergues e economizando bastante na alimentação, além de não termos tempo suficiente para percorrer toda a distância. Convencidos, corremos pra reservar os nossos lugares, mas estava lotado. Ficamos na fila de espera e no fim conseguimos duas vagas!
A saída de SYDNEY não poderia ter sido mais espetacular. Por do sol perfeito no porto, de cima do navio, com a Opera House de um lado e a Harbour Bridge de outro. Uma vista e tanto! Antes de partir, a embarcação ainda fez um giro de 360o ao redor dos dois monumentos proporcionando vistas e momentos privilegiadíssimos.
O navio em que viajamos estava na capacidade máxima, um total de 3000 pessoas entre 2000 passageiros e 1000 tripulantes. Pela quantidade de tripulantes por pessoa dá para se ter uma boa ideia do tipo de serviço que foi oferecido. A organização em geral foi muito boa, apesar do número grande de pessoas não pegamos nenhuma fila seja para alimentação, para embarque ou desembarque em todos os portos que paramos, ou para qualquer outra atividade que fizemos por lá.
O cruzeiro tinha muitas opções de programações à bordo: academia, piscina aberta, piscina aquecida com hidromassagem, cinema, teatro, aulas de dança, palestras sobre os lugares a visitar, boates, festas temáticas e cassino entre tantas outras coisas pra se fazer. Impossível ficar entediado, ainda mais nesta viagem em que passávamos um dia no mar e outro em alguma cidade da rota.
A comilança foi grande, mas também pudera: as refeições estavam incluídas no pacote (com exceção das bebidas alcoólicas) e tinha uma variedade grande de restaurantes, bufês e cafés funcionando o dia inteiro com comidas deliciosas de todas as nacionalidades, uma tentação. Ouvimos que a média que as pessoas engordam em uma viagem destas é 3 quilos e admito que chegamos bem perto disso!
À noite a janta era com hora e lugar marcado e sempre com as mesmas pessoas sentadas à mesa, escolhidas pelos organizadores não pelos passageiros. Fizemos uma amizade super legal com os casais que sentaram conosco, por sorte pessoas muito queridas e interessantes com quem passamos a noite de Natal, de Ano novo e todas as outras da viagem.
Adoramos os teatros depois das jantas, normalmente apresentações de música e dança tipo Broadway com elenco do próprio navio. Também teve mágicos e contorcionistas além de música ao vivo todos os dias. Curtimos muito as piscinas de hidromassagem.
A primeira parada na Nova Zelândia foi nos pântanos do sul da ilha, em uma parque nacional chamado MILDFORD SOUND, patrimônio natural da humanidade. Paisagens de cinema em um dia memorável! Ficou a vontade de mais, de explorar bem este lugar dos deuses. As outras paradas foram incríveis também, cada uma com as suas surpresas e descobertas. Voltávamos para o navio exaustos de tantas caminhadas e agradecendo que o dia seguinte era de descanso à bordo.
A experiência valeu o investimento e excedeu as nossas expectativas. Conseguimos ter uma visão boa do país inteiro, de norte a sul, embora em muitos lugares ficou a vontade de explorar mais. De cima do navio se enxerga o mundo com ângulos privilegiados e vistas inusitadas, diferente do que experimentamos quando usamos outro meio de transporte. Além disso viajar em um cruzeiro se mostrou uma forma tranquila de viajar, sem preocupações quanto à locomoção, destinos e alimentação, além da sensação de controle total dos gastos considerando que tudo estava praticamente incluído no preço inicial. Para completar, o clima das pessoas em geral era de muito alto astral, dos tripulantes aos passageiros, uma energia legal para renovar os ânimos.
Se faríamos outra viagem assim? Com certeza, recomendamos a todos. Mas convenhamos: viajar e conhecer o mundo é uma delícia independente do meio de transporte escolhido, depende do momento e do estado de espírito de cada um.
Estude bem os destinos do navio para conseguir aproveitar os lugares sem perder tempo, já que este é um item precioso quando normalmente se tem uma manhã e uma tarde em cada destino. Pense nas distâncias, planeje o meio de locomoção e pesquise sobre os horários e dias de funcionamento dos locais que tem interesse em conhecer. Dá para aproveitar bem e economizar uma grana legal com isso, já que as shore excursions oferecidas pelos cruzeiros normalmente tem preços exorbitantes.
Leve roupas confortáveis para o dia, mas inclua roupas formais já que, normalmente, neste tipo de viagem, à noite os trajes formais são obrigatórios nos restaurantes do navio.
Se fechar o pacote com alguma agência de viagens preste atenção se não estão cobrando um taxa extra por dia para as gorjetas de serviço, este tem que ser um valor opcional. Muitas pessoas cancelam esta taxa e preferem dar as gorjetas diretamente, mais justo para quem paga e para quem recebe. Para se ter uma ideia, só descobrimos depois que no preço que pagamos estava incluído um valor de $12,50 p/ dia/ pessoa para os serviços, um valor que poderíamos muito bem ter reduzido no mínimo pela metade se tivéssemos pago diretamente.
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