
Situado no coração da Austrália, o Red Center é assim chamado por seus tons avermelhados. Também conhecido por abrigar um ícone famoso – Uluru. Uma das grandes maravilhas naturais do mundo e considerado por muitos como o centro espiritual do país.
Ayer Rock ou ULURU, para os aborígenes e atualmente nome oficial, fica no PARQUE NACIONAL ULURU - KATA TJUTA a 461 km de Alice Springs. É a segunda maior formação rochosa do mundo. Tem 348 metros de altura e 8 quilômetros de circunferência, sendo muito maior embaixo da terra, é como um iceberg que ainda não foi medido.
Uluru também impressiona pela sua mudança de cores durante o dia que varia conforme a iluminação. O nascer e o pôr-do-sol são imperdíveis e existe um lugar reservado para assistir. A pedra é formada por arenito e minerais que influenciam nas cores como o ferro que causa a oxidação visível de perto.
Em 1985 o governo australiano devolveu as terras de Uluru aos aborígenes locais – os Anangu, que permitiram a criação do parque nacional e a construção de estrutura para turistas. Porém, uma grande polêmica persiste – escalar Uluru ou respeitar a cultura.
Para o jovem aborígene se tornar adulto e poder ter sua própria família, ele precisa sobreviver no deserto até aprender na prática uma série de ensinamentos – o Walkabout. Quando ele volta, a prova final era escalar Uluru. E essa, na minha opinião, é a maior questão que devemos respeitar a vontade deles. Imagine o que passa na cabeça desses jovens quando veem pessoas subindo somente pelo prazer e com a ajuda de equipamentos, enquanto eles são obrigados a escalar sem tênis, corda, água ou qualquer equipamento para provar que podem fazer parte da sociedade. É um conflito cultural, como a maioria das pessoas não respeita e eles também não querem mais conflitos, acabaram com isso. Seus filhos não precisam mais provar que são capazes e o povo esta cada vez mais perdido, sem referencias e se afundando no álcool.
Além de respeitar as crenças, existe a preocupação com a segurança e o meio ambiente. Muitos turistas já morreram tentando escalar o cume por quedas ou parada cardíaca. Parece fácil, mas qualquer tropeção não tem volta, é muito íngreme. Uluru tem sofrido com a erosão causada pelas escaladas diárias e, como não há nada lá em cima, muitos usam como banheiro. Quando chove, uma grande quantidade de bactérias é encontrada nos buracos de água que são vitais para os animais da região.
Para evitar mais mortes, colocaram uma corda que ajuda na subida e uma placa enorme pedindo para não subir e respeitar as leis e desejos dos Anangu e dos Tjukurpa. Afinal, eles respeitam a nossa vontade.
Fazer somente as trilhas em vez de escalar é o indicado. Existem as opções: Mala walk de 2 km, Base walk de 10,6 km ao redor do monolítico, a menor Kuniya walk de 1 km, Lungkata walk de 4 km e Liru walk de 4 km. Todas são auto guiadas e acessíveis para cadeirantes. No percurso vamos entendendo melhor a cultura e significados das histórias. Alguns lugares são sagrados e só podem ser vistos, não registrados. Outros tem exemplos de arte aborígene que contam sobre o Dreamtime, o conceito aborígene para a criação do mundo.
E você? Conte o que faria, ou fez, chegando na pedra. Escalar ou respeitar?
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