Há alguns anos atrás resolvi me aventurar pela minha primeira viagem sozinha. Até então, sempre estava rodeada de gente, a casa cheia de amigos, a família grande e unida. Nunca tinha passado pela minha cabeça fazer uma viagem grande sem ninguém, mas estava em um momento “down” e queria abrir os olhos para o mundo. Juntei todas as minhas economias e me inscrevi para um curso de verão de Design de Interiores em Milão. E assim comecei meu passeio de “auto companheirismo”. Eu e eu mesma viajando sozinha pela primeira vez. Conhecendo um pouco da Europa, pela primeira vez. Incluí no trajeto: Milão, Roma, Veneza, Paris, Madrid, Barcelona e Berlim.

Vou começar escrevendo sobre Paris, mas procurando não ser repetitiva com o que já foi escrito no Blog.
A cidade das luzes, das artes, dos pensadores, da boemia, dos amantes... São tantas cidades em uma mesma, difícil conhecer este lugar único em uma viagem só!
Por mais incrível que pareça, fui sem nenhuma programação ou roteiro, então a primeira coisa que fiz ao chegar foi me informar sobre VISITAS GUIADAS, não queria perder tempo, tinha apenas 4 dias e não podia me dar o luxo de me perder ou gastar tempo nos lugares errados. Acabei optando por uma visita de graça, com o pagamento opcional no fim, e este acabou se mostrando um bom começo. Passeamos a pé pela cidade em um grupo bem grande, e o guia falou de história, cultura, curiosidades. Uma boa maneira de ter uma noção geral de localização, dos lugares que gostaria de voltar e conhecer mais a fundo, ótimo para fazer minha programação. Passei o resto do dia com uma menina que conheci na visita, uma boa companhia.
À noite pensei em dormir cedo para aproveitar bem o próximo dia, mas ao chegar no hostel conversei com uns Argentinos e me “escalei” para passear com eles, quando soube dos planos que tinham. Uma evolução e tanto para a tímida que sou. Fomos de metrô para a CHAMP DE MARS, de onde se tem uma vista privilegiadíssima da Torre Eiffel, no topo de um elevado. Passamos algumas boas horas ali, simplesmente apreciando aquele momento maravilhoso.
No dia seguinte fui ao LOUVRE. O museu funciona a partir das 9 da manhã e normalmente as filas são enormes. Conforme me recomendaram, cheguei ali na frente as 8 horas e assim consegui me posicionar entre os primeiros da fila. A coleção de obras é magnífica e gigantesca, imagine 35.000 obras de arte divididas em 8 setores e espalhadas por 60.000 m2 de galerias e salas de exposições. Se tiver pouco tempo como eu, o melhor é separar três ou quatros setores de interesse e passar primeiro por eles ou apenas por eles. Eu fiz isso e passei umas 6 horas ali dentro. Visitei a área das pinturas, passando primeiro pela Renascença Italiana, onde está a Monalisa, depois passei pelas Antiguidades Egípcias, tema que sou apaixonada, então pelas Antiguidades Gregas e Romanas e ainda pelo departamento de Antiguidades Orientais (Near Eastern Antiquities). Neste último tinha uma curiosidade intrigante em ver o monolito com o Código de Hammurabi, um dos mais antigos conjuntos de leis escritas já encontrados, datado em 1700 a.C. “Olho por olho, dente por dente” é umas das famosas frases inscritas no monumento. Entre a visita de uma área e outra, almocei no restaurante do museu. Um buffet delicioso e com preço acessível. Recomendo.
Ainda neste dia, à tarde passei pela galeria Lafayette (que estava fechada no domingo) e depois fui direto ao teatro ÓPERA DE PARIS, que eu sonhava em conhecer. Pratiquei ballet por muitos anos, desde pequenininha, e sempre tive uma ligação muito forte com teatros. E este é muito lindo, um lugar impressionante! O teatro inspirou a história do Fantasma da Ópera, e ao passear pelo interior, é um arrepio, a impressão é que se está participando do filme, é um pouco escuro, com uma luz que vai revelando as coisas com mistério, tons dourados e avermelhados uma quantidade e riqueza de ornamentos maravilhosos, muita história! Eu cheguei a sentir a música... tam, tam, tam... no meu ponto de vista é imperdível! Se pudesse teria ido a alguma apresentação, mas infelizmente não era temporada de espetáculos.
O dia terminou perfeito e tudo o que eu queria era uma boa noite de sono para aproveitar ao máximo os dois últimos dias. Assim como uma frase que li: “We’d rather for distraction, but we travel for fullfillment”. Estes foram, sem dúvida, dias cheios de satisfação. E assim dormi realizada.
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