
Calor, sede e paisagens diferentes de todos os lugares que já conheci, assim começou a primeira trilha no deserto vermelho australiano. O objetivo do dia era tomar banho de rio dentro do Kings Canyon e ver de cima a cidade perdida.
Toda a região central da Austrália era uma planície varrida pelo vento e coberta por dunas de areia há 400 milhões de anos. Com o peso essa areia foi comprimida em camadas, com as inundações os grãos foram ficando unidos e viraram pedras de areia. Onde tinha uma fenda, virou o Kings Canyon com 270 metros de profundidade no meio do Parque Nacional de Watarrka, distante 471 km de Alice Springs.
No alto dá para ver várias cúpulas de pedra fazendo o lugar parecer uma cidade perdida. Elas são o resultado da erosão de fissuras verticais no arenito. Em outras partes parece que a pedra foi cortada por uma faca formando paredes com tons que vão do bege ao vermelho e contam a história da formação do Canyon. O eco por aqui é impressionante e tática para não se perder do grupo.
As pedras de areia são como uma esponja gigante que absorve a água da chuva. E na fenda chamada Garden of Eden foi a umidade infiltrada que transformou o lugar num oásis exuberante. Um refúgio para animais e plantas de uma época distante quando o deserto era cheio de rios. E foi aqui que mergulhamos, descansamos e ouvimos histórias aborígenes.
Contam que aqui era lugar de punir os mal feitores. Eram trazidos para cá, perdiam a visão quando passavam uma planta que causa cegueira em seus olhos e eram deixados no meio do Canyon sozinhos. Não tinham como sobreviver por muito tempo.
Entre janeiro e março é época de chuvas e surgem algumas cachoeiras, em maio o clima já estava seco de novo, mas as paisagens verdes demais para o deserto. Cangurus e Wallabies são comuns por aqui, mas não encontramos nenhum por terem hábitos noturnos. Vimos alguns lagartos e deveriam ter milhares camuflados na paisagem.
São diversos caminhos para trilhas, sendo a Giles Track a mais famosa ligando o Kings Canyon a Kathleen Springs em 22 km. Nesta percorremos 6 km na hora mais quente do dia. Para aproveitar melhor, o ideal é dormir por perto e assistir o nascer do sol que dizem ser fantástico.
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