Uma das minhas maiores expectativas quando fui visitar a Austrália era conhecer os animais que só existem lá. Você deve estar pensando em cangurus e coalas, mas este país possui muitos outros bichos belos e únicos.
A primeira parada foi no SYDNEY AQUARIUM, onde vimos uma grande diversidade de peixes e tubarões, porém o bicho que mais chamou atenção foi o dugong, um animal parente do peixe boi brasileiro. Sua cara era muito simpática parecendo estar sorrindo o tempo todo, e embora ele seja encontrado largamente na costa da Austrália, somente os aborígenes podem caçá-lo.
Todos pensam que os tubarões são os seres marinhos mais perigosos, porém o responsável por mais mortes na Austrália é na verdade a jellyfish, um tipo de água-viva que possui toxinas nos seus tentáculos. A descrição de quem já sobreviveu a um ataque é a sensação de mil agulhas e facas entrando e saindo incessantemente ao longo da sua coluna vertebral, pés, pontas dos dedos, língua, extremidades e olhos.
No aquário ainda vi uma tartaruga de pescoço comprido, chamada broad-shelled turtle, o platypus que é uma espécie aquática do ornitorrinco, pinguins, cavalos marinhos e muitos peixes. Conseguimos até flagrar um peixe palhaço e um blue tang que lembrou o filme Procurando Nemo.
Vi muitos pássaros diferentes nas cidades por onde passei. O ibis foi trazido da china e virou praga, pois se adaptaram rapidamente ao convívio urbano. O australian raven é uma espécie de corvo, que emite um som parecido como uma criança gritando. Os periquitos rainbow lorikeet são os mais bonitos, presentes em praticamente todas as cidades. São pássaros bem coloridos e gritam como a caturrita.
As cacatuas são originárias da Austrália e andam livremente pela cidade de Sydney. No BOTANICAL GARDEN encontramos dezenas delas, e no final do dia parecem travar um duelo com os milhares de flying fox que começam acordar para ir atrás de comida na cidade. Foi bastante tenso caminhar no parque com tantos morcegos sobrevoando minha cabeça.
Em uma trilha no Outback, fomos presenteados com a presença de um lagartinho espinhoso, que apareceu quando coletava lenha. Ele é chamado de thorny devil, e embora inspire medo, é na verdade completamente inofensivo. Ele se move bem lentamente e seus espinhos não são venenosos, servem para dissuadir os predadores de tentar engolí-lo.
Ele é pequeno, tem aproximadamente 20 cm, e se alimenta principalmente de formigas. O curioso e a forma como se hidrata: possui pequenos canais capilares em todo corpo que permitem coletar água e canalizar até sua boca.
Em Alice Springs conheci os dromedários, chamados camel. Eles tem uma cara muito cômica, e foram trazidos da África para auxiliar na construção de um telégrafo. No fim da obra era mais caro levá-los de volta, então eles ficaram soltos no país. O que ninguém esperava é que se adaptariam tão bem e acabariam evoluindo, surgindo uma nova raça mais resistente que a original. Hoje a Austrália exporta esses animais para África e o resto do mundo.
Os zoológicos australianos nos permitem conhecer animais que dificilmente encontraríamos passeando pelo país. O diabo da tasmânia é um deles: um carnívoro ameaçado de extinção que possui hábitos noturnos. Tem caninos grandes que permitem se alimentar de carcaças e tem a força equivalente a média humana.
O que mais vimos nos zoológicos foram cangurus, os animais símbolo do país. Porém nem tudo que parece canguru é canguru. Todos são na verdade marsupiais que pertencem à família dos macrópodes que engloba 45 espécies divididas em cangurus, wallabies, cangurus da árvore, wallaroos, pademelons e quokkas. Tive a sorte de ver pelo menos um de cada tipo.
O que diferencia um do outro é basicamente seu tamanho, que vai dos 30 cm dos cangurus-ratos ao 1,60 metros do canguru-vermelho. Eles são animais bem sociáveis e fáceis de serem encontrados até mesmo em parques.
Os coalas são bichos muito preguiçosos, chegam a dormir 20 horas por dia. Sua alimentação é basicamente folha de eucalipto e quase não bebem água, o que originou seu nome que em aborígine quer dizer "que não bebe". Apenas no estado de Queensland é permitido pegá-los no colo.
Eles possuem um parente que não sobe em árvores: o wombat, embora não seja muito conhecido, é o maior herbívoro mamífero da Terra e está ameaçado de extinção.
Outro animal que está ameaçado é o dingo, uma espécie de cachorro selvagem. Eles ficaram conhecidos na década de 80 quando uma mãe afirmou ter visto um dingo levar seu bebê em um acampamento próximo ao Uluru. Isso resultou no maior julgamento da história do país, e mais tarde virou filme.
O ser mais estranho que vi, foi o ornitorrinco. Com certeza é o bicho mais incomum do mundo: um mamífero de vida aquática que tem bico de pato e põe ovo. Além de tudo isso, possui ferrões nas patas traseiras que soltam veneno e são capazes de matar seres do tamanho de um gato.
No flickr do Territórios criamos um álbum com todos bichos que fotografamos na Austrália.
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