Viajar ao Japão tem uma peculiaridade intrínseca aos países não-ocidentais: perder qualquer parâmetro de cultura e comportamento. Tudo bem que a globalização equiparou algumas diferenças há alguns anos, mas ainda assim o choque cultural é inevitável logo que se chega ao país do sol nascente.
Entre as diversas diferenças, as que mais me atraíram a atenção estão os hábitos de educação e convivialidade. Os japoneses são, em geral, muito prestativos e extremamente educados; a expressão que mais se ouve é arigato gozaimasu (muito obrigada). Por sinal, um francês que conheci por lá e que mora no Japão há 12 anos disse acreditar que a cultura japonesa é a última a manter a prioridade dos fortes laços de respeito entre as pessoas. Mas a gente se engana facilmente porque é difícil saber o que eles realmente pensam. Mesmo as reclamações são feitas sob sorrisos e desculpas.

Demonstrações de afeto não são muito comuns; os casais evitam o contato físico em público. O que não significa que eles sejam frios – bem pelo contrário – costumam oferecer ajuda sem serem solicitados e são capazes de se reorganizar nos assentos do transporte comum simplesmente para que um casal se sente lado-a-lado.
Além disso, tudo segue estritamente uma ordem, até os pedestres se movimentam organizadamente pelas ruas e no sentido oposto dos ocidentais (a ida pelo lado esquerdo e a vinda pelo direito). Não tente andar fora dessa ordem para não correr o risco de ser arrastado pela multidão.
Outra grande disparidade é a religião – o que dificulta a noção dos limites da sacralidade e o significado de tantas entidades budistas. Sem falar, claro, que a língua cria todos os empecilhos para a comunicação e mesmo para a locomoção (é complicado saber se a direção dentro do metrô é a correta). Por sorte, os japoneses, especialmente os mais jovens, se viram bem em inglês e estão sempre prestes a socorrer os turistas perdidos. No caso de desespero, a língua dos sinais é universal e funciona sempre bem.
Agora imagine todas essas diferenças e inversões de valores numa cidade como Tokyo, que congrega tradição e modernidade, o milenar e o high tech, onde os kimonos andam paralelamente às lolitas góticas e onde ao lado de um arranha-céu sempre tem um templo. Sim, o Japão é uma experiência para colorir os olhos e enriquecer a mente.
Gostaram? Então leiam as dicas nesse post.
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