O whisky me levou a Piriápolis, no Uruguai. No caso, não a bebida, mas o filme de mesmo nome dirigido por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll e lançado em 2004. Uma parte da história – que conta a vida solitária de Jacobo e sua complicada relação com o irmão Herman e com a funcionária Marta, a quem faz uma proposta inusitada durante a visita do parente que mora no Brasil – acontece nesse balneário uruguaio, entre Punta Del Este e Montevidéu. Uma mescla de isolamento, beleza e a possibilidade de conhecer algumas locações dessa produção fizeram de Piriápolis a escolha perfeita para fugir da agitação do Carnaval.

A primeira impressão da praia não decepcionou. Poucos prédios, muitas casas sem muros, algumas ruas de chão batido e um longo calçadão à beira-mar compuseram o primeiro cenário da cidade. Era cedo da manhã e o local parecia ainda adormecido. Piriápolis acorda tarde, como manda a tradição dos argentinos, que marcam forte presença na região durante o veraneio. Além das lindas praias, porém de águas geladas e com muitas pedras, há várias opções para visitar, entre cerros, castelos e até mesmo um passeio de TELEFÉRICO, que possibilita uma ampla vista do balneário.
Uma das construções que se destaca na avenida principal, a RAMBLA DE LOS ARGENTINOS, é o HOTEL ARGENTINO, inaugurado em 1930 e um dos cenários do filme Whisky, assim como o CASSINO que fica ao seu lado. Há visitas guiadas ao hotel e ali perto fica também o MUSEU FERROVIÁRIO. Uma caminhada pela avenida é uma boa forma de conhecer a cidade. É nela também que ficam a maioria dos bares, restaurantes e lojas de artesanato.
O CERRO DEL TORO e sua fonte, que ficam a 250 metros do nível do mar, são um dos atrativos de Piriápolis. No local, há uma estátua de ferro de um touro em tamanho natural. A água que sai de sua boca era considerada por Francisco Piria, o fundador de Piriápolis, terapêutica. O PAN DE AZÚCAR é outro cerro famoso do balneário, com suas paredes de pedra e 380 metros de altura. Em uma de suas praças fica a fonte de Vênus, réplica de estátua vista por Piria na Itália. Na rodoviária, é possível pegar um ônibus que leva até o Castelo que foi residência do fundador da praia, inaugurado em 1897. No interior do CASTELO DE PIRIA, móveis, objetos e roupas de época podem ser apreciados nos diversos cômodos que formam a edificação. Um passeio diferente é alugar um quadricíclo por 30 minutos ou uma hora e visitar as praias vizinhas, como a SOLÍS.
Com o fim da tarde, chega também o movimento na rambla e no comércio. A calmaria do dia é trocada pela agitação nos bares e das pessoas que ficam sentadas no calçadão, com suas pilsens e norteñas de litro, esperando pelo pôr-do-sol que é recebido com uma salva de palmas. A gastronomia uruguaia e do local é farta em chivitos, pizzas de mussarela, medias lunas e frutos do mar. A noite acontece nos bares espalhados pela cidade e nas rodas que se formam na beira-mar.
Assim como todo o país, o CARNAVAL EM PIRIÁPOLIS tem um quê de nostálgico. Na rambla desfilaram casais dançando tango, crianças com fantasias coloridas e alguns blocos, animados por músicas que em algum momento lembravam sambas brasileiros e outros, músicas de Gardel. Uma inocência que não se vê mais por aqui. Vale para aqueles que não curtem essa festa popular e buscam algo diferente.
Tatiana Gappmayer
Jornalista, cinéfila, apaixonada por mapas e livros de arquitetura e mochileira.
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