
O caminho é bonito e diferente, com montanhas muito altas. Algumas brancas de neve, outras com tons verde, vermelho e amarelo e não eram plantas e sim pedras. Logo no início encontramos um encantador de serpentes num cenário perfeito. Quanto mais perto do deserto mais rasteira ficava a vegetação com muitos cactos e terra vermelha. E de repente, em uma curva encontrávamos um palmeiral / oásis onde havia um povoado, todos nos abanavam, eram sorridentes (com poucos dentes) e todas as mulheres vestiam burcas. As casas eram feitas barro, pedra e folhas de palmeira. O barro conserva a umidade e clima agradável mesmo nos dias em que a temperatura chega a ser mais de 50°. Esta época o clima é bom entre 5° e 30°, de noite faz muito frio.
Na estrada haviam poucos carros e a maioria eram caminhonetes, o nosso carro era bom, mas o motorista era um perigo. Fazia ultrapassagens perigosas e pisava fundo no acelerador tirando finos da proteção. Eu olhava para os penhascos profundos e via várias partes onde esta proteção estava falhada, devem ter sido acidentes fatais. Não existia comunicação com o motorista ele falava árabe ou francês, dentro deste carro ninguém falava nenhuma dessas línguas. O pior era que ele insistia em falar comigo, então eu respondia qualquer coisa em português e ele fazia uma cara muito estranha, mas entendi o desrespeito à mulher quando mandou eu limpar o carro e não queria que eu fosse na frente. Meus colegas homens só riam.
O objetivo do 1° dia era ver o pôr do sol nas DUNAS DE TINFOU, onde acampamos. Passamos pelas cidades de Ouarzazate, Agdz e continuamos para Zagora pelas montanhas do Anti-Atlas. Quando o carro parou e vimos a primeira duna, fomos correndo e foi um espetáculo ver o dia escurecer sentada no topo da duna. Haviam dromedários, serpentes e um acampamento árabe luxuoso nos esperando com brilhos, almofadas e muitos tapetes. As barracas eram de pano sustentadas por troncos de madeira. Pessoas nos serviam, jantamos com taças de cristal e vários pratos típicos (bem melhor que a comida espanhola, muito curry e pimenta), depois ficamos nos tapetes ao redor do fogo tomando vinho marroquino. É proibido pelo Islã beber álcool em todo o país, mas o guia deu um jeito. Passei muito bem, não esperava tanto conforto no deserto.
No dia seguinte voltamos para Marrakesch passando por Ouarzazate, almoçamos com vista para o KASBAH DE AÏT BENHADDHOU e entramos no KASBAH DE TAOURIRT, que já foi estúdio e cenários de filmes de aventura. Kasbahs são fortificações de barro da época de tribos e guerreiros, as cidades eram construídas atrás de suas muralhas.
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