Não tinha os telefones de Osmany, apenas enviei um e-mail avisando onde eu estaria, já se passaram 2 dias e ninguém me procurou, estou sozinha em Habana. Mas isso não é problema. Já fiz amizades com rapazes espanhóis que estão no hotel e caminhei muito por Habana Vieja e Vedado. Apesar das pessoas no hotel e das agências de turismo me assustarem dizendo que é muito perigo andar por aí, não quis pegar táxi. Uma cidade se conhece a pé e não de carro, e não deve ser mais perigoso que o Brasil. Depois entendi que na verdade querem que gaste dinheiro em táxi e não conheça a realidade cubana, apenas as partes turísticas.


É bem diferente de outros lugares que já conheci. Muita gente na rua, poucas grades, portas e janelas abertas mostrando os lares cubanos, música por todos os lados, ritmos diferentes e muito alto, o som vinha de dentro das casas ou de pessoas com instrumentos na rua. Têm casas lindas, mas caindo aos pedaços, se fossem reformadas ficaria tipo o Pelourinho em proporções bem maiores. Olhar para a frente e para cima é bonito, mas olhar para o chão ou para dentro das casas é feio. Existe muita umidade e esgoto a céu aberto, isso em Habana Vieja, onde a maioria das pessoas mora amontoada em casas velhas.

No Vedado esta melhor, mais limpo e mais “moderno”. É estranho porque parece uma cidade do interior parada no tempo, mas é a capital de um país, tem avenidas largas e movimentadas com muita gente circulando. O comércio (para cubanos) lembra aqueles mercados do início do século passado, prateleiras vazias, pouca variedade, aspecto sujo e velho. Eu estava com fome e não tive coragem de comer pelos lugares que passei. Não vejo a hora de encontrar Osmany e Ana, não tenho certeza do que posso ou não fazer aqui. As pessoas não me inspiram confiança, parecem que sempre querem tirar proveito de ti (dá pra entender pela situação em que vivem), me passam informações erradas e não sei se sigo as do hotel ou se confio nas pessoas da rua.

Vi crianças felizes brincando nas ruas. Como elas não têm acesso à tecnologia e não tem medo da violência, podem aproveitar a infância como a gente aproveitava antigamente. Haviam grupos de cubanos sentados em frente às suas casas conversando e ouvindo música, muitos bares cheios de cubanos e nenhum turista. O povo é muito aberto, eu caminhava na rua e muitos me paravam, queriam conversar, ou me mandavam beijos e ficavam me chamando como se chamam gatos, até um policial fez isso comigo. Não entendo como percebem que sou estrangeira, deveriam perceber só quando eu falo, afinal 45% da população é branca e são muito parecidos com os brasileiros, tipo físico, jeito de vestir e de ser.

Infelizmente tive que ignorar todas essas pessoas que vinham falar comigo, não sei se é verdade, mas dizem que são jineteiros e querem te roubar ou tirar algum proveito. Me disseram para ter cuidado maior com o negros mais negros, achei esse comentário tão racista. Depois te tanto me assustarem achei melhor esperar o encontro com Osmany antes de dar conversa para as pessoas.
Buscando internet entrei nos melhores hotéis da cidade e para a minha surpresa são muito luxuosos e imponentes. Outro mundo, onde cubano só entra se for funcionário. Em nenhum desses hotéis consegui acessar, uns porque era domingo e outros porque o cartão de acesso estava em falta.
Por toda a cidade estão espalhados cartazes e outdoors homenageando revolucionários como Camilo, Fidel, Che e até Hugo Chávez. As imagens deles estão por toda a parte, Chávez parece ser muito bem vindo aqui, como irmão. A publicidade é proibida. Nas ruas só se vê fachadas e outdoors do governo.

Sobre os carros, pensei que só encontraria dos anos 50 ou Lada, mas a realidade é diferente. Têm muitos carros modernos americanos circulando nas ruas. Têm lojas da Fiat, Renault e Mercedes, que vendem para quem tem dinheiro. Todos os ônibus para turistas também são modernos como em qualquer cidade turística. Têm carros lindos conservados e outros tão velhos que não é possível entender como ainda funcionam, charmosos são os antigos. É comum ver carros estragados, pessoas empurrando ou consertando.


Essa foi a minha primeira impressão sozinha em Cuba, depois que encontrei meus amigos muita coisa mudou, algumas coisas pude entender outras seguem não fazendo sentido e como dizem alguns amigos cubanos: “É complicado! Não vou te explicar porque não vais entender!” Em respeito à algumas pessoas e para não correr o risco de repassar informação errada, vou omitir algumas coisas. Os próximos posts serão sobre informações turísticas, se alguém tiver interesse em saber mais, pode entrar em contato.
Na ida foram quase 24 horas viajando e esperando. O fusos horários do Brasil, Panamá e Cuba são diferentes, em cada lugar eu tinha que arrumar o relógio. Dentro do avião, já sobrevoando o Caribe, fiquei admirando o céu e parecia que eu estava de cabeça para baixo, o avião voava em cima das nuvens e a cor do céu e do mar era igual o que diferenciava eram as nuvens no horizonte. O Panamá é o Paraguai do Caribe, muitas lojas e muita coisa barata no aeroporto. O país esta crescendo em ritmo acelerado, o mercado imobiliário esta uma loucura, vi muitas propagandas de empreendimentos luxuosos e grandiosos.
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